Por Djalma Luiz Benette

Eduardo Luís Vieira, presidente do Sindicato dos Médicos, lamentou a falha dos seus colegas de profissão, afirma que eles devem ser punidos, respeitando o direito de defesa, e termina sua nota sugerindo que a generalização de que todos os médicos do CHS (Conjunto Hospitalar de Sorocaba) são como os 3 apontados na reportagem é maléfica e abre a oportunidade de dirigentes insistirem na tese de que o melhor é a terceirização do serviço médico quando a Constituição determina que ela é responsabilidade do poder público.

Cortina de fumaça

Leia a íntegra do que diz o presidente do Sindicato dos Médicos:

“Como representante dos médicos eu só tenho que lamentar os episódios apresentados na reportagem exibida pelo programa Fantástico. Se confirmarem os ilícitos apresentados pelo programa, os dois médicos e o odontólogo que saíram das dependências do CHS durante o plantão, devem ser punidos, respeitando o direito à defesa. O Sindicato dos Médicos não defende práticas ilegais como esta”.

Tendo dito isso, não há como não estranhar essa matéria sensacionalista, que mancha a reputação de duas categorias muito respeitadas (médicos e dentistas). Causa tristeza e indignação em toda a sociedade.

Há que ter cuidado para que a partir de um incidente particular, evitar de se fazer generalizações.

O que é estranho é que matérias como esta apareçam em momentos em que a direção do CHS e da Secretaria do Estado da Saúde e, portanto, o governador Geraldo Alckmin, são duramente questionados por sérios problemas de gestão, falta de todos os meios e condições para que haja um atendimento digno naquele CHS. Se houvesse gestão de fato, atitudes como as apresentadas no Fantástico, que com certeza eram de conhecimento da direção, teriam sido flagradas pela própria diretoria e exemplarmente punidas antes de qualquer repórter fazer os flagrantes.

A midiatização agora desse fato, assim como ocorreu em 2011, nos parece uma cortina de fumaça para ocultar a gravíssima situação do Conjunto Hospitalar de Sorocaba.

Nada mudou

Essa não é a primeira vez que a “farra do ponto” é denunciada no CHS. Em 2011, foi descoberto um esquema em que médicos se ausentavam durante o horário de plantão. Para coibir a prática, o Hospital Regional instalou equipamentos de ponto eletrônico, mas a fraude persiste.