Fux 'esculacha' colegas do STF e, em alusão ao Master, diz que 'altas autoridades vão para o inferno'
Ministro citou o caso do Banco Master, que envolve colegas da Corte, para defender seu estado de origem, o Rio de Janeiro
O ministro Luiz Fux, do STF (Supremo Tribunal Federal), citou nesta quinta-feira (9) o caso do Banco Master, que envolve colegas da corte, para defender seu estado de origem, o Rio de Janeiro, de críticas que considerou "generalizadas".
O embate ocorreu durante o julgamento sobre as eleições do mandato-tampão para o comando do Palácio Guanabara.
Fux saiu em defesa do Rio após críticas à degradação institucional do estado feita por Gilmar Mendes, Alexandre de Moraes e Flávio Dino. Para o ministro carioca, os comentários foram "manifestação de profundo descrédito em relação ao Rio de Janeiro de forma generalizada".
"Eu até credito que muitos assim o fizeram, porque ingressaram no Supremo Tribunal Federal em época posterior, mas essa perplexidade não seria tão grande se colegas tivessem participado do julgamento do mensalão, do julgamento da Lava Jato, desse julgamento agora do INSS e do Banco Master, porque os escândalos não são concentrados no estado do Rio de Janeiro", afirmou Fux.
"Há bons políticos no estado do Rio de Janeiro, que representam o estado na Câmara Federal. São excelentes políticos. De sorte que se esses políticos tiverem que ir para o inferno, eles vão acompanhados de altas autoridades", afirmou Fux.
O caso Master é o centro de uma crise no Supremo.
Moraes está sob pressão em razão do pagamento de R$ 80 milhões entre 2024 e 2025 ao escritório de sua mulher, Viviane Barci de Moraes, pelo banco Master. Empresas da família do ministro Dias Toffoli foram sócias de uma rede fraudulenta de fundos de investimentos do Banco Master. A informação desencadeou o processo que culminou com a saída do ministro da relatoria da investigação no STF, em fevereiro.
Gilmar pegou carona em um avião da Prime Aviation, empresa da qual Daniel Vorcaro, dono do Master, era sócio.
A fala de Fux ocorreu após Gilmar, Dino e Moraes debaterem o envolvimento de políticos do estado em escândalos criminais.
Gilmar afirmou ter recebido informações do diretor da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, segundo a qual "32 ou 34 parlamentares da Assembleia recebem mesada do jogo do bicho". "Estamos vivendo esses episódios a toda hora. Deus tenha piedade do Rio de Janeiro."
A Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro) tem 70 deputados.
Dino, por sua vez, listou a sequência de ex-governadores presos ou investigados por crimes, sendo o último o ex-governador Cláudio Castro (PL), condenado pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral).
"Não há nenhum outro estado no Brasil, infelizmente, que tenha a situação do Rio. Governador número 1, não direi o nome, preso em 2017. Governador número 2, preso em 2018. Governador número 3, preso diversas vezes desde 2016. Governador número 4, preso em 2017. Governador número 5, preso em 2019. Aí vem um que sofreu impeachment e outro que foi condenado agora pelo TSE por 5 a 2. Essa é a cadeia sucessória do Rio de Janeiro", disse ele.
Dino faz menção aos casos, respectivamente, de Sérgio Cabral (preso em 2016), Luiz Fernando Pezão, Anthony Garotinho, Rosinha Garotinho, Moreira Franco, Wilson Witzel e Cláudio Castro.
Pezão foi absolvido pelo TRF-2. Moreira teve a prisão anulada por Moraes e, posteriormente, foi absolvido npela Justiça Federal do Distrito Federal.
Anthony Garotinho teve a condenação anulada pelo ministro Cristiano Zanin, do STF, decisão que, segundo sua defesa, o autoriza a se candidatar de novo. Cabral foi solto pelo STF, mas ainda responde a ações penais. Witzel também ainda é réu em processos, não tendo sido ainda condenado. Rosinha também teve seu caso anulado pelas cortes superiores.
Moraes citou o caso Marielle Franco, em que foram condenados dois ex-deputados fluminense, Domingos e Chiquinho Brazão, ambos também apontados como líderes de uma milícia na zona oeste do Rio de Janeiro.
ITALO NOGUEIRA E ANA POMPEU, FOLHAPRESS



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