Reforma tributária muda lógica dos investimentos e impulsiona o interior de São Paulo
Com foco no consumo e fim da guerra fiscal, novo modelo favorece regiões mais eficientes, avalia especialista da Apter
Divulgação Durante décadas, empresas decidiram onde instalar ou ampliar a produção, olhando principalmente para o benefício fiscal. Com a reforma tributária - em transição até 2033 -, essa lógica acaba. Isso porque o novo modelo reduz de forma significativa o peso do local de produção e concentra a tributação no consumo. A mudança, associada ao fim dos incentivos estaduais e à guerra fiscal do ICMS, tende a provocar a revisão de estratégias empresariais, levando algumas regiões a se destacarem, como o interior de São Paulo.
Segundo Roberto Suguihara, sócio-diretor da Apter, consultoria tributária, auditoria, outsourcing e tecnologia, nas tomadas de decisão empresariais deixam de prevalecer fatores estritamente ligados ao benefício fiscal, dando lugar a critérios como infraestrutura logística consolidada, proximidade de grandes mercados consumidores, disponibilidade de mão de obra qualificada e menor custo operacional — aspectos nos quais o interior de São Paulo já se destaca.
"Dessa forma, o local torna-se naturalmente mais competitivo tanto para novos investimentos quanto para a redefinição geográfica de operações já existentes.”
Entre os setores que tendem a ser mais favorecidos, estão indústria de transformação, logística e centros de distribuição, agroindústria, alimentos e bebidas, químico e farmacêutico, e-commerce e varejo omnichannel. Todos eles, conforme Suguihara, são setores intensivos em logística, cadeia produtiva e escala.
“As empresas localizadas no interior paulista já apresentam, em muitos casos, posição competitiva relevante em relação às empresas da capital e da região metropolitana. A reforma tributária pode intensificar esse equilíbrio ao estimular a movimentação geográfica das empresas em busca de maior eficiência operacional”, observa o sócio-diretor.
Entre os municípios que podem se destacar estão Campinas, Ribeirão Preto, Sorocaba, São José do Rio Preto e Jundiaí, pois já possuem ecossistemas econômicos maduros e tendem a captar investimentos que, no modelo anterior, eram direcionados a estados que ofereciam incentivos fiscais mais agressivos. Outros pontos relevantes são a forte logística e acesso rodoviário/ferroviário, além da proximidade com os polos consumidores e aeroportos.
FIM DAS DISTORÇÕES
No modelo vigente, empresas localizadas fora dos grandes centros enfrentam uma série de distorções, como a multiplicidade de legislações estaduais, créditos tributários de difícil aproveitamento e a competição desigual criada por incentivos agressivos. Para Suguihara, a reforma tende a corrigir esse desequilíbrio ao criar um ambiente mais neutro e racional para decisões de investimento, nas quais a eficiência logística e operacional tende a se tornar um dos principais pilares da estratégia de negócio.
Ainda segundo Roberto, a reforma também reduz barreiras à descentralização.
“A reforma reduz significativamente o chamado ‘custo fiscal da mudança’”, afirma, abrindo espaço para estratégias como hubs regionais e maior proximidade do consumidor final. Ainda assim, ele ressalta que o aproveitamento dessa oportunidade exigirá planejamento no curto, médio e longo prazo. “A reforma cria a oportunidade, mas seu aproveitamento dependerá de planejamento e atuação conjunta entre o setor público e o privado”, finaliza.



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