Moraes acolhe parecer da PGR e arquiva inquérito contra Carla Zambelli por suposta obstrução
Ministro do STF entendeu que não há elementos para novo processo criminal; ex-deputada segue presa na Itália com extradição em análise
Reprodução / Agência Brasil O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), arquivou o inquérito que investigava se a ex-deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) tentou obstruir a Justiça ao deixar o Brasil após sua condenação no caso da invasão ao sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
A decisão foi tomada após parecer da Procuradoria-Geral da República (PGR), que não identificou elementos suficientes para a abertura de um novo processo criminal contra Zambelli.
A ex-parlamentar foi condenada por unanimidade pelo STF a 10 anos de prisão por envolvimento na invasão ao sistema do CNJ. Segundo as investigações, ela teria atuado em parceria com o hacker Walter Delgatti Neto para inserir documentos falsos na base de dados do órgão, incluindo um suposto mandado de prisão contra o ministro Alexandre de Moraes.
Fuga do Brasil
Em maio de 2025, a Primeira Turma do STF condenou Carla Zambelli a 10 anos de prisão em regime fechado. Cerca de 20 dias após a decisão, ela deixou o país por via terrestre pela fronteira com a Argentina e seguiu para os Estados Unidos, alegando posteriormente que buscaria tratamento médico na Europa.
Ministros do Supremo classificaram a saída como fuga. Moraes decretou prisão preventiva e incluiu o nome da ex-deputada na lista de difusão vermelha da Interpol. Zambelli foi presa na Itália em julho de 2025.
Renúncia ao mandato
Em dezembro de 2025, a Câmara dos Deputados votou contra a cassação do mandato da parlamentar. Foram 227 votos favoráveis à perda do cargo, abaixo dos 257 necessários.
O ministro Alexandre de Moraes anulou a votação, considerando-a inconstitucional, ao entender que a perda do mandato é automática em casos de condenação criminal transitada em julgado com pena superior a quatro anos.
No dia 14 de dezembro de 2025, Carla Zambelli formalizou sua renúncia ao mandato por meio de carta enviada à Mesa Diretora da Câmara. O suplente Adilson Barroso (PL) assumiu a vaga.
Extradição em análise
Atualmente, Zambelli está presa na penitenciária feminina de Rebibbia, na Itália. O governo brasileiro formalizou pedido de extradição, que está sob análise da Justiça italiana.
Em fevereiro de 2026, a defesa tentou substituir os juízes responsáveis pelo caso, alegando falta de imparcialidade, mas o pedido foi rejeitado. A Justiça italiana decidiu mantê-la presa durante o julgamento do processo de extradição por considerar que há risco de nova fuga.



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