Fornecedora de alimentos da prefeitura de Votorantim é investigada por carga roubada

TCE solicitou recentemente uma medida cautelar para suspender a contratação emergencial realizada pelo prefeito de Votorantim, Weber Manga, no valor de R$ 1,4 milhão, destinada à compra de alimentos na W&C Alimentos Ltda


Fornecedora de alimentos da prefeitura de Votorantim é investigada por carga roubada

A empresa W&C Alimentos Ltda., que fornece cestas básicas e alimentos para escolas de Sorocaba e Votorantim, está envolvida em uma investigação da Polícia Civil.

O sócio da distribuidora, Cristian Adriano da Costa, é o principal suspeito de ter adquirido uma carga de leite em pó avaliada em R$ 880 mil, que havia sido roubada na Bahia em dezembro de 2023.

O Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) de São Paulo, por meio da Divisão de Investigações sobre Furtos, Roubos e Receptações de Veículos e Cargas (Divecar), conduz o caso. As informações são do Portal G1 Sorocaba.

W&C ALIMENTOS LTDA E GOVERNO WEBER

O TCE (Tribunal de Contas do Estado de São Paulo) solicitou recentemente uma medida cautelar para suspender a contratação emergencial realizada pelo prefeito de Votorantim, Weber Manga, no valor de R$ 1,4 milhão, destinada à compra de alimentos na W&C Alimentos Ltda. para a merenda escolar da cidade. A suspeita é de superfaturamento na compra dos alimentos, como a manteiga a R$ 38.

A W&C Alimentos Ltda está localizada em Estiva Gerbi, mesmo município onde atuou como secretário municipal Rafael Bassi, atual secretário de Finanças de Weber. 

ROTEIRO DA CARGA ROUBADA

As investigações apuram se Cristian recebeu a carga no dia 15 de dezembro de 2023, nove dias após o roubo. O caminhão foi roubado por assaltantes armados na Bahia, e a polícia rastreou a carga até Alagoas, onde ela foi transferida para outro caminhão com destino a São Paulo.

No dia 15 de dezembro, os agentes abordaram o segundo caminhão, já vazio, em Mogi-Mirim (SP). O motorista confessou ter descarregado o leite na empresa W&C Alimentos, em Estiva Gerbi.

O mesmo motorista apresentou uma nota fiscal de R$ 99.989,15, valor inferior ao real, emitida por outra empresa localizada em Barcelona, no Rio Grande do Norte. As autoridades acreditam que a nota seja falsa, pois não foi encontrada no endereço citado.

INDICIAMENTOS 

Com base nas informações, a polícia cumpriu, em 7 de maio de 2024, mandados de busca e apreensão na W&C Alimentos Ltda. e em endereços ligados ao sócio. Dois funcionários, que eram gerentes, foram indiciados por receptação qualificada. De acordo com a polícia, ambos tiveram versões diferentes sobre a assinatura em um recibo de entrega apreendido no local, entrando em contradição.

Cristian não compareceu à delegacia durante as diligências, mesmo ciente das investigações. Ele enviou advogados para representá-lo e solicitou Habeas Corpus, alegando que nada de ilícito foi encontrado durante as buscas. A delegada responsável pelo caso rebateu a declaração da defesa com informações prestadas no próprio processo.

Em resposta ao Habeas Corpus, a autoridade policial ressaltou que o investigado "celebra inúmeros contratos de licitação com os municípios adjacentes ao município de Estiva Gerbi" e que a tentativa de interromper o inquérito tinha como único objetivo atrasar a investigação e ganhar tempo.

REABERTURA DA INVESTIGAÇÃO

A investigação chegou a ser arquivada, mas foi reaberta em janeiro deste ano após pedido do Ministério Público (MP), por alegação da empresa vítima do roubo de que uma testemunha protegida não havia sido ouvida.

Durante o depoimento, essa testemunha afirmou que a carga de leite foi retirada às pressas da W&C em caminhões da própria empresa. Ela declarou ainda que o leite recebido na ocasião foi distribuído para creches e escolas públicas da região com as quais a W&C possui contrato.

A testemunha acrescentou que a operação de transbordo utilizou três caminhões da própria empresa, conduzidos por prestadores de serviço, e que a mercadoria pode ter sido levada e escondida em outros três galpões da W&C.

DEFESA DA EMPRESA

A W&C Alimentos Ltda. atua no comércio atacadista de alimentos. O crime de receptação qualificada, apontado no caso, se aplica a quem recebe produto de origem criminosa em atividade comercial, com pena estimada de 3 a 8 anos de prisão, além de multa.

A defesa da empresa e de seu sócio afirma que acusá-los de receptação é leviano, destacando que a empresa atua no setor há décadas e que "inexiste qualquer processo desta estirpe contra a empresa, que a todo momento cooperou com as investigações, inclusive franqueando acesso aos seus galpões e apresentando toda sua documentação fiscal às autoridades".

A defesa acrescenta ainda que a empresa "reitera sua conduta pautada na legalidade e nas boas práticas, jamais tendo contribuído ou cooperado com condutas ilícitas e nada havendo que a desabone".





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