Lava Jato do Rio prende 2 suspeitos de serem operadores de Dario Messer

Foto: Imagem de Arquivo/Agência Brasil

Nicola Pamplona, FOLHAPRESS

A força-tarefa da Operação Lava Jato no Rio prendeu nesta terça-feira (9) Mario Libman e seu filho Rafael Libman, suspeitos de serem operadores de Dario Messer, conhecido como “doleiro dos doleiros”, e pediu a repatriação de R$ 270 milhões da família de Messer.

Os mandados de prisão foram expedidos pela 7ª Vara Federal Criminal e são um desdobramento da Operação Câmbio, Desligo, realizada em maio de 2018, a maior da Lava Jato em número de presos.

Segundo o Ministério Público Federal do Rio, os dois mantinham esquema de lavagem de dinheiro há pelo menos oito anos.

Rafael foi casado com a filha de Messer, que está foragido. Pai e filho eram sócios das empresas Rali e Palazzo dos Artistas Empreendimentos Imobiliários, que seriam usadas para lavar dinheiro.

A Procuradoria diz que, entre 2011 e 2016, o grupo movimentou R$ 31,8 milhões por meio das empresas. Parte do dinheiro teria sido usada para pagar obras na cobertura de Messer no Leblon, zona sul do Rio.

Outros R$ 20 milhões teriam sido utilizados para comprar terrenos e construir imóveis. Três construtoras e três condomínios residenciais também teriam sido pagos por meio do esquema.

“Há evidências de que as milionárias entregas de dinheiro de Messer a Rafael por intermédio do seu pai foram fundamentais para as empresas deles alavancarem de forma totalmente desproporcional, sem lastro lícito, investindo no mercado de construção e venda de imóveis, ou seja, inserindo na economia formal produto de crime”, afirmam os procuradores.

“Essa simbiose patrimonial entre Mario e Rafael ​Libman, advinda após a união estável entre este e Denise Messer [filha de Dario], é explicada tendo em vista que Dario Messer, ao mesmo tempo em que lavaria o seu dinheiro espúrio, também garantiria que a sua filha pudesse dispor de parte dos valores que amealhou em suas atividades de líder de organização criminosa voltada à lavagem e à evasão”, completam.

O megadoleiro Messer já teve bloqueados pela Justiça obras de arte e apartamentos de luxo, além de cerca de US$ 100 milhões (R$ 380 milhões) em dinheiro e imóveis no Paraguai.

Os R$ 270 milhões que serão repatriados pertencem a Dan Wolf Messer, réu por evasão de divisas em esquema montado pela família Messer, que colaborou com a Justiça em delação premiada.

Filho de Dario, Dan é, desde 2015, o único beneficiário direto de um fundo aberto com aporte de Mordko Messer, considerado pela Procuradoria “o pioneiro da família no mercado de câmbio ilegal”.

Ele se comprometeu a devolver R$ 100 milhões em valores, obras de arte e imóveis, além de renunciar a direitos da herança do avô.

“A repatriação dos valores mantidos em contas em Bahamas, Mônaco e Nova York vem avançando e cerca de R$ 240 milhões já estão à disposição da Justiça para serem revertidos aos cofres públicos”, disse o Ministério Público.

Os valores no exterior foram depositados em 2004, mas nunca declarados às autoridades brasileiras. Além da devolução dos recursos, Dan forneceu documentos como provas dos crimes, incluindo extratos das contas estrangeiras.

Como parte do acordo, a Procuradoria pediu à Justiça que o processo contra ele por evasão de divisas seja suspenso por dois anos, mediante o cumprimento de sete horas semanais de serviços à comunidade.