Sesc defende funcionária exposta em polêmica; vereador: “não me rotulem”

O Sesc Sorocaba, por meio de sua gerente-adjunta Kátia Barelli, se pronunciou no jornal da Ipanema, da Rádio Ipanema, nesta manhã de quinta-feira (27), a respeito da fala polêmica do vereador de que uma mulher trans ‘perseguiria’ mulheres cis que utilizam o banheiro feminino da unidade.

Kátia disse que a unidade não foi procurada pelo parlamentar para falar sobre o assunto e, além disso, reclamou da exposição da jovem. “Não fomos procurados para esclarecer, além da exposição desnecessária que a constrangeu muito”.

A gerente explicou que o Sesc trabalha com promoção e expressão de diversidade cultural há cerca de 10 anos oferecendo oportunidade de trabalho. “Não nos valemos de qualquer tipo de preconceito”. Ainda, defendeu a honra da funcionária supostamente exposta pelo vereador durante uso dele na tribuna. “Uma funcionária que tem o trabalho exemplar. Imagina o susto que a garota tomou quando soube que um homem na Câmara estava falando dela”.

O pastor, em sua colocação polêmica, chegou a afirmar que “fica um vagabundo no balcão e, quando vê a mulher entrar no banheiro feminino, entra, porque diz que se sente mulher”. Durante sua fala na tribuna, ocorrida em 13 de junho, o vereador inclusive criticou o Sesc e a UFSCar por “defenderem a ‘maldita ideologia de gênero'”.

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Segundo Kátia, “a funcionária foi contratada por meio de processo seletivo, merecedora. É estagiária, jovem, estudante, trabalhadora”, classificou. Ainda, pontuou haver lei que permite ao transexual usar o banheiro de acordo com sua identidade de gênero.

Com a alta repercussão do caso, a unidade chegou a ser questionada por algumas pessoas se “houve assédio no Sesc”, boato desmentido.

Para finalizar, Kátia se colocou à disposição e convidou o vereador para conhecer a unidade por meio de visita guiada.

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A vereadora Iara Bernardi (PT), também presente durante a entrevista, opinou que seria dever do parlamentar ir ao Sesc após ter recebido a denúncia. “Ele tinha como obrigação como vereador ir e conferir isso. Ele veio com história de banheiro. nós temos o conselho municipal LGBT”, declarou.

Irritado com as colocações durante o programa, Luís Santos, que já havia participado do jornal nesta quarta-feira (26), ligou para a rádio para se defender novamente. “Não concordo a maneira que vocês estão conduzindo a entrevista que eu agredi essa moça. Não citei nome de ninguém. Repliquei o que uma mãe falou”, repetiu.

“Vocês estão consolidando que eu falei mal dessa moça, estagiária. Não fiz nenhuma acusação pessoal”. Seguindo com sua alegação, voltou a denunciar que “tem pessoas que ficam lá e, quando chegam, entram no banheiro feminino”. Kátia disse que o Sesc não recebeu nenhuma denúncia nesse sentido em seus canais de comunicação.

Já no final, aparentando exaltação, Luís Santos disse: “não aceito que me rotulem de transfóbico, preconceituoso, homofóbico, isso é calúnia”.

Por fim, frisou novamente “que fique claro que não expus ninguém, não agredi ninguém, só repliquei o que a mãe me falou”.

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A polêmica

A Associação Transgêneros de Sorocaba, a Comissão da Diversidade e a Comissão da Mulher Advogada da Ordem dos Advogados do Brasil repudiaram a explanação do vereador pastor Luís Santos (Pros), na Tribuna da Câmara Municipal, no último dia 13, quando afirmara “que a Ufscar e o Sesc defendem essa maldita ideologia, que subverte tudo aquilo que é racional… A mãe veio aqui, veio aqui, e não vou dizer o nome porque vocês conhecem, ela veio aqui e disse: pastor, está havendo um problema sério lá no Sesc. Fica um vagabundo lá no balcão, vê a mulher entrar em um banheiro feminino, ele entra, e diz que ele se sente mulher, então ele vai lá (sic)”.

Luís Santos referiu-se a uma estudante transgênero de pedagogia da Ufscar que faz estágio remunerado no Sesc. Segundo o vereador, mães de pessoas que frequentam as atividades na instituição foram reclamar a ele que ela [a estagiária transgênero] utiliza o banheiro feminino, o que, para ele, “é muita falta de vergonha de uma pessoa dessa, e nós não podemos aceitar isso (sic)”.

A presidente da associação, Sarah Pedro Correa, protocolou, nesta terça-feira (25), uma representação na Comissão de Ética e Decoro Parlamentar contra o pastor, acusando-o de se utilizar de “uma expressão transfóbica caracterizada mais como uma conduta do que propriamente um discurso, não sendo cabíveis, portanto, argumentos pautados na liberdade de expressão do exercício parlamentar, visto que seu o discurso de ódio intencionou se em insultar, intimidar e assediar uma mulher trans, exclusivamente em virtude de sua pratica social, e pode ser definido como um ataque verbal enquadrado na tipificação penal de insulto do artigo 139 do Código Penal”.

Sarah pede ao presidente da Comissão, Anselmo Neto (PSDB), que se verifique uma possível quebra de decoro na fala do pastor, o que poderia ensejar uma punição, que vai desde uma advertência verbal até mesmo à cassação do mandato parlamentar.

Já a OAB, por meio de nota, diz que “discursos como esse legitimam ataques à integridade física e mental dessa parcela da população, já tão negligenciada pelo Estado, mantendo o Brasil na liderança do ranking de países que mais matam pessoas trans no mundo”.

