Piloto preso por pedofilia era chamado de “tio Sérgio” por crianças abusadas
Suspeito explorava vulnerabilidade financeira das famílias, diz delegada
Reprodução A Polícia Civil prendeu nesta segunda-feira (9) o piloto Sérgio Antônio Lopes, funcionário da companhia aérea Latam, suspeito de liderar uma rede de abuso sexual contra crianças e adolescentes. De acordo com as investigações, o homem atuava há pelo menos 10 anos e se aproveitava da vulnerabilidade financeira das vítimas e de suas famílias para cometer os crimes.
Segundo a polícia, Sérgio era chamado de “tio Sérgio” pelas vítimas e utilizava a oferta de dinheiro, alimentos, medicamentos e até pagamento de aluguel como forma de convencê-las a aceitar os abusos. Em alguns casos, os valores pagos variavam entre R$ 30 e R$ 100.
Em entrevista, a delegada Luciana Peixoto, responsável pelo caso e titular da Delegacia de Combate à Pedofilia, afirmou que muitas vítimas se sentiam culpadas por aceitarem o dinheiro, devido à necessidade financeira enfrentada pelas famílias.
“As vítimas se sentiam até culpadas, porque diziam que precisavam ajudar em casa, comprar comida, porque estavam passando por necessidade. Era assim que ele se apresentava, como alguém que iria ajudar financeiramente”, explicou a delegada.
As investigações apontam ainda que Sérgio coagia as vítimas a atrair outras meninas, sob ameaça de divulgar imagens registradas durante os abusos. Para a polícia, esse padrão indica que o suspeito tentava ampliar o número de vítimas e estruturar uma rede criminosa.
Dois depoimentos considerados fundamentais para o avanço das apurações foram de duas irmãs, atualmente com 14 e 18 anos, que relataram ter sido abusadas desde a infância. Segundo a polícia, elas eram levadas até o suspeito pela própria avó, Denise Moreno, de 55 anos, que também foi presa nesta segunda-feira.
De acordo com as autoridades, a avó recebia dinheiro do piloto para permitir os abusos. Em outubro do ano passado, o suspeito teria pago valores entre R$ 50 e R$ 100 para mães e avós de meninas em troca da prática criminosa.
O modus operandi incluía a aproximação de mulheres adultas, mesmo sendo casado. Sérgio perguntava se elas tinham filhas e afirmava que não via problema em manter um relacionamento extraconjugal. A partir dessa aproximação, passava a oferecer dinheiro e benefícios materiais.
Até o momento, pelo menos 10 menores foram identificadas como vítimas. A polícia segue investigando o caso para identificar outras possíveis vítimas e eventuais cúmplices.



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