STJ nega pedido de habeas corpus para influenciadora Deolane Bezerra
Advogada está detida na penitenciária feminina de Tupi Paulista, no interior de São Paulo
Agência Brasil Ministros do STJ (Superior Tribunal de Justiça) negaram nesta terça-feira (9) o pedido de habeas corpus da influenciadora Deolane Bezerra, presa desde 21 de maio. Ela está detida na penitenciária feminina de Tupi Paulista, no interior de São Paulo.
Deolane é suspeita de atuar como caixa da lavagem de dinheiro da família de Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, líder máximo do PCC (Primeiro Comando da Capital). O Ministério Público diz ver uma relação próxima entre a família de Marcola e Deolane. Ambos negam as acusações.
Investigadores relatam que o esquema envolve a operação de empresas de fachada por onde circulam quantias de fontes supostamente ilícitas.
No pedido ao STJ, os advogados de Deolane argumentaram que não há requisitos legais para uma prisão preventiva (sem prazo), como risco à ordem pública, à instrução criminal ou à aplicação da lei penal. Os defensores pediram que a prisão fosse revertida em domiciliar.
A Folha de S.Paulo apurou que os ministros decidiram manter a prisão preventiva por entenderem que o caso ainda será analisado por cortes inferiores.
Segundo o Ministério Público, a proximidade entre Deolane e Francisca Alves da Silva, mulher de Alejandro Camacho Júnior, irmão de Marcola, foi um dos elementos considerados para iniciar a investigação sobre a suposta participação da influenciadora na lavagem de dinheiro para o PCC.
No último dia 27, a defesa de Marcola afirmou que ele não conhece a influenciadora Deolane Bezerra e que ficou "indignado" com a investigação sobre lavagem de dinheiro da facção.
No dia 29 de maio, a Polícia Civil encaminhou um relatório final complementar à Justiça paulista em que pede o indiciamento de sete pessoas, entre eles Marcola e Deolane. A polícia também está investigando as irmãs e a mãe da influenciadora e advogada Deolane Bezerra sob a suspeita de que elas integram o mesmo esquema de lavagem de dinheiro.
A investigação aponta que a empresa Lado a Lado funcionava como uma espécie de caixa do crime organizado.
Conforme mostrou a Folha, Deolane declarou à Receita Federal ter ganhado 7,5% do que recebeu em contas correntes ao longo de quatro anos, segundo investigação da polícia.
Foram R$ 7,6 milhões em créditos de 2018 a 2022, sendo que apenas R$ 577 mil foram relatados ao órgão de auditoria fiscal. Esses números constam do relatório final do inquérito que apurou um esquema de lavagem e dissimulação de valores envolvendo a facção criminosa.
A Polícia Civil diz ter identificado uma "complexa engrenagem financeira estruturada em torno da pessoa Deolane Bezerra", e a decisão que decretou a prisão preventiva (sem prazo) da influenciadora cita um padrão de vida "desproporcional a qualquer fonte de renda lícita apurada".
Em carta enviada da prisão, Deolane negou participação no suposto esquema de lavagem de dinheiro e se disse vítima de perseguição. "Mais uma vez a mãe está enjaulada por pura perseguição e por ser formadora de opinião", escreveu ela.
Folhapress




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