“Violência sexual, ameaças e agressões”, lutadoras choram ao falar sobre ex-professor

Ericka Wanessa Almeida e Ellen Wanessa Almeida / Foto: Matheus Gonçalves

As irmãs e lutadoras Ericka Wanessa Almeida e Ellen Wanessa Almeida concederam entrevista no Jornal da Ipanema, da Rádio Ipanema, nesta manhã de segunda-feira (29), e revelaram a violência sofrida por elas causadas supostamente pelo professor de luta Herman Gutierrez. Assista a entrevista na íntegra abaixo.

A entrevista teve a participação do advogado de defesa das irmãs, Luiz Antonio Barbosa.

O treinador, por meio de nota de sua assessoria, nega todas as acusações.

Lutadoras dão as mãos durante a entrevista, enquanto revelam agressões / Foto: Matheus Gonçalves

As mulheres relatam ter sido agredidas por cerca de 10 anos por Gutierrez. Atualmente, a Polícia Civil abriu inquérito para investigar a denúncia e ambas conseguiram na Justiça medida protetiva contra o lutador, que deve ficar no mínimo 100 metros de distância das duas, além de ser proibido de contatá-las por meio telefônico ou através de mensagens eletrônicas.

O caso de violência veio à tona com a entrevista das irmãs relatando o abuso, no programa Fantástico, da Rede Globo. “Enfiamos nossa cara em rede nacional. Isso acontece no Brasil, no mundo inteiro. Existem vários ‘Hermans’ – na frente das pessoas eles são simpáticos, carismáticos, políticos, pó trás, são psicopatas”, define Ericka.

Ericka Almeida chora durante entrevista / Foto: Matheus Gonçalves

Durante a entrevista, as irmãs afirmaram que a maior parte da violência física ocorria dentro do carro do professor. “Cotoveladas, chutes, mordidas e puxões de cabelo”. Segundo Ellen, as agressões aconteciam dentro do carro por ele ser insufilmado, sendo que quem estava do lado de fora não conseguia enxergar o que se passava dentro do automóvel.

Em momento de emoção, ao serem questionadas pelos apresentadores do jornal se chegaram a sofrer violência sexual, Ericka pausou a entrevista momentaneamente, chorou, e confirmou os abusos. Ellen, assim como sua irmã mais velha, também assumiu ter sido abusada.

Semana passada, Ellen compareceu à Delegacia de Defesa da Mulher junto a testemunhas para depor sobre suas agressões. Provas como o diário da vítima, que relata boa parte das agressões sofridas por ela, foram entregues à polícia. Nesta segunda-feira (29), seria a vez de Ericka depor à polícia.

Ellen Almeida durante entrevista no Jornal da Ipanema / Foto: Matheus Gonçalves

Perguntadas sobre por que demoraram para denunciar Herman Gutierrez, Ericka relatou medo do que poderia ocorrer. “Ele fazia lavagem cerebral na gente. Eu tinha medo de ele me matar, prejudicar minha família. É muito fácil questionarem ‘nossa, por que ela não saiu antes?’. A lição que tirei dessa situação é ter empatia pelas pessoas. Era lavagem cerebral que fizeram na gente. hoje faço terapia para me sentir melhor. Você vive em uma prisão dentro de sua cabeça”.

Ericka, atualmente com 30 anos, dá aulas de jiu-jitsu, faz faculdade e mora em Curitiba, no Paraná. Quando vem a Sorocaba, diz sentir-se mal ao relembrar de toda a violência que viveu na cidade, enquanto estava com Herman. A lutadora conheceu o suspeito quando tinha apenas 17 anos e começou a trabalhar para ele, quando iniciou um caso amoroso com o professor. “Ele era um ídolo para mim, um professor. No começo teve relação com carinho. A partir de um momento começou a virar opressão”, revela. Conforme a lutadora durante a entrevista, a vigilância do professor em relação a ela chegou a ponto de que ele teria se matriculado em uma universidade em Sorocaba, no mesmo curso e sala de Ericka. “Ele ficava me cutucando e me vigiando para ver se eu falava com professores”.

Advogado de defesa das irmãs, Luiz Antonio Barbosa / Foto: Matheus Gonçalves

Já Ellen mora em Sorocaba e trabalha em shopping no município. Por amar luta, ainda se encontra praticando o esporte. Seu envolvimento com Herman aconteceu aos 15 anos. “Sempre quis aprender a lutar. Virou opressão depois que as agressões começaram. Fui me desencantando. Ele começava a regular nossas roupas, não deixava sair de cabelos soltos, maquiagem. Não podíamos olhar para as pessoas”, afirmou sobre o professor.

Segundo as denunciantes, sem uma saber da outra, Herman manteve relacionamento amoroso com ambas ao mesmo tempo. “Era uma situação tão complicada, tão delicada. Não podíamos contrariar ele em momento algum. Quando perguntei se ele tinha alguma coisa com minha irmã ele brigou comigo, me bateu e fez com que eu me sentisse culpada”, disse Ericka.

Por ambas serem lutadoras, elas argumentaram que os hematomas das agressões acabavam forçadamente sendo atribuídos aos treinos de luta.

A coragem para denunciar o professor sobre as agressões surgiu após Ericka desabafar com um colega de universidade, quando ela ainda estudava em Sorocaba. Ellen relatou ter conversado com a mãe de um de seus alunos na época em que dava aulas de luta.

Por ser personalidade conhecida e influente na cidade, as mulheres relutaram em denunciá-lo , quando Ericka decidiu mudar-se para Curitiba e, após 1 ano e meio morando na capital paranaense, resolveu fazer boletim de ocorrência para pedir medida protetiva, na época, não concedida. Em Curitiba, para superar os traumas das supostas agressões, Ericka informou fazer hipnose clínica e também terapia para tentar tratar sintomas físicos de estresse.

A rede de academias em que Gutierrez trabalhava, logo após a denúncia, resolveu afastá-lo do quadro de prestador de serviços das aulas de lutas, enquanto durarem as investigações referentes aos fatos noticiados. Outro professor assumiu a coordenação de lutas.

O treinador, por meio de nota de sua assessoria, nega todas as acusações e considera ser vítima de perseguição de pessoas que querem pretendem atrapalhar a vida profissional dele. No posicionamento oficial, Gutierrez encaminhou um texto no qual rebate todas as denúncias. “Eu, Herman Gutierrez, venho através deste afirmar que nenhuma das acusações. Estou sendo perseguido por pessoas que querem acabar com minha carreira e história. Em mais de 20 anos de carreira nunca tive nenhum problema que me desabonasse. Sou cumpridor da lei e respeito o ser humano acima de tudo. Luta não significa violência. Sou contra violência, principalmente com as mulheres. Minha inocência ficará provada ao final das investigações. Estou à disposição das autoridades para esclarecimentos e vou até o fim dessa história para provar que sou inocente e uma pessoa do bem”.

1 Comentário

  1. Esse sujeito tem que pagar pelo que fez, sempre se achou o valentão do Jiu Jitsu, chamava as demais academias de TABAJARA e agora? Quem é o Tabajara?
    Conheci a Erica, gente fina foi explorada por ele onde pode.
    Cadeia nesse vagabundo.

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