Por Vanderlei Testa

Há famílias, como a da Adélia e Edgard Steffen que têm raízes tão profundas na história de Sorocaba que são comparadas as árvores que são plantadas há séculos na floresta amazônica e nunca param de crescer e florescer. Entre as cinco maiores árvores brasileiras já registradas: Sumaúma (Ceiba pentadra) é uma delas. Também é conhecida como “Telefone de Índio”.

Imagino que os índios sobem nessa árvore para se comunicar com outras tribos. É típica das matas amazônica e alcança medidas colossais, chegando a 50 metros de altura, equivalente a um prédio de 17 andares e 3 metros de diâmetro, com raízes profundas.

As raízes das famílias de Adélia Hortência Moura de Barros Steffen e Edgard Steffen são verdadeiras árvores e páginas da cultura sorocabana e principalmente de sua história de desenvolvimento. O historiador e jornalista Sergio Coelho de Oliveira já escreveu em seus livros e artigos em jornais, muitos fatos relacionados, mesmo porque os seus antepassados são de famílias amigas e com parentesco aos Prestes de Barros.

O médico Edgard Steffen é um graduado das primeiras turmas da PUCC SP, em 1954 em Sorocaba. Ele já completou e comemorou mais de 60 anos de casado com a Adélia, filha de Maria Arruda Moura de Barros e Joaquim Prestes de Barros, Eles têm quatro filhos. O Edgard Steffen Junior, Eduardo Barros Steffen, Patricia Augusta Barros Steffen e Edson Barros Steffen.

Conheço essa família Prestes de Barros e suas gerações desde a minha infância, quando nasci em casa ao lado da residência de Ida e Zézinho Prestes de Barros, ele, filho do Quinzinho de Barros e Hortência, tendo ainda como irmãos o Emerenciano, Gregório e Joaquim.

Em uma das fotos que publico neste artigo com os filhos e familiares do “seu Zézinho “ e dona Ida, encontrei na imagem, o último à esquerda da fileira de garotos, o meu irmão Darci com seus 10 anos de idade, como amigo inseparável da casa com varanda da rua Santa Maria. Isso lá na década de 40.

Edgard, além de médico pediatra é um escritor nato e, em suas palavras, brotam as sementes de sua experiência de vida e profissional pediatra competente, onde já atendeu em 65 anos de médico, milhares de crianças. Fomos companheiros no Rotary Clube e me lembro dele também desde o nascimento de meus sobrinhos há 41 anos, quando, como médico, Edgard acompanhou a infância dos gêmeos Claudio e Fernando Camargo Mathiazzi. Eu estava lá no hospital.

Já o nascimento do bebê Edgard foi dia 23 de janeiro de 1931, trazendo com o seu dom da vida a alegria ao lar de seus pais Christiano Steffen e Augusta Maria Magnusson. A Adélia, professora, estudante do Estadão e formada na Faculdade de Filosofia Ciências e Letras de Sorocaba se destacou como diretora e supervisora escolar. Seus 86 anos de vida parecem sessenta por tanta vitalidade e energia que transmite ao marido e aos filhos e amigos.

Na rede social, em sua página no Facebook tomou a iniciativa de criar uma documentação fotográfica e genealógica com as gerações da sua família, desde o final do século 18, há mais de 120 anos.

Seu irmão, o saudoso Sergio Monteiro de Barros também foi um amigo especial na minha trajetória rotariana. Destaco também a Vera e o Bayard Nóbrega de Almeida, da família de Adélia e Edgard, cujos pais e descendentes de Hortência e Quinzinho faziam com os pais do Bayard, no inicio das viagens de avião no Brasil, passeios pelas poucas cidades que tinham aeroporto para receber esse meio de transporte aéreo em turismo, como vemos na foto histórica.

“O Anjinho do Pé Torto e outras histórias” e o livro “O Picolé Milagroso, crônicas escolhidas” são dois frutos da sabedoria do escritor Edgard Steffen que a população de Sorocaba teve a alegria de receber nas estantes das livrarias para aquisição. Edgard Steffen é natural de Indaiatuba. SP, de onde veio para estudar em Sorocaba.

E se uma frase descrevesse o casal Adélia e Edgard, escolheríamos o versículo bíblico sobre alguém que se agrada dos princípios de retidão e os aplica em sua vida, como diz o salmista: “Ele há de tornar-se qual árvore plantada junto a correntes de água, que dá seu fruto na sua estação e cuja folhagem não murcha, e tudo o que ele fizer será bem sucedido.” (Salmo 1:1-3) “

Como o comparativo da árvore que fizemos no início deste artigo, afirmo que as árvores mais altas da floresta costumam crescer juntas, apoiando-se umas nas outras, com as raízes se entrelaçando, tornando-se mais resistentes e fortes. Adélia e Edgard são assim desde 23 de dezembro de 1957 quando deram o sim um ao outro, no matrimônio.

Resistiram como as árvores a temporais e são felizes com uma família que soube entrelaçar as raízes da vida no amor conjugal e familiar em uma história emocionante.

 

Vanderlei Testa é jornalista e publicitário

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