Por Vanderlei Testa

As crianças têm afinidade com animais. Em casa já tivemos, quando a nossa filha Camila era criança, coelho, tartaruga, passarinhos, galinha, cachorros e por aí afora, uma infinidade de bichinhos de estimação.

Acredito que há uma interação de amor, que só sabe compreender, quem passa por essa etapa tendo ao lado o animalzinho. Inclusive os adultos, como o Lauro Carriel e a neta Carolina, sentem na pele ao verem seu cachorrinho, como na foto que fiz no Dia dos Pais.

Aos 15 anos de idade, a poodle Cindy ficou sem condições de andar pela sua enfermidade. Tenho ido com a netinha Carolina ao pequeno parquinho de lazer onde moro. Seus sete anos não a amedronta de estar em contato com os bichinhos que aparecem a cada dia.

Uma joaninha, no entanto, é a sua alegria indescritível. Aquelas pequenas criaturas com sua cor vermelha na costa, em minúscula formação física corporal, são insistentemente procuradas pela Carolina a todo instante em meio às folhagens e árvores, grama e entorno dos pés de frutas existentes no local. E quando achada, o grito de “vô, achei uma joaninha” ecoa no espaço com uma emoção, comparada a um grande tesouro.

Na palma da mão a joaninha começa a caminhar até o braço e, na sua inocência de um ser vivo que só o Criador sabe por que a fez nascer, inicia aos olhos da criança uma página de história que jamais será esquecida.

Foi, assim, que nesta semana conheci através de mensagem de uma mãe de São Paulo e, quem sabe até com grau de parentesco com minha descendência, pois seu nome é Jovana Testa, um fato ocorrido com sua filha Luiza Baron Harada, com cinco anos de idade. Ela faz parte do vilarejo das amiguinhas das joaninhas.

Apaixonada por joaninhas, a Luiza celebrou sua festinha no dia 11 de agosto com a decoração de Joaninhas. Tudo na mesa, nos docinhos e bolo eram dedicados a essas criaturinhas delicadas e de uma beleza infantil incomparável.

Foto: A joaninha na decoração do aniversário

E como não podia faltar, a principal convidada do dia Joaninha, apareceu na festa. Uma joaninha surgiu no acaso para estar nas mãos da menina Luiza. Ela já tinha pintado suas unhas de vermelho com pontinhos pretos, para lembrar que a sua festa era totalmente dedicada à amiguinha.

É como sua mãe Jovana escreveu em um pequeno livro de lembranças entregue à filha: “qual a possibilidade de uma joaninha pousar em uma menininha com unhas também de joaninhas”? A resposta a essa indagação veio com a historinha relatada no sentimento de quem, como ninguém ama a princesinha do reino das joaninhas.

Eis a historinha da mamãe: “A Luiza gosta tanto de joaninhas que um dia resolveu homenageá-las”. Pintou suas dez pequeninas unhas como se fossem joaninhas: vermelhas com bolinhas pretas. No mesmo dia, a notícia da homenagem chegou ao pequeno vilarejo das joaninhas e se espalhou. Maria Joana, a rainha da vila, ficou tão emocionada que resolveu retribuir. Sugeriu que as interessadas em homenagear a menina, fizessem uma apresentação para o vilarejo.

Chegou o dia das apresentações. Uma colheu as flores mais perfumadas de seu jardim, outra tocou uma música com seu violino e, entre tantas outras ideias, a grande vencedora disse que levaria sua presença como forma de gratidão por Luiza a amar e respeitar tanto a natureza, assim como os animais e outros bichinhos fofos!

Ansiosa, a joaninha correu para casa preparar sua malinha. Despediu-se do pequeno vilarejo e voou com suas asinhas incansáveis até a casa da Luiza. Chegando lá, ficou encantada ao observar de longe uma menininha linda de cabelos lisos e longos, com suas unhas graciosamente pintadas como se fossem joaninhas.

Foto: Carolina e Lauro em toques de carinho com a poodle Cindy

Ela voou em volta da menina e, ao perceber que estava sendo admirada pelos grandes olhos negros da Luiza, pousou delicadamente na mãozinha da menina e pôs-se a abrir suas asinhas demonstrando felicidade e gratidão. Ao caminhar até as pontinhas dos dedos da Luiza a joaninha logo se confundiu ao desenho das unhas de Luiza e, na dúvida não se sabia quem era quem. Luiza ficou emocionada com a visita e aproveitou muito aquele instante. Consciente de que a joaninha é livre, Luiza a devolveu à natureza, abriu a palma de sua mãozinha e permitiu que a joaninha voltasse à sua casa. Voa, voa, joaninha!

“Essa história foi vivida pela minha filha Luiza que, incentivada com perguntas, conseguiu traduzir nas respostas toda a sua pureza e inocência”, diz Jovana Regina Testa.

Escrever artigos aos sábados traz além da oportunidade em relatar histórias de vida, a interação com leitores que compartilham as suas experiências de família. Mande também a sua história. vanderleitesta.ipa@gmail.com/ e ou vanderlei@vtpublicidade.com.br

 

Vanderlei Testa é jornalista e publicitário

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