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Por Cida Muniz

Na oitiva da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) da ‘Tenda dos Milagres’, presidida pelo vereador Hudson Pessini (MDB) e tendo como relator o vereador Francisco França (PT), que investiga o contrato da Prefeitura de Sorocaba com a Cies Global, Ademir Watanabe, que foi secretário da Saúde, confirmou o pedido de auditoria após verificar o pagamento a exames repetidos.

Segundo Watanabe, a Cies Global não conseguiu contratar a totalidade de profissionais de Sorocaba, por isso buscou-se fazer uma parceria com a PUC (Pontifícia Universidade Católica) e até se pensou na construção de uma nova Policlínica. “Determinados contratos, acima de determinado valor, não são assinados pelo secretário e sim pelo prefeito”, disse Watanabe. O convênio inicial era de 8 milhões e depois foi reduzido para 3 milhões, uma parte porque não havia funcionários suficientes.

PROCEDIMENTOS REPETIDOS

Conforme Watanabe, o relatório feito pela Prefeitura, que apontou exames repetidos na mesma pessoa e no mesmo dia, ensejou a abertura de uma auditoria sobre o caso proposta por ele. Ele afirmou que não houve pressão para continuar com o contrato, mas se colocou contra a sua prorrogação.

O médico também destacou que o trabalho com a Cies Global era de gestão de patologia, ou seja, consulta com enfermagem, teste de glicemia e pressão arterial, entre outros.

O ex-secretário disse que esperava que a Cies Global “deslanchasse” em Sorocaba, como aconteceu em São Paulo. As ‘tendas’ também não tinham alvará de vigilância, apenas um protocolo para alvará. Watanabe afirmou que quando assumiu a pasta, as ‘tendas’ já estavam funcionando, sendo que o processo para conseguir o alvará “estava em andamento”.

Segundo o vereador Luís Santos (PROS), a Prefeitura “ficou devendo” para o Cies Global até três meses. Para Iara, “tudo foi direcionado para a Cies Global ganhar essa licitação”.
A petista criticou o colega Luís Santos, afirmando que “parecia que ele fazia papel de advogado da Cies Global, sempre defendendo o modelo”.

OUTRO LADO

O segundo a depor foi o médico Roberto Kikawa, fundador do Cies Global, que afirmou que o contrato com a Prefeitura “foi falho”, isso porque, de acordo com ele, “foi diminuído logo no início em 25%”.

A Prefeitura está cobrando o ressarcimento de 350 mil da Cies Global. Segundo a empresa, “esse valor não deve ser devolvido, porque a meta não foi atendida, pois a Prefeitura foi reduzindo o contrato ao longo do tempo”.