Amado Batista e BYD entram na 'lista suja' do trabalho escravo em nova atualização do governo

Cadastro divulgado pelo Ministério do Trabalho incluiu 169 empregadores; cantor responde por duas autuações em Goiás e montadora chinesa por resgate de 220 trabalhadores na Bahia


Amado Batista e BYD entram na 'lista suja' do trabalho escravo em nova atualização do governo Reprodução

O governo federal incluiu o cantor Amado Batista e a montadora chinesa BYD na chamada "lista suja" do trabalho escravo, divulgada nesta segunda-feira (6) pelo Ministério do Trabalho. O cadastro reúne empregadores flagrados submetendo trabalhadores a condições análogas à escravidão. As informações são do Portal G1.

Ao todo, 169 novos nomes foram adicionados à relação, 102 pessoas físicas e 67 jurídicas. Com a atualização, o total de empregadores listados chega a cerca de 613. O documento é atualizado semestralmente, sempre em abril e outubro.

Os casos que levaram às novas inclusões ocorreram entre 2020 e 2025, em 22 estados, e resultaram no resgate de 2.247 trabalhadores.

Como funciona a lista

A inclusão na "lista suja" ocorre somente após a conclusão do processo administrativo, com decisão definitiva e sem possibilidade de recurso. Cada nome permanece no cadastro por dois anos. A saída depende da regularização das obrigações e da ausência de novos casos no período.

Uma portaria de julho de 2024 criou a possibilidade de retirada antecipada ou até mesmo a não inclusão, desde que o empregador assine um termo de ajustamento de conduta (TAC), indenize as vítimas com no mínimo 20 salários mínimos e invista em programas de apoio aos trabalhadores resgatados.

Nesta atualização, 225 empregadores foram excluídos do cadastro por terem cumprido o prazo de dois anos.

Os casos de Amado Batista e BYD

Amado Batista aparece no cadastro com duas autuações registradas em Goianápolis, na Região Metropolitana de Goiânia (GO). Uma delas envolve o Sítio Esperança, com 10 trabalhadores, e a outra menciona o Sítio Recanto da Mata, com quatro trabalhadores. Os casos ocorreram em 2024.

Em nota, a assessoria do cantor afirmou que as informações sobre resgate de trabalhadores são "completamente falsas e inverídicas". Segundo a nota, não houve resgate, e todos os funcionários seguem exercendo suas atividades normalmente.

A assessoria informou ainda que, em 2024, houve uma fiscalização em uma fazenda arrendada para plantio de milho, com identificação de irregularidades na contratação de quatro trabalhadores vinculados a uma empresa terceirizada. Foi firmado um TAC com o Ministério Público do Trabalho (MPT), e todas as obrigações teriam sido cumpridas e quitadas.

Sobre o Sítio Esperança, a nota informa que não houve resgate e que foram apontadas melhorias em moradia e áreas de convivência, já realizadas e concluídas.

A BYD entrou na lista após o resgate de 220 trabalhadores chineses em dezembro de 2024, na construção da fábrica da empresa em Camaçari (BA). Segundo as autoridades, os trabalhadores viviam amontoados em alojamentos sem condições adequadas de higiene e conforto, eram vigiados por seguranças armados e tinham os passaportes retidos. Os contratos incluíam jornadas exaustivas e ausência de descanso semanal.

Na ocasião, a BYD informou que a construtora terceirizada Jinjiang Construction Brazil Ltda cometeu irregularidades e que, por isso, encerrou o contrato com a empresa. A montadora afirmou não tolerar desrespeito à legislação brasileira nem à dignidade humana.

No fim de 2025, o MPT-BA firmou um acordo de R$ 40 milhões com a BYD e duas empreiteiras, após ajuizar ação civil pública por trabalho análogo à escravidão e tráfico de pessoas.

Atividades e estados com mais casos

As atividades econômicas com maior número de empregadores incluídos foram: serviços domésticos (23), criação de bovinos para corte (18), cultivo de café (12), construção de edifícios (10) e serviço de preparação de terreno, cultivo e colheita (6).

Minas Gerais lidera entre os estados com 35 empregadores, seguido por São Paulo (20), Bahia (17), Paraíba (17) e Pernambuco (13).

Histórico da lista

Criada em 2004, a "lista suja" enfrentou impasses nos governos de Michel Temer e Jair Bolsonaro, chegando a ter sua divulgação suspensa entre 2014 e 2016. O Supremo Tribunal Federal (STF) reconheceu a constitucionalidade do documento.

O Grupo Especial de Fiscalização Móvel (GEFM), que atua em todo o território nacional, completou 30 anos em 2025. Desde sua criação, mais de 68 mil trabalhadores foram resgatados de condições análogas à escravidão, com mais de R$ 160 milhões em verbas salariais e rescisórias asseguradas.

Como denunciar

Denúncias de trabalho escravo podem ser feitas de forma anônima pelo Sistema Ipê, canal específico criado em 2020 pela Secretaria de Inspeção do Trabalho em parceria com a Organização Internacional do Trabalho (OIT).




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