11/11/2011 11h11
Áudio: Documentário sobre Clementina de Jesus é lançado hoje
Premiado no Maranhão, “Clementina
de Jesus: Rainha Quelé”, documentário dirigido pelo jornalista Werinton Kermes e Heron
Coelho, e com roteiro de Miriam Cris Carlos, será lançado em Sorocaba nesta sexta-feira
(11). O lançamento acontece às 20 horas, na Oficina Cultural Grande Otelo.
De acordo com Kermes, a escolha de Clementina
para o documentário se deveu a “dívida” que o Brasil tem com a cultura afro-brasileira.
“Todas as etnias contribuíram para o desenvolvimento do nosso país, mas com os
negros acho que existe uma dívida muito grande”.
Para o jornalista, regatar a história e a
carreira de personagens como Clementina de Jesus permite uma reflexão do papel
do negro da construção cultural do país. “Porque a Clementina, nesse caso, é
apenas uma personagem, apenas mais uma negra, uma representante [dessa cultura]”.
Nascida no interior do Rio de Janeiro, na cidade
de Valença, Clementina foi para capital ainda nova. Aos doze anos, já era
empregada doméstica, profissão que exerceu até os 50 anos de idade. Só então, com
quase 60 anos, foi descoberta pela música brasileira. “Ela mesma conta no
documentário que ela cantarolava as músicas que estavam no inconsciente dela.
Cantos de ninar, cantos de roda, que a mãe, que era lavadeira, enquanto lavava
roupa, cantava cantos afros. E isso ficou no imaginário dela”.
O cantarolar constante de Clementina não agradava.
De acordo com Kermes, as madames para quem ela prestava serviço, se incomodava
e reprimiam seu talento. “Porque ela tinha uma voz forte, pesada. E foi
justamente isso, que era um problema para as patroas, que foi o diferencial
dela”.
Rainha Quelé - Werinton Kermes conta que Clementina
transitava por várias religiões brasileiras, mas tinha uma identificação muito
forte com a entidade Rainha Quelé, da cultura afro-brasileira.
O
documentário- Após toda uma existência longe dos palcos e das mídias, talvez sem que
ela nem sequer tivesse sonhado, pelas mãos de Hermínio Bello de Carvalho veio à
tona a voz rascante, gutural, quase um grito, de Clementina de Jesus. Era uma
senhora, negra, pobre, dona de casa e empregada doméstica que passou a cantar
com João Bosco, Pixinguinha, Paulinho da Viola e abalou as estruturas musicais. Entre os entrevistados deste
documentário estão Paulinho da Viola, João Bosco, Cristina Buarque, Martinho da
Vila, Leci Brandão, Paula Lima, Monica Salmaso, Carlinhos Vergueiro.
O lançamento acontece pelo projeto CineCafé, nesta sexta-feira (11), às 20
horas, na Oficina Cultural Grande Otelo, que fica na Praça Frei Baraúna, s/n°,
no centro de Sorocaba.
Mais informações pelo telefone
(15) 3332-9933, ou pelo blog http://rainhaquele.blogspot.com/ .