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Carta de bispos fala em candidato 'a favor da tortura'


Carta de bispos fala em candidato 'a favor da tortura'

Uma carta produzida por mais de 40 bispos católicos do Brasil divulgada esta quinta-feira (22), sem citar o nome de Flávio Bolsonaro (PL), candidato a presidente, afirma que "o cenário é muito grave, pois uma das candidaturas é publicamente favorável à tortura, cria condições de usurpação do poder do Estado e é submissa aos Estados Unidos". 

A longa carta conta com assinatura de 47 bispos de 19 estados brasileiros. 

"O cenário é muito grave, pois uma das candidaturas ameaça frontalmente diversos pontos centrais da DSI, a existência da democracia, a soberania nacional e a prática do bem comum", continua a mensagem religiosa. 

"Um dos candidatos é filho do presidente que foi condenado e preso por atentar contra a democracia e segue suas ideias. Fez várias declarações de ameaça à ordem constitucional e, se eleito, governará com maioria absoluta no Congresso Nacional e no STF, criando as condições para uma usurpação do poder e submissão do país à sua ideologia".

"Um dos candidatos promete submissão do Brasil aos Estados Unidos (EUA), fez parte de uma conspiração para taxar produtos brasileiros, defende a intervenção estrangeira em nossas eleições e promete entregar nossas terras raras à exploração dos EUA".

"O partido de um dos candidatos sempre foi publicamente contrário aos programas sociais e de combate à pobreza, por desconhecerem as causas da miséria no Brasil, mesmo que agora o seu candidato diga que vai continuar alguns programas sociais". 

"Estão, portanto, em contradição com a evangélica opção preferencial pelos pobres, reafirmada nos principais documentos de nossa Igreja".

"A DSI propõe o desarmamento e diz que 'o enorme aumento das armas representa uma ameaça grave para a estabilidade e a paz' Um dos candidatos promete liberar o acesso amplo às armas, como fez o seu pai em seu Governo".

"Um dos candidatos é publicamente favorável à tortura e sua família fez homenagens a um dos maiores torturadores da ditadura brasileira, o general Brilhante Ustra, que matou muitas pessoas".

"A candidatura que sempre foi contra o fim da escala 6x1 e propunha pagar o salário por hora trabalhada, não reconhece a dignidade do trabalhador e poderá voltar a este tema", diz a carta. 

"Por outro lado, temos outra candidatura que, embora também esteja sujeita a críticas, sempre manifestou responsabilidade com os pobres e com a Casa Comum e atuou dentro dos limites da ordem democrática, respeitando a Constituição". 

"Gostar ou não do atual Governo não pode ser razão para entregar o país nas mãos de quem manifesta tamanha contradição com os ensinamentos de nossa Igreja".

"Diante desses e inúmeros outros elementos, não podemos nos manter neutros, a fim de que nossa consciência ou a história não nos condenem no futuro". 

"Quem se calou diante das ameaças totalitárias que se concretizaram na Europa do século XX deixou uma herança vergonhosa para as gerações seguintes.

"Conclamamos a todos os católicos para que não deixem de exercer seu direito e votem no dia2 5 de outubro, em defesa da democracia, dos valores humanitários, dos pobres e dos ensinamentos de nossa Igreja", finaliza a nota.




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