Atualizada em: 03/02/201219h05
A remoção total dos
pelos púbicos faz parte da fantasia de Carnaval da passista Andréa Martins,
34. Ela vai sair totalmente nua, com o corpo pintado, na escola de samba
Renascer de Jacarepaguá, do Rio de Janeiro.
Fora da época de
carnaval, porém, ela não adota a depilação total. “Acho mais higiênico tirar
tudo, mas normalmente deixo um pouquinho. Os homens gostam de um detalhe. Meu
marido gosta”.
A bancária Edneusa
Marques, 34, nunca tirou tudo, apesar das investidas da depiladora. “Ela sempre
fala ‘vamos terminar de tirar, está na moda’. Eu não aceito, está bom assim”,
diz ela, que depila só a linha do biquíni, nada mais. “Por mais que falem que é
mais limpo, acho feio, fica parecendo criança”.
Fernando Gravz, 35,
consultor jurídico, discorda. “Criança também não tem pelo na axila. A mulher
depila (debaixo do braço) e não fica parecendo criança. É uma questão de
estética e higiene”, afirma.
Defensor da causa publicamente (ele escreveu um
texto em seu blog sobre o tema), Fernando é cheio de argumentos. “É mais bonito
e mais funcional. Para o sexo oral é mais prático. Algumas mulheres já me disseram
que aumenta o contato e dá mais prazer”. Para ele, deixar um pouquinho é até
aceitável. “Não é preciso brigar por isso, mas sem nada é melhor. É uma opinião
quase unânime entre os homens”.
Médicos ainda batem
boca, mas as mulheres parecem ter resolvido a polêmica: pelos pubianos, melhor
não tê-los. O resultado é que nunca como agora vaginas foram observadas tão de
perto e, por que não?, acariciadas. Uma pesquisa realizada com 2.451 americanas
pela Universidade de Indiana e pelo Instituto Kinsey para Estudos sobre Sexo,
Gênero e Reprodução mostrou que:
1. Quanto mais jovens
as mulheres (18 a 24 anos), maior a prevalência da remoção total ou parcial de
pelos pubianos (87,7% das entrevistadas). No grupo com mais de 50 anos, 51,7%
declararam não ter arrancado um só fio no mês anterior.
2. E em que grupo se
encontraram as mulheres mais confiantes em relação a sua imagem genital? Pois
é. Entre as que fizeram a depilação íntima total ou parcial.
3. Por fim, as
“peladas” reportaram índices de satisfação sexual significantemente maior do
que suas colegas “cabeludas”.
A mudança no padrão
estético, que nos Estados Unidos aconteceu de uma década para cá, motivou a
produção de vários estudos científicos. Foram migrantes brasileiras trabalhando
como esteticistas que levaram a moda da depilação pubiana, praticada por aqui
desde o advento do biquíni cavadão, para o outro lado do Equador.
Mas, mesmo na
pátria das caça-pelinhos, os costumes estão mudando. As depiladoras admitem: se
antes a moda era manter uma faixinha de pelos no meio (a parte que não
apareceria mesmo usando biquíni), agora as meninas pedem a depilação ampla,
total e irrestrita.“A maioria já pede a depilação total”, diz Maria Francisca
Oliveira, do Salão Care, do Rio. “De 30 anos para menos, então, todas fazem”.
Dói? “Dói sim, não vou mentir. E também custa caro - U$ 75 (ou R$ 132,00) a
sessão. Por que elas então fazem? Três explicações: sexo, sexo e sexo”, afirma
a depiladora paulista Reny Ryan, 58, há 35 anos vivendo em San Francisco, Costa
Oeste americana. O pessoal do contra diz que se trata de mais um sintoma da
clássica sujeição feminina aos homens, hoje convertidos à causa da depilação
delas. Se fosse simplesmente sintoma da sujeição feminina aos homens, como
explicar que, na pesquisa americana, 86% das bissexuais e 74% das lésbicas se
declarem total ou parcialmente depiladas, índices em tudo semelhantes aos 80%
das heterossexuais?
Descoberta - Para a depiladora,
essas mulheres percebem uma parte do corpo que nunca antes tinham visto. “Muitas
surpreendem-se com a delicadeza da pele lisa e com sua própria aparência. Saem
daqui com a disposição de comprar uma calcinha sexy”, diz Reny, autora do livro
“Confissões de uma Depiladora Brasileira nos Estados Unidos” .
Segundo a pesquisa
americana, parece haver uma correlação direta entre depilação e sexo oral.
Mulheres que não removem pelos pubianos relataram, em 58,7% dos casos, ter
recebido sexo oral nas quatro semanas anteriores à pesquisa. O índice subia a
70,8% para as que haviam feito uma remoção parcial e chegava aos 81,6% para
aquelas sem pelo nenhum.
A dermatologista
Mônica Aribi contraindica a depilação total: “Pelos protegem a região vaginal
contra a invasão de bactérias e ajudam a manter a temperatura e o pH ideais
para a região”. Cresce, porém, a corrente dos médicos que acham que a depilação
- hoje em dia - pode ser feita sem maiores prejuízos. “Com recursos como os
sabonetes íntimos, a depilação não aumenta os riscos de infecção. Pode fazer,
sim. Basta querer”, diz a ginecologista Rosa Maria Neme, diretora do Centro de
Endometriose São Paulo. Entre as americanas, ainda é esmagadora a prevalência
da depilação feita em casa, com a lâmina de barbear - como retratado na
“Playboy” de agosto de 1995, com Adriane Galisteu no papel de raspadora e
“raspadinha”.
Remoção com cera -Os especialistas
no assunto (médicos e depiladores) afirmam que a depilação com cera oferece um
conforto maior para a mulher, desde que feita em local com alto padrão de
higienização, sem reciclagem da cera.
O ginecologista
Newton Busso diz que depilações feitas com cera reciclada expõem a mulher ao
risco de contrair uma foliculite, inflamação do folículo piloso: “Como a cera é
aplicada em uma temperatura alta, ela provoca a abertura do folículo, expondo-o
mais a contaminações por bactérias”. (Laura Capriglione, Juliana Vine e Fernanda
Reis/Folhapress).