Dois áudios enviados ao jornalista Djalma Benette, responsável pelo blog O Deda Questão, revelaram a opinião e voto dos deputados federais Vitor Lippi (PSDB) e Jefferson Campos (PSD), a respeito do decreto para intervenção federal no Rio de Janeiro.

Ambos votaram a favor da questão. Para Lippi, os níveis de violência do Rio de Janeiro são inaceitáveis. “Não tenho dúvida que, diante de uma questão tão complexa, que tem trazido tantas mortes, medo sofrimento […]. O Rio está perdendo empresas, áreas empresariais estão abandonadas. Está perdendo também um prejuízo incalculável sob o ponto de vista econômico”, afirma. “Diante da incapacidade do Estado, a União deve atuar com firmeza para melhorar a situação”.

Já Campos revela que os parlamentares “viveram uma madrugada de muita intensidade no Congresso”. Segundo ele, a votação do decreto ocorreu por volta das 2 horas desta madrugada de terça-feira (20). “Temos acompanhado com muito espanto tudo o que tem acontecido lá. A Câmara achou por bem aprovar esse decreto que é inédito. Desde a Constituição de 1988, nunca houve uma intervenção”, contou. “O Rio tem vivido dias caóticos”, completou. Ele ainda ressaltou que houve uma intensa oposição por parte de partidos com PSOL, PT e PCdoB.

A votação

A Câmara dos Deputados aprovou, por 340 votos a 72, o decreto legislativo que autoriza a intervenção federal na área de segurança pública do estado do Rio de Janeiro. Após mais de seis horas de discussões e táticas de obstrução pelos contrários à medida, os deputados acataram o parecer da deputada Laura Carneiro (MDB-RJ) favorável à medida, anunciada pelo presidente Michel Temer na última sexta-feira (16).

Nesta terça-feira (20), o Senado deve realizar, às 18 horas, uma sessão extraordinária destinada a votar o decreto. Caso o texto que estipula a intervenção seja aprovado pela maioria simples dos senadores presentes, o Congresso Nacional poderá publicar o decreto legislativo referendando a decisão de Temer de intervir no Rio de Janeiro.

A sessão durou mais do que o comum para uma segunda-feira e adentrou a madrugada desta terça-feira, em um dia em que os parlamentares ainda estão, normalmente, retornando de seus estados. Ao longo das discussões, quatro requerimentos foram apreciados pelos deputados por meio de votação nominal, o que significa que eles tiveram que votar no painel eletrônico, e não de modo simbólico. Após orientações dos líderes, os três pedidos de adiamento da votação foram rejeitados pela maioria dos parlamentares. Já o requerimento para encerramento das discussões foi aprovado por 328 votos a 7, mesmo com a obstrução dos oposicionistas, que não deram quórum neste momento.