Hezbollah ataca Israel; guerra se espalha pelo Oriente Médio

O grupo atacou na madrugada deste domingo com foguetes e drones


Hezbollah ataca Israel; guerra se espalha pelo Oriente Médio Foto: Getty Images

A entrada do Hezbollah ampliou o caráter regional da guerra movida pelos Estados Unidos e Israel contra o Irã desde o sábado (28). Nesta segunda, (2), o Estado judeu prometeu "ir até o fim até remover a ameaça existencial", manteve ataques ao Líbano e reforçou sua fronteira norte, além de jurar o líder do grupo libanês de morte.

A violência escalou em todas as frentes da guerra. Houve renovados bombardeios ao Irã, que já conta 555 mortes, o Kuwait foi alvo de ataques intensos de Teerã, uma refinaria saudita teve de fechar após pegar fogo ao ser atingida e um drone iraniano atingiu uma distante base britânica no Mediterrâneo.

O presidente Donald Trump e o premiê israelense, Binyamin Netanyahu, lançaram o ataque mirando a derrubada do regime em Teerã, sob a alegação de que as negociações para evitar que os aiatolás desenvolvessem a bomba nuclear não chegaram a lugar algum.

O agravamento da guerra foi marcado pelo ataque promovido nesta madrugada (noite de domingo, (1º), pelo Hezbollah. Foram lançados foguetes e drones contar o norte de Israel, que reagiu com um amplo bombardeio em todo o território libanês, que deixou ao menos 31 mortos.

Nesta manhã, o Exército de Israel anunciou o envio de forças ao norte, mas disse descartar uma nova invasão terrestre. O país ocupou pela última vez o sul do vizinho na guerra com o Hezbollah, que apoiava outro aliado do Irã, o grupo terroista palestino Hamas, na esteira do atentado de 7 de outubro de 2023 ao Estado judeu.

O ministro Israel Katz (Defesa) disse que a nova ação do Hezbollah, que está severamente enfraquecido pelo conflito anterior, fez seu líder, Naim Qassem, "marcado para ser eliminado". Já o porta-voz militar Effie Defrin disse que a guerra contra os rivais "vai durar o quanto tiver de durar".

No domingo, Trump sugeriu que o conflito pode durar até quatro semanas se o Irã não se render. A teocracia, por sua vez, adotou uma posição de endurecimento e começou a promover a sucessão de seu líder supremo, Ali Khamenei, que foi morto no primeiro dia dos ataques com boa parte da cúpula militar do país.

Israel afirmou nesta segunda que seus ataques mataram o chefe de inteligência do Hezbollah, Hussein Makled, em Beirute. O país também alertou aos moradores da capital para saírem de perto de agências do banco Al-Qard al-Hassan, ligado ao grupo, indicando que elas serão atacadas.

O Estado judeu mobilizou 110 mil reservistas até aqui, ante o efetivo usual de 169.500 militares na ativa. Segundo um porta-voz militar, a operação em conjunto com os EUA foi planejada durante meses, e ao mesmo tempo foram "feitas extensivas preparações para desenvolvimentos em múltiplas frentes".

Ausentes até aqui da equação da guerra estão os houthis do Iêmen, aliados dos iranianos que causaram grande disrupção no tráfego marítimo mundial ao atacar embarcações no mar Vermelho em apoio ao também preposto iraniano Hamas contra Israel no conflito de 2023-2025.


AÇÕES SE MULTIPLICAM

A tensão no Oriente Médio aumenta, com sinais de escalada do conflito. No Kuwait, moradores receberam alertas para ficarem em casa após incidentes envolvendo caças americanos e um incêndio em refinaria atingida por destroços de um drone iraniano. Explosões também foram registradas em Doha, Abu Dhabi e Dubai.

O Qatar, alvo de ataques a sua infraestrutura civil e aeroporto internacional, ameaçou entrar na guerra, afirmando que "um ataque como esse não pode ficar sem retaliação", mas ainda defende solução negociada.

Na Arábia Saudita, o Irã mirou a refinaria de Ras Tanura. Drones foram abatidos, mas destroços provocaram incêndio que interrompeu a produção de 550 mil barris de petróleo por dia, elevando os preços do Brent. Confrontos navais fecharam na prática o estreito de Hormuz, por onde passa 20% da produção mundial de petróleo e gás natural liquefeito.

O conflito chegou até Chipre, onde um drone iraniano atingiu a base britânica de Akrotiri. Não houve feridos, mas a Grécia mobilizou fragatas e caças para defender a ilha. O Reino Unido, que não apoiou a guerra, permitiu o uso de suas bases para fins defensivos e protegeu suas unidades no Qatar com caças Eurofighter Typhoon.

A guerra, sem mandato internacional ou autorização do Congresso dos EUA, tem sido criticada. França e Agência Internacional de Energia Atômica afirmaram que ataques ao Irã deveriam ter sido amplamente debatidos antes de ocorrer.


IGOR GIELOW - FOLHAPRESS





COMENTÁRIOS

Buscar

Alterar Local

Anuncie Aqui

Escolha abaixo onde deseja anunciar.

Efetue o Login

Recuperar Senha

Baixe o Nosso Aplicativo!

Tenha todas as novidades na palma da sua mão.