Jovem tetraplégico relata primeiros sinais de recuperação após proteína experimental
Militar de 19 anos percebeu movimentação na ponta do dedo dias após procedimento experimental
Reprodução / G1 O paciente mais jovem do Brasil a receber a polilaminina, substância ainda em fase experimental para tratamento de lesões medulares, relatou os primeiros sinais de movimentação nas mãos após a aplicação do medicamento. As informações são do Portal G1.
Luiz Otávio Santos Nunez, de 19 anos, militar do Exército Brasileiro, ficou tetraplégico após um acidente com arma de fogo em outubro do ano passado. A aplicação da proteína ocorreu no dia 21 de janeiro deste ano, no Hospital Militar de Campo Grande (MS).
Segundo relato do jovem, cerca de 12 dias após o procedimento, ele percebeu um pequeno movimento na ponta de um dos dedos da mão, algo que não conseguia realizar desde a lesão. Ele também afirmou ter começado a sentir atividade nervosa nas pernas, que haviam perdido totalmente a sensibilidade.
A aplicação do medicamento foi autorizada por meio de decisão judicial. A polilaminina ainda está em fase de estudos clínicos na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
O que é a polilaminina?
A polilaminina é uma versão sintética da laminina, proteína presente no desenvolvimento embrionário e que auxilia na conexão entre neurônios. O composto é estudado há quase três décadas por pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
Em casos de lesão medular, as fibras nervosas são rompidas e os sinais elétricos do cérebro deixam de chegar ao restante do corpo. A proposta da polilaminina é estimular o crescimento dessas fibras, ajudando a restabelecer parte da comunicação nervosa.
O protocolo original prevê aplicação em até 72 horas após a lesão, período considerado “janela terapêutica”. No caso de Luiz Otávio, o procedimento ocorreu cerca de 110 dias depois do acidente, situação considerada fora do prazo ideal.
Pesquisadores responsáveis pelo estudo alertam que ainda não é possível afirmar se aplicações fora do período indicado terão efeitos significativos ou se poderão gerar efeitos adversos.
Tratamento e expectativa
O procedimento durou aproximadamente 40 minutos e foi realizado por equipe médica especializada, com acompanhamento de profissionais ligados ao estudo.
A lesão de Luiz Otávio ocorreu na região da vértebra C6, o que resultou na tetraplegia, com perda parcial de movimentos nos braços e mãos e ausência total de sensibilidade nas pernas.
Especialistas ressaltam que o medicamento ainda passa por fases regulatórias e precisa concluir estudos de segurança e eficácia antes de eventual registro sanitário. Se aprovado, o tratamento será feito por injeção direta na medula, e não por via oral ou intravenosa.
A família do jovem se mudou para Campo Grande para dar continuidade ao tratamento e à fisioterapia, considerada parte essencial do processo de recuperação.
A polilaminina é vista como uma possibilidade futura para pacientes com lesões traumáticas agudas ou subagudas na medula espinhal, mas especialistas reforçam que o caminho até a disponibilização ampla do medicamento ainda depende de etapas rigorosas de avaliação.



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