Gripe avança em Sorocaba e acende alerta
Cidade enfrenta aumento de casos respiratórios, crescimento das internações e circulação intensa de vírus como Influenza, Covid-19 e VSR
Divulgação Sorocaba vive um momento de atenção diante do avanço das doenças respiratórias em 2026. Dados da Vigilância Epidemiológica mostram crescimento contínuo dos atendimentos por síndrome gripal ao longo do ano. Em janeiro, foram registrados 1.015 casos, número que subiu para 1.332 em fevereiro, 2.239 em março, 2.419 em abril e alcançou 3.131 casos em maio. O aumento acompanha a sazonalidade das doenças respiratórias e a maior circulação de vírus como Influenza, Covid-19 e Vírus Sincicial Respiratório (VSR).
Os casos mais graves também vêm crescendo. Segundo dados do Sistema de Informação da Vigilância Epidemiológica da Gripe (SIVEP-Gripe), entre as semanas epidemiológicas 1 e 21 de 2026, Sorocaba notificou 421 casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), com 27 óbitos registrados, resultando em uma taxa de letalidade de 6,4%. Entre os casos confirmados, 98 foram causados por Influenza, 17 por Covid-19, 62 por outros vírus respiratórios e 243 não tiveram agente etiológico identificado.
Entre os 27 óbitos registrados por SRAG neste ano, oito ocorreram em pacientes com Influenza, um por Covid-19, um por outros vírus respiratórios e 17 em casos sem identificação do agente causador. Os números reforçam a importância do monitoramento constante e das medidas preventivas, especialmente entre os grupos mais vulneráveis.
Apesar do cenário de alerta, a vacina contra a gripe está disponível para toda a população a partir dos seis meses de idade. Em Sorocaba, a aplicação é gratuita e ocorre de segunda a sexta-feira, das 8h às 16h, nas 33 Unidades Básicas de Saúde (UBSs) do município. A ampliação do público-alvo busca aumentar a cobertura vacinal e reduzir os casos graves da doença, principalmente entre idosos, crianças, gestantes e pessoas com comorbidades.
Os números registrados pelo Grupo Amhemed acompanham a tendência observada na cidade. No Pronto Atendimento Adulto e Infantil, os atendimentos por síndrome gripal passaram de 1.015 casos em janeiro para 3.131 em maio, um aumento superior a 200% em cinco meses.
Em abril, foram registrados 2.419 atendimentos e, em maio, além do crescimento dos casos, houve aumento importante da circulação viral, 289 de Influenza A e B e 78 de Vírus Sincicial Respiratório.
“Todos os meses, no Hospital Amhemed, centenas de pacientes procuram atendimento por sintomas gripais, que vão desde quadros leves até casos mais complexos de comprometimento respiratório. Historicamente, entre os meses de março e julho observamos um aumento expressivo da demanda, o que exige atenção tanto da população quanto dos serviços de saúde”, explica o coordenador do Pronto Atendimento do Hospital Amhemed, Dr. Francisco Antônio Fernandes.
Para a médica infectologista do Hospital Amhemed, Dra. Ana Toporovschi, o momento exige atenção redobrada.
“Os dados mostram um aumento importante da circulação de vírus respiratórios na cidade e também dos casos graves que necessitam de internação. A Influenza continua sendo uma doença potencialmente grave e não deve ser encarada apenas como uma infecção sazonal comum”, afirma.
Segundo a especialista, a evolução para formas graves pode ocorrer mesmo em pessoas sem doenças pré-existentes.
“Idosos, crianças pequenas, gestantes e imunossuprimidos apresentam maior risco, mas indivíduos saudáveis também podem desenvolver complicações, dependendo da resposta imunológica e da agressividade do vírus. Entre as principais complicações estão pneumonias virais e bacterianas, insuficiência respiratória e agravamento de doenças crônicas”, explica.
A vacinação continua sendo a principal ferramenta de proteção.
“A vacina é atualizada todos os anos e reduz significativamente o risco de hospitalizações, complicações e mortes. Mesmo quando não impede completamente a infecção, ela contribui para que a doença se manifeste de forma mais leve”, destaca a infectologista.
Além da imunização, medidas simples ajudam a reduzir a transmissão dos vírus respiratórios.
“Lavar as mãos com frequência, cobrir nariz e boca ao tossir ou espirrar, manter os ambientes ventilados, evitar contato próximo com pessoas doentes e utilizar máscara quando houver sintomas respiratórios são atitudes que fazem diferença”, orienta.
O coordenador do Hospital Amhemed também chama atenção para os sinais de agravamento.
“Febre persistente, falta de ar, piora da tosse, secreção amarelada ou esverdeada, sonolência excessiva, dificuldade para se alimentar ou qualquer sinal de desconforto respiratório devem motivar a procura imediata por atendimento médico”, alerta Dr. Francisco.
Diante do aumento dos casos, da circulação simultânea de diferentes vírus respiratórios e do crescimento dos registros de SRAG, especialistas reforçam que a vacinação e as medidas de prevenção seguem sendo fundamentais para reduzir internações, proteger os grupos de risco e evitar novos óbitos em Sorocaba nas próximas semanas.




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