Suzane von Richthofen ri ao relembrar passado em documentário inédito e alega "abismo" com os pais
Longa-metragem de quase duas horas foi exibido em pré-estreia restrita e ainda não tem data de lançamento oficial
Reprodução As primeiras imagens do documentário inédito com entrevista de Suzane von Richthofen começaram a circular nas redes sociais e chamaram atenção antes mesmo da estreia oficial. O longa-metragem de quase duas horas, produzido pela Netflix, foi exibido de forma restrita a convidados e ainda não tem data de lançamento confirmada.
Segundo informações do jornalista Ulisses Campbell, do jornal O Globo, um dos pontos que mais causa impacto em quem já assistiu ao material é o comportamento de Suzane ao revisitar momentos do passado. Em determinados trechos, ela chega a rir ao relembrar episódios que antecederam o crime, ocorrido em 31 de outubro de 2002, quando Manfred e Marísia von Richthofen foram assassinados a pauladas.
A infância e o "abismo" com os pais
No documentário, intitulado provisoriamente de "Suzane vai falar", a condenada reconstrói sua própria versão da história. A casa que serviria de palco para o duplo homicídio é descrita por ela como um ambiente sem afeto, marcado por cobrança e silêncio emocional.
"Eu vivia estudando. Era só nota alta. Tirava 9 e 10 em todas as matérias. Não tinha demonstração de amor, nem deles pra gente, nem da gente pra eles. Minha vida era brincar com o meu irmão", sustentou Suzane.
Manfred, segundo ela, era ainda mais distante. "Meu pai era zero afeto. Minha mãe ainda tinha um pouco. Volta e meia ela pegava a gente no colo. Mas era muito de vez em quando", afirmou.
Suzane também relatou ter presenciado uma cena de violência dentro de casa quando ainda era criança. "Eu era criança. Meus pais botavam a gente pra dormir muito cedo. Ouvi uma discussão e desci pra ver o que era. Eu vi meu pai enforcando a minha mãe contra a parede. Foi horrível", recordou.
"Meus pais construíram um abismo entre nós", afirmou. Em outro momento, disse que "esse espaço vazio foi ocupado pelo Daniel" Cravinhos, que seria condenado pelo mesmo crime.
Vida dupla e o mês de "liberdade total"
Suzane contou que a relação com Daniel se consolidou à medida que o namoro avançava, enquanto crescia a resistência dentro de casa. A mãe criticava o relacionamento de forma direta. "Ela falava que ele ia me puxar para o fundo do poço", afirmou.
A partir daí, instalou-se uma vida dupla. "Eu saía de casa dizendo que ia pro karatê, mas ia pra casa do Daniel. Escondida dos meus pais, conheci todo o litoral de São Paulo. A gente alugava carro e seguia viagem. O Daniel me mostrou o mundo que eu queria viver", prosseguiu.
O ponto de virada, segundo ela, aconteceu quando os pais viajaram por 30 dias para a Europa, e Daniel se mudou para viver com ela dentro da casa da família. "Foi um mês de liberdade total. Um sonho que eu não queria que acabasse. Era o dia inteiro de sexo, drogas e rock 'n' roll. Aquele mês mudou tudo na nossa vida", afirmou, em um dos momentos nos quais chegou a rir ao relembrar o período.
A noite do crime
Sobre o duplo homicídio, Suzane sustenta que não participou diretamente da execução. Diz que permaneceu no andar de baixo, tentando se desligar do que acontecia no pavimento superior, onde os pais dormiam.
"Eu fiquei no sofá, com a mão no ouvido para não escutar nada", contou, admitindo, no entanto, que tinha consciência do que estava em curso. "Eu sabia."
Ela classificou o próprio estado de espírito no momento como "dissociado". "Eu não estava em mim. Era como um robô, sem sentimento", comparou. Ao mesmo tempo, reconheceu que poderia ter interrompido o assassinato. "Se eu parasse pra pensar, aquilo não aconteceria. Quando tudo terminou, o impacto veio de forma imediata. Não tinha mais como voltar atrás. O que eu fiz não tem mais volta", reforçou.
"Eu não construí a arma do crime. Não tenho nada a ver com isso", ressaltou. "Eu aceitei. Eu os levei pra dentro da minha casa. A culpa é minha. Claro que é minha", pontuou.
Contradições e nova vida
Em um dos raros momentos de questionamento, a delegada Cíntia Tucunduva afirma que, no intervalo entre o crime e a identificação de Suzane como mandante, uma equipe policial foi até a casa da família e a encontrou em uma festa, de biquíni, com um cigarro na mão e uma lata de cerveja. Suzane contesta a versão. "Não tinha a menor condição de fazer uma festa naquela casa. A casa estava com cheiro de sangue", diz.
O documentário também expõe a vida atual de Suzane. Ela aparece ao lado do marido, o médico Felipe Zecchini Muniz, e das três filhas dele. O casal relata que se conheceu pelo Instagram, quando o médico encomendou sandálias customizadas por ela para as filhas. Suzane também exibe o filho pequeno, reforçando a construção de uma nova vida familiar.
No trecho final, ela afirma que a mulher que participou do assassinato dos pais deixou de existir. "Aquela Suzane ficou lá no passado. A sensação que eu tenho é que ela morreu junto com os meus pais. Quando eu olho para o meu filho, eu tenho a certeza de que Deus me perdoou", afirmou.
Ainda assim, a condenada reconhece que não consegue escapar da própria história. "Você entra num lugar e parece que o ar para. Todo mundo olha. 'Olha, a Suzane'", relatou. Ela diz ser constantemente reconhecida e fotografada, inclusive em situações banais do dia a dia. "Quantas fotos minhas, às vezes, no supermercado... a pessoa tirando foto."



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