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PF aponta férias de quase R$ 2 milhões de Ciro Nogueira pagas por Vorcaro

Segundo reportagem da revista Piauí, relatório da Polícia Federal aponta despesas de luxo, repasses mensais e atuação legislativa alinhada a interesses do Banco Master


PF aponta férias de quase R$ 2 milhões de Ciro Nogueira pagas por Vorcaro Reprodução / Revista Piauí

O senador Ciro Nogueira (PP-PI) teria tido férias de quase R$ 2 milhões bancadas pelo banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. As informações foram publicadas pela revista Piauí, que teve acesso a mais de 60 páginas do relatório da Polícia Federal sobre o caso Master.

Segundo a publicação, o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, autorizou no dia 6 de maio uma nova operação da Polícia Federal relacionada ao caso. Ao analisar a relação entre Ciro Nogueira e Vorcaro, o ministro afirmou que havia entre os dois um “arranjo funcional e instrumental orientado por benefício mútuo, extrapolando relações de mera amizade”.

De acordo com a reportagem, o relatório da PF reúne datas, viagens, fotos e mensagens que indicariam uma relação marcada por mesadas, empresas subavaliadas, dinheiro vivo, apartamentos, cartões de crédito, restaurantes, hotéis, jatinhos, emenda parlamentar e férias na neve oferecidas ao senador pelo banqueiro.

O episódio mais chamativo teria ocorrido em janeiro de 2025, em Courchevel, nos Alpes Franceses. Ciro Nogueira e Flávia Rosalen passaram 13 dias na estação de esqui, considerada uma das mais luxuosas do mundo, com despesas bancadas por Vorcaro. O banqueiro também participou da viagem, acompanhado de Martha Graeff, sua noiva na época.

Segundo a Polícia Federal, o custo total da temporada chegou a R$ 1.849.201. O senador e a companheira teriam ficado hospedados em hotel de alto padrão e frequentado restaurantes com estrela Michelin.

A revista informa que, no restaurante La Soucoupe, conhecido por carnes, a despesa do casal chegou a R$ 63 mil. Já no Le Tremplin, especializado em frutos do mar, a conta passou de R$ 58 mil. Ainda segundo a PF, os gastos teriam sido pagos por Vorcaro, que se referiu ao senador como “um dos meus grandes amigos de vida”.

A decisão do STF que autorizou busca e apreensão na residência de Ciro também registra uma conversa entre Vorcaro e Leo Serrano Giunchetti, apontado como operador de logística do banqueiro nos Estados Unidos. Na troca de mensagens, Serrano pergunta se os “meninos” deveriam continuar pagando contas dos restaurantes de “Ciro/Flavia até sábado”. Vorcaro respondeu: “Sim. Depois leva meu cartão para St. Barths”.

Segundo a Piauí, a conversa ocorreu em 23 de janeiro, quando Ciro e Flávia estavam em Courchevel e permaneceriam no local até sábado.

A reportagem também cita mensagens obtidas pela PF que indicariam pagamentos mensais a Ciro. Em três mensagens de 2024, o primo Felipe Vorcaro pergunta ao banqueiro se deveria continuar pagando “300k” ao “pessoal que investiu” na BRGD, empresa da família do senador. Vorcaro respondeu que sim.

Outro ponto citado pela revista envolve um apartamento. Em mensagem enviada a Vorcaro no dia 2 de novembro de 2025, Ciro teria dito que precisaria ficar mais três ou quatro meses no imóvel do banqueiro, até que a ex-namorada desocupasse o apartamento dele.

A reportagem também menciona a chamada “emenda Master”. Segundo a revista, Ciro apresentou ao Congresso uma proposta para aumentar de R$ 250 mil para R$ 1 milhão o limite de cobertura para investidores em caso de quebra de instituição financeira. A proposta atenderia aos interesses de Vorcaro e acabou recebendo o apelido de “emenda Master”.

Em defesa de sua inocência, Ciro minimiza os episódios e trata situações como jantares e uso eventual de helicóptero como parte do ambiente político, sem implicações éticas, segundo a publicação.





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