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Um a cada cinco mortos pela Covid-19 em SP tem menos de 60 anos

Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil
Postado em: 21/04/2020

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FOLHAPRESS

A maior parte dos mortos pela Covid-19, doença provocada pelo novo coronavírus, é idoso. No entanto, o número de mortos abaixo dessa faixa etária não é desprezível: em São Paulo, uma a cada cinco vítimas tem menos de 60 anos.


Das 1.037 mortes confirmadas no estado, 226 tem até 59 anos, o equivalente a 22% dos casos.


Quase todos estão no grupo de risco não só por serem idosos mas também por terem alguma comorbidade. Cardiopatia é a mais comum, que aflige 62% do total de mortos em SP, seguida de diabetes, com 43% dos casos, de acordo com balanço da gestão João Doria (PSDB).


Embora a maioria dos mais jovens se recupere, a faixa etária com mais infecções confirmadas pelo novo coronavírus é daqueles entre 30 e 39 anos.


"Ser jovem não é garantia de que não vai acontecer nada grave", diz a infectologista Raquel Stucchi, professora da Faculdade de Medicina da Unicamp.


"Jovens também podem adoecer e, embora haja bem menos chance, podem ter alguma forma grave da doença, mesmo sem comorbidades. Mas, por enquanto, o papel principal deles é de portar e disseminar o vírus, por isso é importante que todos se previnam", afirma.


Entre as explicações para a alta parcela de jovens infectados pode estar o alto número de profissionais da saúde com o vírus e o fato de os mais novos circularem mais, diz ela.


Nesta segunda (20), 6.032 pessoas estavam internadas no estado em leitos de UTI ou enfermarias em SP.


O estado de São Paulo é o epicentro do novo coronavírus no país, com mais de 40% das mortes registradas no país -que até esta segunda somava 2.575 óbitos.


O estado tem 14.580 infecções confirmadas -número que saltou cinco vezes desde primeiro de abril, quando eram 2.981 casos. No país, são 40.581. Mais de 14 mil pessoas já se curaram, segundo boletim do Ministério da Saúde.


Estima-se, no entanto, que o total de infecções pelo novo vírus seja até sete vezes maior, uma vez que não há testes suficientes e apenas casos graves estão sendo examinados na maior parte do país.


Além disso, há um atraso no sistema de notificações e por vezes o número de infectados que o estado divulga não corresponde ao da cidade.


Em SP, um caso expressivo é o da cidade de Barueri, na região metropolitana da capital. Enquanto o estado diz que há 120 infecções confirmadas e cinco mortes, a cidade soma 420 casos e 18 mortes confirmadas. Levantamento feito pela Folha na última semana constatou uma diferença de mais de 1.000 casos confirmados e mais de 100 mortes até 15 de abril.


Oficialmente, os casos já atingem 233 municípios do estado, e em 95 deles há pelo menos uma vítima fatal, segundo a contagem do governo.


A capital paulista tem 847 mortes confirmadas, segundo boletim da prefeitura desta segunda, mas investiga outras 1.332, o que pode elevar o total da cidade para 2.179 mortes. São 10.624 casos confirmados, além de outras 41.215 suspeitas.

 

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