Flávio diz que Jair Bolsonaro o aconselhou a falar a verdade e que Eduardo vive de doação do pai
Flávio disse não ter nada com o que se preocupar, "a não ser a perseguição", que atribuiu ao governo Lula (PT)
Agência Brasil O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, afirmou nesta sexta-feira (15) que conversou com seu pai, Jair Bolsonaro (PL), a respeito de sua relação com Daniel Vorcaro, revelada pelo site The Intercept Brasil, e que o ex-presidente lhe disse para ficar tranquilo e falar a verdade.
Segundo Flávio, o dono do Banco Master e Bolsonaro nunca se encontraram, apesar de ter havido uma tentativa de levar o ex-presidente à mansão do ex-banqueiro para assistir a um documentário. O presidenciável também criticou seu rival na direita, o ex-governador Romeu Zema (Novo), a quem chamou de precipitado por ter dito que o caso era "imperdoável".
Em entrevista a jornalistas no aeroporto em Brasília, antes de embarcar para um evento no Rio, o pré-candidato disse que esteve com Bolsonaro na tarde de quarta-feira (13), logo após virem à tona as conversas em que ele cobrava de Vorcaro os aportes restantes para bancar o filme "Dark Horse", em homenagem ao ex-presidente. A última mensagem do senador ao ex-banqueiro é de 16 de novembro, um dia antes da prisão de Vorcaro.
"Expliquei [a Bolsonaro] que a imprensa havia noticiado o caso e que não havia absolutamente nada de errado. Ele falou para ficar tranquilo, seguir firme, só falar a verdade, que é o que eu estou fazendo. Insisto que não fiz nada de errado, trata-se de um investimento privado em um filme com expectativa de retorno", afirmou.
O senador disse que poderia divulgar o contrato de financiamento do filme desde que seus advogados o autorizassem. De acordo com Flávio, ele negou, em março, conhecer Vorcaro por causa de uma cláusula de confidencialidade desse documento.
De acordo com Flávio, Zema foi "precipitado" e "se equivocou". O senador disse ter ligado ao adversário para conversar nesta quinta-feira (14). Procurada pela reportagem, a assessoria de Zema informou que ele estava em um voo, voltando de Nova York, onde participou de eventos, e que retornou a Flávio quando pousou, mas o senador estava voando para o Rio.
"Ele [Zema] é novo na política e precisa entender que tem a grande responsabilidade de ajudar os brasileiros a se livrarem do PT. Eu merecia, pelo menos, o benefício da dúvida da parte dele após meus esclarecimentos. Ele se equivocou em se antecipar e me pré-condenar, eu jamais faria isso com ele", declarou.
O senador ainda agradeceu ao presidenciável Ronaldo Caiado (PSD), que minimizou o episódio.
Questionado sobre o custo total de "Dark Horse" (azarão em inglês), Flávio disse que não saberia precisar os detalhes e estimou aproximadamente US$ 16 milhões (cerca de R$ 80 milhões na cotação atual). Segundo o Intercept, a promessa de Vorcaro foi de US$ 24 milhões (R$ 134 milhões à época), dos quais US$ 10,6 milhões (R$ 61 milhões) teriam sido pagos.
"Além do que já tinha sido investido no primeiro momento, acredito que tenha sido mais algo em torno de 4... Em torno de US$ 16 milhões aproximadamente o custo, mas posso estar enganado porque não sei exatamente o valor", disse.
Ele também afirmou que o fundo que recebeu o dinheiro para o filme é "fiscalizado pela Bolsa de Valores dos Estados Unidos" e negou que o ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL), que vive no país, tenha usado essa verba para se bancar, suspeita investigada pela Polícia Federal.
"A todo momento, estão tentando criar narrativas mentirosas. [Eduardo] não recebeu, continuo confirmando aqui, não recebeu. Foi tudo usado integralmente para produzir esse filme."
O fundo é gerido por Paulo Calixto, advogado de Eduardo. "É um advogado que tem especialização também em abertura de fundos, em investimentos. [...] Também é o gestor do fundo, por isso essa confusão", disse Flávio.
O pré-candidato afirmou que o irmão se sustenta com uma doação do pai, de R$ 2 milhões revelada pela Folha de S.Paulo, e com um pouco de reservas próprias. "[Eduardo] está buscando regularizar a sua situação para poder trabalhar regularmente", respondeu.
Flávio foi perguntado ainda sobre por que insistiu nas cobranças a Vorcaro mesmo diante de atraso nos pagamentos e das crescentes suspeitas sobre o Master ao longo de 2025.
"A última parcela que ele pagou foi em maio de 2025, então não estava tudo em evidência como está hoje. Não tinha tido uma operação contra ele [Vorcaro]. Ele estava se defendendo. E eu cobrando que o contrato fosse cumprido. [...] Eu não queria que o filme fosse interrompido. Como ele dizia que tinha condições de honrar, eu estava acreditando que ele honraria", disse.
"Minha relação com ele sempre foi estritamente para tratar do filme. A partir do momento em que acontece o que aconteceu com ele, a nossa relação foi completamente encerrada. E eu fui buscar outros investidores", completou.
Flávio disse não ter nada com o que se preocupar, "a não ser a perseguição", que atribuiu ao governo Lula (PT) por usar "a máquina pública para tentar descredibilizar quem pensa diferente".
"É por isso que eu precisei fazer um filme americano. [...] Os potenciais investidores tinham preocupação porque sabiam que a gente está na vigência de um governo Lula, um governo que persegue. [...] O filme não ia acontecer se fosse aqui."
Carolina Linhares e Gabriela Biló para Folhapress




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