Derrite e André do Prado são eleitos senadores
O deputado federal Guilherme Derrite (PP) e o presidente da Assembleia de São Paulo, André do Prado (PL), estão matematicamente eleitos ao Senado por São Paulo neste domingo (4).
Segundo o TSE (Tribunal Superior Eleitoral), com 92,9% das urnas apuradas, Derrite obteve 30,4% dos votos e André do Prado marcou 29,3%. Ambos derrotaram as ex-ministras do Meio Ambiente, Marina Silva (Rede), que teve 19,19%, e do Planejamento, Simone Tebet (PSB), com 18,09% dos votos.
O último Datafolha ao Senado mostrava empate quadruplo, dentro da margem de erro, entre Derrite, André do Prado, Marina e Tebet.
André e Derrite integraram o palanque do governador reeleito Tarcísio de Freitas (Republicanos) e do presidenciável Flávio Bolsonaro (PL), enquanto Marina e Tebet estiveram na chapa de Fernando Haddad (PT) e do presidente Lula (PT).
Natural de Sorocaba, no interior paulista, Guilherme Derrite, 41, assumirá uma cadeira no Senado pela primeira vez. Eleito duas vezes deputado federal, em 2018 e 2022, foi secretário de Segurança Pública do governo Tarcísio entre 2023 e 2025, onde enfrentou polêmicas como episódios de violência policial e casos de corrupção envolvendo agentes presos por suspeita de ligação com o PCC.
Bolsonarista, deu maior destaque, em sua campanha, à área da segurança pública, onde defende uma política linha-dura no combate ao crime organizado.
Capitão da Polícia Militar, hoje na reserva, foi tenente da Rota (grupo de elite da PM) e já declarou ser vergonhoso um policial não matar três criminosos em cinco anos -frase que surgiu em um áudio vazado e da qual disse, posteriormente, ter se arrependido.
O advogado Vicente Santini (Republicanos), amigo de Flávio Bolsonaro, é o primeiro suplente de Derrite. Ex-número dois da Casa Civil no governo Jair Bolsonaro (PL), Santini foi demitido do cargo por utilizar uma aeronave da FAB (Força Aérea Brasileira) para voos internacionais, em 2020. O advogado também foi assessor da gestão Tarcísio em Brasília entre 2023 e 2026.
O segundo suplente será o empresário Julio Serson (PP), ex-secretário de Relações Internacionais da Prefeitura de São Paulo.
Único entre os candidatos que lideraram as pesquisas a nunca ter exercido um cargo a nível federal, André do Prado, 57, fará sua estreia no Senado após ter construído sua carreira política de forma regional.
Natural de Guararema (SP), foi vereador (1993 a 2001), vice-prefeito (2001 a 2005) e prefeito (2005 a 2009) da cidade. Depois, exerceu quatro mandatos como deputado estadual (2011 a 2023) e presidiu a Alesp (Assembleia Legislativa de São Paulo) entre 2023 e 2026, sendo o primeiro deputado reeleito à presidência em um mesmo mandato desde 1969, o que era proibido até 2024.
De início, André tinha interesse em se candidatar a vice de Tarcísio, mas diante da escolha do governador em manter Felício Ramuth (MDB) no posto, passou a mirar o Senado como alternativa. A candidatura, no PL, era uma escolha do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro, que só anunciou André em maio deste ano após se reunirem nos Estados Unidos.
Eduardo seria o primeiro suplente, mas desistiu do posto em julho por receio de que a chapa fosse barrada na Justiça Eleitoral, já que ele está inelegível. As duas suplências foram preenchidas por outros quadros do PL.
O primeiro suplente de André é Fernando Godoy, ex-prefeito de Holambra (SP), que é réu em ação que tramita na Justiça Federal desde 2018, fruto da operação Prato Feito, que apura fraudes em licitações com indícios de desvio de verbas em contratos de uniformes, mochilas, limpeza e cestas básicas.
A segunda suplente é a vereadora de São Paulo Rute Costa, liderança religiosa da Assembleia de Deus Ministério do Belém, na zona leste da capital.
DISPUTA EM SP
Nestas eleições, dois terços da Casa Legislativa são renovados. Cada unidade federativa tem direito a três senadores, o que significa que, neste domingo, os eleitores escolheram novos ocupantes para duas das três cadeiras por estado.
Também concorreram ao Senado Soninha Francine (Cidadania), Geraldo Rufino (Podemos), Marcio Alves (UP), Dra. Eliana Ferreira (PSTU), Maíra de Souza (UP), Guto Schiavetto (Missão), William Teixeira (Agir), Ednelson Cesaretti (PCO), Petter Maahs (PCB) e Weller Gonçalves (PSTU).
Ricardo Salles (Novo) anunciou na segunda-feira (28) que desistiria da campanha. Ele decidiu apoiar as candidaturas de André e Derrite após os dois aparecerem tecnicamente empatados com Marina e Tebet em pesquisas eleitorais.
"O momento é tão grave que diferenças tem que ser deixadas de lado", justificou ele, que havia declarado à Folha de S. Paulo, em julho, que não abriria mão de sua candidatura, mesmo sendo aconselhado a isso. Havia um receio de que, com três candidatos da direita disputando as duas vagas ao Senado, os votos fossem fragmentados e enfraquecessem as chances do campo político.
JULIANA ARREGUY, FOLHAPRESS




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