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Flávio Bolsonaro votou contra projeto que suspende posse de arma de policial que comete violência doméstica


Flávio Bolsonaro votou contra projeto que suspende posse de arma de policial que comete violência doméstica Foto/Reprodução

Quando era deputado estadual no Rio de Janeiro, o candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, votou contra um projeto de lei que suspendia a posse de arma de policial que tivesse praticado violência doméstica. Apesar do voto contrário do parlamentar (então no PP), a proposta foi aprovada pela Alerj (Assembleia Legislativa do RJ), em 2009.

De autoria da então deputada estadual Inês Pandeló (PT), o projeto se baseava no artigo 22 da Lei Maria da Penha (sobre medidas protetivas de urgência que o juiz poderá aplicar de imediato ao agressor).

Segundo a proposta da deputada, o Estado poderia "se antecipar à decisão judicial e suspender a posse ou restringir o porte de arma de fogo do integrante das forças de segurança do Estado do Rio de Janeiro que tiver praticado ato de violência doméstica e familiar contra a mulher".

Após a aprovação pela Alerj, o texto foi sancionado pelo então governador Sérgio Cabral (PMDB) e virou a lei nº 5402/2009.

A postura do deputado —que ao longo de sua trajetória sempre defendeu policiais e manteve relações próximas com alguns que seriam condenados por crimes, como Adriano da Nóbrega— contrasta com a do hoje candidato à Presidência. Durante a campanha, Flávio Bolsonaro tem prometido combater a violência contra a mulher e os feminicídios. Em seu plano de governo, propõe o monitoramento eletrônico de agressores com medidas protetivas e penas mais rígidas para assassinos e agressores de mulheres.

O projeto de Inês Pandeló foi aprovado em votação simbólica. Flávio Bolsonaro foi o único a declarar voto contrário e pedir a palavra para justificá-lo –Paulo Ramos (PDT) fez ponderações quanto à constitucionalidade da lei, mas não declarou voto. Além da autora do texto, quatro parlamentares pediram a palavra para declaração de voto favorável: Alessandro Molon (PT), Luiz Paulo (PSDB), Alice Tamborindeguy (PSDB) e Cidinha Campos (PDT).

"Desarmar é preciso, desarmar aqueles que têm autorização para ter arma e não têm controle sobre as mãos é indispensável", discursou Cidinha. "Primeiro ele bate com a mão, depois ele dá um tiro."

Flávio afirmou que, "infelizmente, o policial militar de um modo especial, os militares de uma forma geral nunca ou quase nunca têm assegurado os direitos constitucionais do contraditório, da ampla defesa e da presunção de inocência, quando são envolvidos em algum tipo de acusação na esfera criminal".

"Por essa razão", continuou o deputado, "muitos policiais podem ser vítimas de situações em que, na realidade, não têm aquela culpa toda declarada, de repente, por uma esposa ou ex-esposa, e acabam perdendo o instrumento de trabalho, que é a arma. Ela é inerente ao policial militar, é inerente ao bombeiro militar, inclusive."

"Preocupa-me querermos impor esse tipo de sanção a um servidor público que tem direito a porte de arma e que porventura se envolva em algum atrito familiar, perdendo o direito a esse porte ou o sendo restringido de alguma forma. Registro que votei contra esse projeto por entender que, se os militares em geral fossem tratados de forma equânime pela nossa Constituição e de forma razoável pelos seus superiores principalmente, eu votaria a favor do projeto certamente. Entretanto, a realidade é outra. Então, votei contra o projeto da deputada Inês Pandeló."

Foi o segundo voto contrário de Flávio, que já havia rejeitado o texto quando o projeto foi apreciado pela Comissão de Segurança Pública e Assuntos de Polícia. O presidente da comissão e relator do PL, Wagner Montes (PDT), foi favorável, definindo a proposta como "louvável".

Em nota à reportagem, a assessoria de Flávio Bolsonaro afirmou que o compromisso do candidato "é combater com firmeza a violência contra a mulher, o feminicídio e a impunidade" e que ele defende "o endurecimento das penas para assassinos e agressores de mulheres, o cumprimento integral das condenações e o monitoramento eletrônico de agressores que estejam submetidos a medidas protetivas".

Sobre o voto contrário ao projeto que suspendeu a posse de arma de policial que tivesse praticado violência doméstica, a campanha declarou: "A posição como deputado, assim como em toda sua trajetória política, sempre foi de garantir o direito constitucional do contraditório, da ampla defesa e da presunção de inocência. Essas garantias não se confundem com tolerância à violência, em qualquer esfera".

Por fim, a assessoria informou que o plano de governo de Flávio Bolsonaro prevê a criação da Central da Mulher, "com acolhimento, orientação jurídica e apoio psicológico, além de iniciativas para ampliar a autonomia financeira feminina". "A prioridade é garantir que as mulheres tenham segurança, proteção e condições para romper o ciclo da violência, e que os agressores respondam por seus atos."


Texto por: FABIO VICTOR




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