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SUS se prepara para enfrentar impactos do El Niño no Brasil

Calor extremo já matou 120 mil pessoas, aponta estudo da Fiocruz


SUS se prepara para enfrentar impactos do El Niño no Brasil Reprodução/Ministério da Saúde

O Ministério da Saúde (MS) realizou, na última quarta-feira (16), uma coletiva de imprensa para apresentar as ações do Sistema Único de Saúde (SUS) no enfrentamento aos impactos do El Niño e conscientizar a população sobre os riscos do fenômeno à saúde.

O evento, realizado de forma virtual, teve como objetivo alertar sobre os efeitos das mudanças climáticas na saúde. Para isso, foram apresentados dados de uma pesquisa baseada em estudos científicos do Observatório de Clima e Saúde da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). A partir dessas informações, o Ministério da Saúde elaborou ações práticas de preparação e enfrentamento aos impactos do El Niño.

Além do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, participaram da coletiva o diretor de Programa da Secretaria Executiva do MS, Nilton Pereira Junior; a diretora do Departamento de Vigilância em Saúde Ambiental e Saúde do Trabalhador, Agnes Soares; o ex-presidente da Fiocruz, Paulo Gadelha; e o diretor da Força Nacional do SUS, Rodrigo Stábeli, responsável por liderar operações de preparação e resposta a emergências em saúde pública.

Preparação e antecipação de riscos relacionados ao El Niño no Brasil

Entre outubro de 2026 e março de 2027, o Brasil entra em uma janela de atenção, com riscos que variam de acordo com cada região. A preparação do SUS considera as características de cada território, levando em conta previsões climáticas, histórico de eventos extremos, vulnerabilidades e capacidade de resposta.

AdaptaSUS

O AdaptaSUS é uma estratégia voltada à preparação do sistema de saúde para enfrentar os impactos das mudanças climáticas. O programa recebeu um investimento de R$ 9,8 bilhões para a elaboração de 27 metas e 93 ações destinadas a fortalecer a proteção da saúde.

A iniciativa prevê um planejamento até 2035, com o objetivo de tornar o SUS mais resiliente, priorizando a proteção de populações vulneráveis. O projeto começou a ser desenvolvido no âmbito do Plano Clima, a partir de novembro de 2023. No entanto, foi no final de agosto de 2026 que o documento final de preparação foi formalmente apresentado e detalhado aos gestores públicos de saúde de todo o país.

Força Nacional do SUS

A Força Nacional do SUS é um programa de cooperação do Governo Federal, coordenado pelo Ministério da Saúde, voltado à resposta rápida a situações de emergência e calamidade pública que afetem a saúde da população. Até o momento, foram realizadas 11 missões em oito estados, cinco delas relacionadas a desastres. O programa conta ainda com 139 profissionais de 14 categorias e registra 4.899 atendimentos de saúde.

Além disso, existem nove bases regionais distribuídas pelas cinco regiões do Brasil:

Norte: Porto Velho (RO), Belém (PA) e Manaus (AM).

Nordeste: Salvador (BA), Recife (PE) e Fortaleza (CE).

Centro-Oeste: Campo Grande (MS).

Sul: Porto Alegre (RS).

Sudeste: Rio de Janeiro (RJ).

A Força Nacional do SUS também conta com 14 Centros de Informação em Saúde e Clima, voltados à produção de inteligência para antecipar riscos e proteger a população antes da ocorrência de emergências.


Confira os riscos gerais por região:


Mapeamento de maiores riscos por região


Na região Sudeste, o fenômeno pode elevar as temperaturas acima da média e aumentar o risco de ondas de calor e temporais em períodos específicos.

Em nota, o Ministério da Saúde afirmou que as ações na região incluem a entrega e a construção de 764 Unidades Básicas de Saúde (UBS) resilientes, no âmbito do Novo PAC. Segundo a pasta, essas unidades são projetadas para resistir a eventos extremos.

Ainda de acordo com os dados apresentados, a região recebeu 1,3 mil ambulâncias do SAMU, 26 soluções de abastecimento de água potável em áreas indígenas e 2,1 mil cisternas no semiárido mineiro.

Sobre o El Niño

O El Niño é um fenômeno climático que ocorre quando as águas da superfície do Oceano Pacífico Equatorial ficam mais quentes do que o normal durante alguns meses. Essa alteração na temperatura do oceano modifica a circulação atmosférica e pode influenciar o clima em diversas partes do mundo.

Segundo dados do Ministério da Saúde, uma em cada quatro mortes no mundo está relacionada a fatores ambientais, como secas, queimadas, piora da qualidade do ar, aumento das temperaturas e enchentes, entre outros eventos climáticos.

Entre os possíveis impactos à saúde estão o aumento dos casos de dengue e chikungunya, doenças respiratórias e cardiovasculares, enfermidades relacionadas ao calor, diarreias, hepatite A e outras doenças transmitidas pela água ou por alimentos contaminados. Também podem ocorrer acidentes, lesões, sofrimento psicossocial e agravamento de condições crônicas.

De acordo com a pesquisa da Fiocruz intitulada Saúde e ondas de calor no Brasil: evidências sobre mortalidade, morbidade hospitalar e implicações para o SUS, que analisa detalhadamente o período de 2000 a 2019, foram registrados 120 mil óbitos associados ao calor extremo. O estudo também aponta o aumento do risco de partos prematuros e impactos mais intensos sobre as mulheres.





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