Testemunhas de Jeová atualizam regras sobre transfusão de sangue

Nova diretriz permite armazenamento e reutilização do próprio sangue, mas mantém proibição de doações de terceiros


Testemunhas de Jeová atualizam regras sobre transfusão de sangue Reprodução

As Testemunhas de Jeová passaram a adotar uma nova diretriz em relação ao uso de sangue em tratamentos médicos. A atualização permite que fiéis utilizem o próprio sangue em procedimentos previamente planejados, como cirurgias.

Na prática, isso significa que o sangue poderá ser retirado, armazenado e posteriormente reinserido no paciente durante o atendimento. Apesar da mudança, segue mantida a restrição ao uso de sangue de outras pessoas.

Decisão passa a ser individual

A nova orientação foi comunicada por um dos líderes da organização, Gerrit Losch, que destacou que a decisão sobre o uso do próprio sangue deve ser feita individualmente.

Segundo ele, cabe a cada fiel avaliar como esse recurso será utilizado em cuidados médicos e cirúrgicos.

Posição religiosa continua a mesma

Mesmo com a flexibilização, a base da crença não foi alterada. A recusa ao uso de sangue de terceiros continua fundamentada em interpretações bíblicas que orientam a evitar o consumo ou uso de sangue.

Um porta-voz da organização reforçou que o princípio da “santidade do sangue” permanece como elemento central da doutrina.

Mudança gera críticas

A nova diretriz não foi unanimidade. Ex-integrantes do grupo avaliam que a alteração ainda é limitada, principalmente em situações emergenciais.

O americano Mitch Melon afirmou que a mudança não resolve casos em que transfusões com sangue doado podem ser decisivas para salvar vidas, como em acidentes graves ou tratamentos contra o câncer.

Debate já chegou à Justiça

A discussão sobre o tema também tem sido levada aos tribunais. Em dezembro do ano passado, na Escócia, uma decisão judicial autorizou médicos a realizarem uma transfusão em uma adolescente de 14 anos, mesmo sem o consentimento dela, caso o procedimento fosse necessário.

A Justiça considerou que a medida atendia ao melhor interesse da paciente, ainda que suas convicções religiosas tenham sido levadas em conta.




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