Para a Ordem, na condição de representante do povo na Câmara Municipal, o vereador “não pode desrespeitar, publicamente, uma trabalhadora em razão de sua identidade de gênero, provocando constrangimento em seu local de trabalho. Além disso, observa-se em sua fala uma tentativa de criminalizar a existência e o convívio com pessoas transgêneros/transexuais/travestis como se, algo corriqueiro, como ir ao banheiro, fosse um ato de violência por si só”.

17 Comentários

  1. Religiosos e suas hipocrisias. Faz o oposto do ensinamento cristão que é “Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo.” Contribui para o aumento do preconceito e julga o que acha pecado no comportamento dos outros como se os seus pecados nao existissem ou fossem menores que das outras pessoas. Será que é esse tipo de atitude que Deus espera de um cristao?

  2. De novo essa putaria, onde tem PT/OAB e demais vermelhinhos envolvidos tem dessas coisas. O edil tem meu respeito.

    • Vc esta vitimizando os heteros dizendo que precisa de outro banheiro só pra trans, animal

  3. concordo com patrice Lima… todos queremos respeito, LGBTQI ou sei lá qual sigla mais irão inventar, que infelizmente eu vejo neles tristeza e revolta, que procurem seus pares já que dizem não se sentir homens ou mulheres de verdade. Tenho convivência com alguns filhos de amigas que são discretamente (como era Clodovil, discreto nunca invadiu espaço de ninguem), apesar de ve-los crescer e ficar realmente triste com a mudança gosto muito deles e nunca os desrespeitei. Somos todos iguais perante Deus ainda que muitos não acreditem, pois seremos julgados de acordo com o que fizemos ou deixamos de fazer, amar(amor ágape) o próximo só

  4. a partir do momento em que se faz necesário a existencia de termos para compreendermos uma coisa ou outra como por exemplo :”trans” , mulher , homem , feminino, masculino , gênero neutro, só pelo simples fatos de ao falarmos de cada um deles associamos a um tipo , por si só já define com que entre eles existem diferenças. Querendo ou não há diferenças. Reconhecer isso não significa que pessoas como a mocinha tenha seu carater generalizado , assim como o meu não pode ser diante de mulheres assassinas. Mas é preciso ter a lucidez que existem pessoas nessa condição que não são livres de má conduta. Eu não me incomodo de ser revistada pela policia, de entrar num banheiro que tem uma funcionária , são os ônus de uma vida em sociedade, com milhões de pessoas diferentes, que pensam de forma diferente e que agem de forma diferente. Simples assim.

  5. Seria muito simples de equacionar essa questao era so o vereador tercido ao Sesc antes de assumir sua tribuna.

  6. Por 3 votos a 2, a Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu hoje (25) negar pedido de liberdade ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

    O colegiado julgou um habeas corpus no qual a defesa de Lula pediu que fosse declarada a suspeição do então juiz Sergio Moro no julgamento do caso do tríplex no Guarujá (SP) com base nas supostas mensagens divulgadas pelo site The Intercept.

    Mais cedo, o colegiado rejeitou um outro pedido de liberdade ao ex-presidente.

  7. Luis Santos de novo? O chupa bolas de fascista? Não é ninguém esse escroto.

  8. O’pastor’ tem que discutir ideologia de gênero no templo ,o’vereador’tem que discutir leis na câmara,que ele proponha uma lei de se construir um terceiro banheiro,e não humilhar um ser humano

    • Construir um terceiro banheiro tbm é forma de preconceito e exclusão… e homofobia agora é crime!

  9. Alguém perguntou neste caso todo, como se sentem as mulheres que são parte integrante deste ocorrido? Afetar a dignidade de um segmento em decorrência de outro segmento também incomoda. Devemos pensar que estamos vivendo novas situações, que devem ser analisadas como um todo e não de forma parcial, favorecendo um determinado segmento sobrepondo a vontade de outro. Devemos respeitar a vontade de todas as partes envolvidas.

    • Justamente. Vamos ver se as defensoras dos trans conseguem ouvir as mulheres que não se sentem seguras com o trans no banheiro.

      • Ao que me parece é que usam a condição de trans como se fosse selo de garantia de caráter . Mas precisamos avaliar os fatos, as questões não de forma ideológica. Já pensaram porque banheiros sempre foram separados por sexo , entre feminino e masculino? Por SEGURANÇA, por PRIVACIDADE, por PUDOR, por HIGIENE. Sou mãe de meninos e meu filhos enquanto crianças nunca foram em banheiros masculinos por questão de SEGURANÇA, e NUNCA entraram SOZINHOS em banheiros FEMININOS sem a minha supervisão e sempre tiveram recomendações específicas diante das possiveis vezes em que precisassem usar os banheiros de escola. Logo, essa preocupação de mulheres sobre trans frequentar banheiors femininos não tem origem no puro e simples preconceito que envolve o discurso ativista. Um trans resignada ou não ainda mantem sua força muscular e pode se defender contra outro trans, assim como mulheres se defendem da mesma forma de uma mulher e homens de homens diante de um abuso no banheiro .Logo, a sociedade precisa compreender os detalhes e os tipos, e uma compreensão que tenho é que todos precisam ser respeitados e respeitar. O mais equilibrado seria um terceiro banheiro e não me venham dizer que isso é preconceito , porque um terceiro banheiro seria uma forma de atender a todos. Se um trans que se diz cidadão, respeitador de direitos quer realmente respeitar não deveria exigir frequentar banheiros femininos, deveria reconhecer sua condição “trans” e ir atrás de seu espaço sem invadir o dos outros.

    • Quem está incomodado que se retire… e não o contrário!
      Fascistas, racistas e homofóbicos não saiam de casa!

      • A LUCIANA quer tudo só para ela ,os dois banheiros e o mundo ,então Fascista ,Racista e Homofóbica é você que exclui todos

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