Alana Damasceno
O corpo da mulher usado para guerra política entre Lula e Bolsonaro
Mulheres de todo o Brasil foram bombardeadas com dois presidentes da República (um ex) numa briga machista usando o corpo da mulher para 'tretar' politicamente
- Tão perto do 8 de Março, as mulheres de todo o Brasil foram bombardeadas com dois presidentes (um ex) numa cruel briga machista usando o corpo da mulher para 'tretar' politicamente. Vale lembrar que 2026 é época de eleições e, por mais que tenhamos inelegível, a disputa política envolvendo ele está mais acirrada do que se possa imaginar.
- Primeiramente, o ex-presidente Jair Bolsonaro, 7 de março, chamou mulheres petistas de "feias e incomíveis" ao lado de apoiadores. O que surte com a frase ingrata? Uma sequência assustadora de risadas - até mesmo de mulheres - reagindo à fala obscena do capitão.
- Alguns dias após, numa tentativa fracassada de reagir à fala de Bolsonaro, 12 de março, Lula nos solta que Gleisi Hoffmann, sua ministra das Relações Institucionais, é a "mulher bonita" para aproximar o Congresso de seu governo. Uma 'gatinha' entre os leões? Mais uma gafe para a coleção do petista.
- Após a péssima repercussão, Gleisi veio a público defender o petista e jogou a culpa do machismo em Bolsonaro.
- Ambas as falas de Lula e Bolsonaro refletem o que não se muda e nem se avança no Brasil, por mais que permeiem tantas políticas públicas e movimentos sociais para endurecer o combate ao machismo no Brasil: a objetificação do corpo da mulher.
- A crise vai além e sobe a patamares imperdoáveis por serem dois (um ex) chefes de Estado. O que dizer quando a objetificação começa do topo? E no que isso ajuda no quesito eleição?
- Num país em que, a cada 17 horas, ao menos uma mulher foi vítima de feminicídio em 2024; ou em que nove em cada dez agressões contra mulher foram presenciadas por alguém, ainda assim, haver políticos usando corpos femininos para trazer à tona o 'falo', como diria Freud, para mostrar a 'potência' de seu poder, mostra o que está de errado no país e borbulha a desvalorização da mulher até no mais injustificável ato de corrida eleitoral.
- Até que a exploração do corpo da mulher acabe, preocupa e muito o que pode vir adiante. Que os movimentos sociais, entidades e políticos realmente interessados em valorização da mulher nos ajude a manter a sanidade. E terapia naqueles que precisam! Seja os imbrocháveis, incomíveis ou imorríveis.



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