Caio César
A América do Sul fala português
A gigante hegemonia brasileira na Libertadores
Palmeirenses comemoram e jogador da LDU chora pela desclassificaçãoSete finais entre brasileiros. Se alguém ainda duvida da hegemonia nacional na Conmebol Libertadores, talvez precise olhar para o continente e perceber que, há tempos, a América fala português — e com sotaque de estádio lotado.
O futebol brasileiro se tornou dono do torneio. De 2019 pra cá, a Libertadores virou quase um campeonato interno, em que os atores e o enredo mudam, mas o idioma permanece o mesmo.
Palmeiras, Flamengo, Botafogo, Fluminense… os protagonistas se revezam, mas o script é sempre verde e amarelo.
Enquanto isso, Argentina, Uruguai e companhia olham de fora — como quem já teve o papel principal e agora se contenta em assistir à nova geração de protagonistas. A verdade é que o futebol brasileiro, com todo seu caos, dinheiro e talento, se transformou em uma potência difícil de ser batida, no quesito América.
O calendário é sim, insano, a arbitragem continua sendo um susto a cada apito (ou imagem do VAR) e a CBF segue sendo um enigma. Mas, dentro de campo, a força dos clubes é inegável.
São sete finais seguidas entre clubes brasileiros — contando com a de 2025.
Talvez isso possa dizer mais sobre o resto do continente do que sobre o Brasil, já que antigamente, a Libertadores era o torneio da garra argentina, do peso uruguaio e da mística paraguaia.
Mas hoje, é o reflexo de um país que, entre crises e craques, aprendeu a dominar, principalmente a arte do planejamento. E é claro, que os finalistas desta edição desfilam com maestria nessa arte, há bons anos.
Em resumo, no campo é notório e indiscutível que o futebol sul-americano vive uma era brasileira. E, pelo jeito, vai demorar um bom tempo até que alguém mude a legenda.
E não é só na Libertadores.
Nas últimas quatro finais de Copa Sul-americana, o Brasil esteve presente, e garantiu também presença na edição de 2025 com o Atlético-MG.
Se o futebol brasileiro com a seleção não protagoniza bons momentos desde 2019, entre os clubes a arte de ser protagonista segue ativa e sem perspectiva de mudança.



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