Receita intensifica uso da IA e exige mais rigor de empresas da região de Sorocaba

Cruzamento de dados em tempo real aumenta risco de inconsistências e pressiona empresas por maior controle fiscal


Receita intensifica uso da IA e exige mais rigor de empresas da região de Sorocaba Reprodução

O ambiente de negócios na Região Administrativa de Sorocaba (RAS), composta por 47 municípios, registrou a abertura de 17.056 novas empresas em 2025, crescimento de 17% em relação ao ano anterior, segundo dados da Junta Comercial do Estado de São Paulo (Jucesp). Esse crescimento ocorre em um contexto de fiscalização cada vez mais digital e automatizada.

Com o prazo da Escrituração Contábil Fiscal (ECF) previsto para julho, empresas que apuram o Imposto de Renda (IRPJ) devem redobrar a atenção à organização e à consistência das informações fiscais.

A Receita Federal vem aprimorando o uso de IA para cruzar dados em tempo real, elevando o nível de precisão na identificação de inconsistências. Na prática, isso torna mais difícil que erros passem despercebidos e exige maior controle contínuo por parte das companhias.

Segundo a diretora de Tax da consultoria tributária Apter, Daniele Ishida, o uso de tecnologia pelo Fisco não é novo, mas entrou em uma fase mais avançada. 

“A Receita Federal do Brasil já opera com inteligência artificial para seleção e priorização de fiscalizações, por meio do Projeto Analytics, plataforma desenvolvida internamente que combina algoritmos de IA e análise de redes complexas para cruzar grandes volumes de dados”, explica.

A ferramenta permite identificar padrões atípicos em operações como importações, compensações tributárias e movimentações com criptoativos. O modelo já apresenta resultados relevantes, com a identificação de R$ 11 bilhões em operações suspeitas em todo o país.

Apesar do aumento no rigor, o uso da tecnologia também tem caráter orientativo.  “O sistema facilita a comunicação com os contribuintes, acelera a análise e estimula a autorregularização antes de medidas coercitivas”, afirma Daniele.

Outro ponto destacado pela especialista é que, mesmo com o avanço da automação, o controle humano segue indispensável no processo. “A IA não decide, apenas apoia”, pontua.

Nesse cenário, a ECF deixa de ser vista como uma obrigação pontual e passa a exigir acompanhamento contínuo ao longo do ano. A organização das informações fiscais, aliada a conciliações consistentes e documentação adequada, torna-se decisiva para reduzir riscos e evitar penalidades.




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