Caio César
No Brasil, o VAR prometeu justiça e entregou desconfiança
O “insalubre” VAR brasileiro
Há algo profundamente doente no VAR brasileiro.
E não é a tecnologia (que dá certo em boa parte do mundo) e sim o uso.
A promessa era simples: transparência, justiça e o fim dos erros grotescos. Mas o que recebemos foi um verdadeiro circo, com decisões que mais confundem do que esclarecem.
O VAR por aqui virou uma espécie de “oráculo seletivo”: aparece quando convém, silencia quando seria útil e, quando fala, produz mais ruído que esclarecimento.
É o retrato da nossa velha mania de sofisticar o caos, e investir no que ainda falta muito para ficar pronto. Enquanto na Europa o recurso é objetivo e discreto e definido em segundos, por aqui ele parece querer ser protagonista, decidindo pelo árbitro de campo, parando o jogo por 10 minutos e na maioria das vezes, mais comentado que o jogo de futebol em si.
E nesse caso, a tecnologia deveria servir ao futebol, não o contrário. Porém, o que se vê é um espetáculo de indecisões, linhas tortas e protocolos que parecem mudar conforme o clube envolvido.
- Então você concorda que há clubes favorecidos com o VAR?
Sim, concordo... e ele nunca é o meu; mas sempre o meu.
A arbitragem no Brasil não é seletiva mediante a um clube ou outro, ela não favorece esse ou aquele; ela desfavorece todos eles, ou seja, erra pra todo lado. Se o seu time ainda não foi prejudicado, levante as mãos para os céus e agradeça! Mas calma... isso ainda vai acontecer (infelizmente).
O VAR brasileiro é insalubre porque contaminou a essência do jogo, que é a emoção.
Quantas vezes o seu time fez um Gol (“o grande momento do futebol”), mas antes de comemorar, ou mesmo depois de perder a voz comemorando, o telão foi o adversário mais amedrontador, pois poderia tirar ou adiar sua emoção.
Mas justiça seja feita: árbitro de vídeo não é o vilão; o sistema é.
Um sistema que não confia em si mesmo, que erra com mais câmeras do que se errava com apito e bandeira, é um espelho fiel da nossa gestão esportiva: cara de modernidade, alma de improviso.
E, enquanto nada muda, seguimos assistindo à cena mais triste do futebol moderno: o gol que sempre morre na dúvida.



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