Lula deve defender cuidado com contas públicas e agradecer por votos em 1º pronunciamento na TV após reeleição
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil O presidente Lula (PT) deve defender o cuidado com as contas públicas em seu primeiro pronunciamento em rede de TV após ser reeleito. O petista também deve fazer um aceno aos eleitores e agradecer os votos que lhe garantiram uma virada inédita no segundo turno.
Sob pressão do mercado financeiro para anunciar medidas de ajuste, o chefe do Executivo não detalhará propostas, mas deve sinalizar que tem preocupação com a situação das contas e afirmar que, em mandatos anteriores, demonstrou ter compromisso com a responsabilidade fiscal.
O pronunciamento deve ser gravado nesta quinta-feira (5) e transmitido no próximo domingo (8) em cadeia nacional de rádio e TV. O presidente vai priorizar um tom conciliatório em sua primeira fala à nação pós-reeleição.
A ideia é dizer que, para ter políticas sociais perenes e sustentáveis, é preciso cuidar das contas do país. Esse é um discurso que tem sido usado pela própria equipe econômica para convencer o presidente a adotar medidas para controlar a dívida pública.
A mensagem a ser passada por Lula deverá ser a de que o petista governará para todos, após uma corrida eleitoral tensa contra Flávio Bolsonaro (PL), que angariou 59,8 milhões de votos, contra quase 64,3 milhões de Lula.
No primeiro turno, Flávio ficou na frente do petista, o que acendeu alertas e tensões dentro da campanha e do PT.
Ainda há uma perspectiva de que o tema de política externa também seja incluído na gravação, mas os assuntos ainda estão sendo avaliados.
O teor da declaração vem sendo discutido nos últimos dias com a participação dos ministros Sidônio Palmeira (Secom), Miriam Belchior (Casa Civil), Dario Durigan (Fazenda) e Bruno Moretti (Planejamento).
Como mostrou a Folha de S.Paulo, a potência das medidas de ajuste fiscal abriu um impasse dentro do governo, uma vez que o chefe do Executivo demonstra resistência em propor ações mais robustas e que poderiam configurar um estelionato eleitoral.
Desde o dia seguinte à reeleição de Lula, Fazenda e Planejamento trabalham em um cardápio de ações, que vão desde ajustes mais pontuais até medidas estruturais. Perseguir o centro da meta fiscal é um consenso na equipe, mas há divergência sobre o alcance de outras iniciativas para obter o aval do presidente.
A mobilização de apoiadores na reta final da eleição tem pesado nessa equação. Lula sempre demonstrou preocupação com a manutenção de direitos sociais, e o resultado das urnas reforçou essa posição, sobretudo após a campanha do petista ter usado o plano de cortes de Flávio Bolsonaro para desgastá-lo junto ao eleitorado.
Um integrante da equipe econômica afirmou, na semana passada, sob reserva, que o presidente não cometerá estelionato eleitoral e que as medidas ainda estavam em discussão.
Para tentar vencer as resistências dentro do próprio governo, as propostas da área econômica estão sendo apresentadas como as soluções necessárias para manter a sustentabilidade dos programas sociais ao longo dos anos.
Em entrevista à Folha de S.Paulo na última semana, o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos (PSOL), disse ver uma chantagem do mercado no debate sobre ajuste fiscal no novo governo e afirmou que os cortes devem mirar privilégios, não o "lombo dos mais pobres".
A receita para economizar, segundo ele, inclui discutir temas como desonerações fiscais, supersalários e emendas parlamentares impositivas. "Você não pode contrapor uma chantagem de mercado à vontade popular. Isso é anular a democracia", disse.
No discurso da vitória no final de outubro, Lula prometeu mudar o jeito de governar, trabalhar junto ao Congresso dominado pela direita bolsonarista e regular as redes sociais.
"Essa eleição me ensinou muitas lições. Posso dizer que vamos mudar o jeito de governar esse país. Vamos fazer o povo participar mais dessas decisões. E quero dizer a vocês que a comunicação digital vai ganhar espaço muito grande", discursou na ocasião a apoiadores na avenida Paulista, em São Paulo.
Texto por: IDIANA TOMAZELLI E MARIANA BRASIL




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