Azul deve cortar voos por alta no combustível de aviação
Presidente da companhia afirma que ajustes devem atingir frequências domésticas e internacionais; empresa prioriza hubs em Campinas, Belo Horizonte e Recife
Reprodução A Azul deve reduzir a quantidade de voos em meio à alta do combustível de aviação e ao cenário de incerteza provocado pelo prolongamento da guerra no Irã. A informação foi dada pelo presidente-executivo da companhia, John Rodgerson, em entrevista à Reuters.
Segundo o executivo, a empresa já vinha realizando cortes de capacidade, mas deve intensificar os ajustes para proteger o caixa e manter apenas as operações consideradas mais viáveis financeiramente.
Rodgerson afirmou que, quando os primeiros cortes foram planejados, a expectativa era de que o conflito no Irã já tivesse terminado. Como a guerra continua, a companhia deve seguir reduzindo algumas frequências de forma pontual.
A maior parte das reduções feitas pela Azul no segundo trimestre ocorreu em rotas internacionais. Agora, os novos ajustes devem atingir principalmente frequências domésticas, sem necessariamente significar a saída imediata de cidades inteiras da malha aérea.
O CEO citou como exemplo uma rota com vários voos diários. Segundo ele, se uma cidade recebe seis voos por dia, a empresa pode avaliar se, diante do preço do combustível, faz sentido reduzir para quatro.
Apesar disso, Rodgerson afirmou que deixar de operar em algumas cidades segue como uma possibilidade em análise. Segundo ele, a companhia primeiro busca reduzir a utilização das aeronaves e cortar frequências antes de retirar destinos.
A Azul deve priorizar seus principais hubs, localizados em Campinas, Belo Horizonte e Recife.
O combustível de aviação é um dos principais custos das companhias aéreas. Segundo a Associação Brasileira das Empresas Aéreas, o querosene de aviação representa cerca de 45% do custo operacional do setor.
No fim de maio, o governo renovou subsídios para o querosene de aviação. Já no início de junho, a Petrobras anunciou uma redução de 14,2% no preço médio de venda do combustível para distribuidoras, equivalente a R$ 0,93 por litro em relação ao mês anterior.
Mesmo com a redução anunciada, a Azul avalia que os preços devem continuar pressionando os resultados no segundo trimestre, período considerado sazonalmente mais fraco. A empresa, no entanto, vê possibilidade de tarifas mais altas se sustentarem nos próximos meses, caso a demanda avance no terceiro e no quarto trimestres.
Rodgerson também afirmou que a reestruturação da dívida da Azul deixou a companhia em uma posição mais forte para se adaptar ao cenário atual.




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