Mensagens atribuídas a policiais civis levantam suspeitas de tortura e abuso sexual em delegacia de MT

Conversas vazadas em grupo institucional indicam práticas ilegais contra detentos; Corregedoria apura o caso


Mensagens atribuídas a policiais civis levantam suspeitas de tortura e abuso sexual em delegacia de MT Reprodução

Mensagens atribuídas a policiais civis da Delegacia da Polícia Civil de Sorriso, no Mato Grosso, vazadas em dezembro de 2025, levantaram suspeitas graves de tortura, abuso sexual contra detentas e outras práticas ilegais dentro da unidade. O conteúdo circulava em um grupo de WhatsApp identificado como institucional e passou a ser alvo de apuração da Corregedoria da Polícia Civil. As informações são do Portal G1.

Os prints mostram conversas em um grupo intitulado “DHPP/Assuntos Oficiais”, referência à Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa. Em uma das mensagens, datada de 6 de novembro de 2025, um dos participantes faz um comentário sugerindo violência sexual contra uma detenta, provocando reação de espanto de outra integrante do grupo.

Troca de mensagens entre policiais | Foto: Reprodução

As mensagens vieram à tona após o compartilhamento dos prints em aplicativos de troca de mensagens. A autenticidade do material foi analisada por ferramenta de verificação digital, que não identificou indícios de manipulação ou edição das imagens.

Relato de estupro e avanço das investigações

No mesmo mês em que as conversas vazaram, uma mulher que estava presa na delegacia relatou ao advogado ter sido estuprada por um investigador da unidade. O policial foi indiciado por estupro e abuso de autoridade no início de fevereiro de 2026. O caso ampliou a repercussão das mensagens e reforçou a suspeita de que os conteúdos do grupo refletiriam práticas reiteradas dentro da delegacia.

Um grupo de advogados criminalistas formalizou denúncia com base nos prints e nos relatos da vítima. A Corregedoria Geral da Polícia Civil de Mato Grosso confirmou o recebimento da denúncia e informou que apura a autenticidade das mensagens e o contexto em que foram produzidas.

Em nota, a Polícia Civil afirmou que o celular de onde teriam partido os vazamentos havia sido furtado meses antes, em outubro de 2025, e que as mensagens, se verdadeiras, não teriam relação direta com o caso de estupro investigado. Ainda assim, a corporação declarou que eventuais desvios de conduta serão rigorosamente apurados.

Indícios de outras práticas ilegais

Além das mensagens com teor sexual, outros trechos das conversas indicam possíveis irregularidades graves. Expressões usadas no grupo foram interpretadas como referências a forjamento de flagrantes, agressões físicas a presos e instalação ilegal de aplicativos espiões em celulares de investigados.

Há também menções à reutilização de uma mesma arma em supostos confrontos policiais, prática que, segundo especialistas, pode indicar adulteração de cenas e execuções simuladas.


Denúncias anteriores contra a mesma equipe

O caso não é isolado. Em janeiro de 2024, uma jovem denunciou ao Ministério Público ter sido agredida por policiais da mesma delegacia, levada para um matagal e ameaçada com violência sexual durante uma abordagem. Segundo o relato, ela teria sido pressionada a fornecer informações sobre um homicídio ocorrido na cidade.

À época, a jovem afirmou que só foi liberada após indicar nomes de possíveis envolvidos no crime. O caso também foi formalizado junto ao Ministério Público e integra o histórico de denúncias contra a unidade.

Órgãos acompanham o caso

A Ordem dos Advogados do Brasil em Mato Grosso (OAB-MT) e o Tribunal de Defesa das Prerrogativas informaram que encaminharam ofício à Corregedoria solicitando providências. O Ministério Público afirmou que, até o momento, não recebeu denúncia formal relacionada especificamente às mensagens vazadas.

As investigações seguem em andamento. A Corregedoria informou que novas diligências serão realizadas para esclarecer os fatos e apurar responsabilidades. O caso permanece sob análise das autoridades competentes.




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