Quinta-feira, 17 de Maio de 2012

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    Beleza

Andréa Martins é passista
Luciana Whitaker/Folhapress

Atualizada em: 03/02/201219h05

Depilação completa faz parte do novo padrão estético

Ipanema Online

 

A remoção total dos pelos púbicos faz parte da fantasia de Carnaval da passista Andréa Martins, 34. Ela vai sair totalmente nua, com o corpo pintado, na escola de samba Renascer de Jacarepaguá, do Rio de Janeiro.

 

Fora da época de carnaval, porém, ela não adota a depilação total. “Acho mais higiênico tirar tudo, mas normalmente deixo um pouquinho. Os homens gostam de um detalhe. Meu marido gosta”.

 

A bancária Edneusa Marques, 34, nunca tirou tudo, apesar das investidas da depiladora. “Ela sempre fala ‘vamos terminar de tirar, está na moda’. Eu não aceito, está bom assim”, diz ela, que depila só a linha do biquíni, nada mais. “Por mais que falem que é mais limpo, acho feio, fica parecendo criança”.

 

Fernando Gravz, 35, consultor jurídico, discorda. “Criança também não tem pelo na axila. A mulher depila (debaixo do braço) e não fica parecendo criança. É uma questão de estética e higiene”, afirma.

 

Defensor da causa publicamente (ele escreveu um texto em seu blog sobre o tema), Fernando é cheio de argumentos. “É mais bonito e mais funcional. Para o sexo oral é mais prático. Algumas mulheres já me disseram que aumenta o contato e dá mais prazer”. Para ele, deixar um pouquinho é até aceitável. “Não é preciso brigar por isso, mas sem nada é melhor. É uma opinião quase unânime entre os homens”.

 

Médicos ainda batem boca, mas as mulheres parecem ter resolvido a polêmica: pelos pubianos, melhor não tê-los. O resultado é que nunca como agora vaginas foram observadas tão de perto e, por que não?, acariciadas. Uma pesquisa realizada com 2.451 americanas pela Universidade de Indiana e pelo Instituto Kinsey para Estudos sobre Sexo, Gênero e Reprodução mostrou que:

 

1. Quanto mais jovens as mulheres (18 a 24 anos), maior a prevalência da remoção total ou parcial de pelos pubianos (87,7% das entrevistadas). No grupo com mais de 50 anos, 51,7% declararam não ter arrancado um só fio no mês anterior.

 

2. E em que grupo se encontraram as mulheres mais confiantes em relação a sua imagem genital? Pois é. Entre as que fizeram a depilação íntima total ou parcial.

 

3. Por fim, as “peladas” reportaram índices de satisfação sexual significantemente maior do que suas colegas “cabeludas”.

 

A mudança no padrão estético, que nos Estados Unidos aconteceu de uma década para cá, motivou a produção de vários estudos científicos. Foram migrantes brasileiras trabalhando como esteticistas que levaram a moda da depilação pubiana, praticada por aqui desde o advento do biquíni cavadão, para o outro lado do Equador.

 

Mas, mesmo na pátria das caça-pelinhos, os costumes estão mudando. As depiladoras admitem: se antes a moda era manter uma faixinha de pelos no meio (a parte que não apareceria mesmo usando biquíni), agora as meninas pedem a depilação ampla, total e irrestrita.“A maioria já pede a depilação total”, diz Maria Francisca Oliveira, do Salão Care, do Rio. “De 30 anos para menos, então, todas fazem”. Dói? “Dói sim, não vou mentir. E também custa caro - U$ 75 (ou R$ 132,00) a sessão. Por que elas então fazem? Três explicações: sexo, sexo e sexo”, afirma a depiladora paulista Reny Ryan, 58, há 35 anos vivendo em San Francisco, Costa Oeste americana. O pessoal do contra diz que se trata de mais um sintoma da clássica sujeição feminina aos homens, hoje convertidos à causa da depilação delas. Se fosse simplesmente sintoma da sujeição feminina aos homens, como explicar que, na pesquisa americana, 86% das bissexuais e 74% das lésbicas se declarem total ou parcialmente depiladas, índices em tudo semelhantes aos 80% das heterossexuais?

 

Descoberta - Para a depiladora, essas mulheres percebem uma parte do corpo que nunca antes tinham visto. “Muitas surpreendem-se com a delicadeza da pele lisa e com sua própria aparência. Saem daqui com a disposição de comprar uma calcinha sexy”, diz Reny, autora do livro “Confissões de uma Depiladora Brasileira nos Estados Unidos” .

 

Segundo a pesquisa americana, parece haver uma correlação direta entre depilação e sexo oral. Mulheres que não removem pelos pubianos relataram, em 58,7% dos casos, ter recebido sexo oral nas quatro semanas anteriores à pesquisa. O índice subia a 70,8% para as que haviam feito uma remoção parcial e chegava aos 81,6% para aquelas sem pelo nenhum.

 

A dermatologista Mônica Aribi contraindica a depilação total: “Pelos protegem a região vaginal contra a invasão de bactérias e ajudam a manter a temperatura e o pH ideais para a região”. Cresce, porém, a corrente dos médicos que acham que a depilação - hoje em dia - pode ser feita sem maiores prejuízos. “Com recursos como os sabonetes íntimos, a depilação não aumenta os riscos de infecção. Pode fazer, sim. Basta querer”, diz a ginecologista Rosa Maria Neme, diretora do Centro de Endometriose São Paulo. Entre as americanas, ainda é esmagadora a prevalência da depilação feita em casa, com a lâmina de barbear - como retratado na “Playboy” de agosto de 1995, com Adriane Galisteu no papel de raspadora e “raspadinha”.

 

Remoção com cera -Os especialistas no assunto (médicos e depiladores) afirmam que a depilação com cera oferece um conforto maior para a mulher, desde que feita em local com alto padrão de higienização, sem reciclagem da cera.

 

O ginecologista Newton Busso diz que depilações feitas com cera reciclada expõem a mulher ao risco de contrair uma foliculite, inflamação do folículo piloso: “Como a cera é aplicada em uma temperatura alta, ela provoca a abertura do folículo, expondo-o mais a contaminações por bactérias”. (Laura Capriglione, Juliana Vine e Fernanda Reis/Folhapress).

 


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Fonte: CPTEC/INPE


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