Espetáculo ‘Saudação às Yabás’ encanta público em Sorocaba

Com seis apresentações, peça encerra temporada na Capela João de Camargo


Espetáculo ‘Saudação às Yabás’ encanta público em Sorocaba Divulgação

O espetáculo “Saudação às Yabás”, estreado em março, encerrou a primeira temporada em Sorocaba. Com seis apresentações, a peça se despediu do público na Capela João de Camargo.

A produção teve como base os chamados “itans”, histórias da tradição oral africana. A partir delas, os atores apresentam narrativas de quatro orixás: Yemanjá, Yansã, Nanã e Oxum. As histórias também dialogaram com vivências e memórias de mulheres que marcaram a vida do elenco.

A advogada e escritora Ednéia Gallonetti, de 52 anos, assistiu à peça em uma apresentação no Território Jovem Ipiranga. Emocionada, ela contou que o espetáculo a levou de volta à infância.

“O final, quando fala da história da plantação da taboa, que as mulheres trançavam, me remeteu à minha mãe, que não está mais aqui e nos deixou um aprendizado muito grande para mim e para as minhas filhas.”

O ator André Camargo, de 29 anos, não conhecia as histórias das Yabás e definiu o momento como um aprendizado.

“Eu lembrei das minhas avós. Como perdi as duas, percebi que não sei muito sobre a minha ancestralidade e fiquei pensando sobre isso.”

Troca de saberes e memórias

O espetáculo “Saudação às Yabás” levou emoção ao público, mas também surpreendeu a equipe do projeto. A peça proporcionou o compartilhamento de experiências e saberes entre artistas e espectadores, ao criar um espaço de identificação e troca de memórias.

“Nós não tínhamos dimensão e nem a intenção de gerar um grau de identificação com as histórias. Isso foi uma coisa muito bonita que acontece. Nas sessões que fizemos e, depois, conversando com o público, todas as pessoas se emocionaram; lembraram de uma tia, da própria mãe, de uma avó, que costurava retalhos, que era benzedeira. Nós nos sentimos abraçados”, contou Jhonatan Cardim, idealizador do projeto.

A atriz Fabiana Souza, que esteve em cena com Jhonatan, ressaltou que participar do espetáculo foi uma experiência transformadora.

“Estar em cena foi mais do que atuar, dançar ou cantar, foi sentir, foi reverenciar, foi lembrar que cada movimentocarregava história, memória, presença. Foi um encontro de ancestralidade com o feminino sagrado, com forças que nos atravessam de forma tão potente. E afirmo o quanto a arte é essencial. É um caminho de cura, de força, de existência.”

Já para Marcos Fogaça, diretor da peça, a narrativa apresentada "é fundamental, pois nos permite estabelecer um diálogo com o público acerca do combate à intolerância religiosa, especialmente em relação às religiões de matriz africana. Nossa peça evidencia que os saberes ancestrais estão presentes no cotidiano; é preciso apenas direcionar o olhar para reconhecê-los.”





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