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"Star Wars: A Ascensão Skywalker" renega filme anterior e entrega fim de saga preguiçoso

Divulgação
Postado em: 13/01/2020

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Erick Rodrigues

A ideia de seguir com a saga criada pelo diretor George Lucas nunca foi uma unanimidade, especialmente para os fãs ardorosos, mas o fato é que "Star Wars" ganhou três novos filmes nos últimos quatro anos, que prometiam expandir o universo construído até então e faturar mais com ele, é claro. Com o lançamento de "A Ascensão Skywalker", o nono episódio, é possível dizer que a trilogia mais recente foi irregular, formada por grande momentos e oportunidades perdidas.

Vindo de uma retomada satisfatória em "O Despertar da Força", que seguia o espírito dos filmes anteriores, "Star Wars" ganhou um corajoso episódio em "Os Últimos Jedi", que introduziu um olhar ousado para a franquia e, por conta disso, desagradou muitos fãs das caraterísticas tradicionais da saga. Vendo agora "A Ascensão Skywalker", foi possível perceber que os produtores deram vários passos para trás, talvez tentando agradar um número maior de pessoas. O resultado dessa escolha é um desfecho preguiçoso, que ignora completamente o longa anterior.

"A Ascensão Skywalker" começa com Kylo Ren (Adam Driver) seguindo pistas que levam ao imperador Palpatine (Ian McDiarmid), que todos pensavam ter sido derrotado com o fim do Império. Abrigado em uma espécie de exílio, esperando a oportunidade ideal para retomar o comando da galáxia, Palpatine faz um acordo com o Líder Supremo da Primeira Ordem para capturar e eliminar Rey (Daisy Ridley), a esperança da Resistência.

Aproveitando-se da ligação que tem com a jedi em treinamento, Kylo Ren persegue Rey pela galáxia e tenta impedir que ela consiga a localização de Palpatine, a essa altura uma ameaça já conhecida e temida pelos rebeldes. Orientada por Leia (Carrie Fisher), a protagonista revisita referências à batalha contra o Império para tentar impedir que o imperador retome o controle.

Para quem, como eu, gostou muito da abordagem do diretor e roteirista Rian Johnson em "Os Últimos Jedi", a mudança de estilo em "A Ascensão Skywalker" causa certo incômodo. Fica claro que a alteração brusca na narrativa e até na estética condizem com o desejo de J. J. Abrams de percorrer caminhos mais seguros para tentar agradar mais os fãs barulhentos da saga.

O nono episódio de "Star Wars" abandona completamente a história do longa anterior, que foi capaz de movimentar e enriquecer um universo consolidado. Depois de mostrar "o lado cinza da Força", através das hesitações e fraquezas de um Luke Skywalker (Mark Hamill) em crise com o papel de herói, o roteiro de "A Ascensão Skywalker" volta ao tradicional maniqueísmo da saga, claramente definindo os personagens por características menos ambíguas. Isso fica muito evidente em um diálogo entre Rey e Luke, em que o jedi enterra e até ironiza "Os Últimos Jedi" e, também, na forma como a protagonista encara as tentações do Lado Sombrio.

"A Ascensão Skywalker" também regride a história sobre a origem de Rey, deixando de lado o conceito de que as grandes esperanças e disputas pelo poder nem sempre ficam restritas às nobres linhagens familiares. Não convém entrar em detalhes, para não estragar a diversão de ninguém, mas o filme rejeita a ideia de Rey ter vindo de uma família considerada comum. Ainda que eu consiga entender que a base de "Star Wars" sempre foi construída a partir de questões familiares, ver a abordagem anterior abandonada deixa o filme menos interessante.

O roteiro erra, ainda, na retratação da volta do imperador Palpatine, que parece incoerente e até desnecessária. Se já havia o planejamento de fazer o vilão retornar, essa trama deveria, de alguma forma, ter sido trabalhada desde "O Despertar da Força", mas, da maneira que foi feita, deixa a sensação de ter sido "jogada" ali como um recurso preguiçoso para agradar e forçar uma ligação maior com as referências das outras trilogias.

A narrativa de "A Ascensão Skywalker", da busca de Rey até a batalha final, segue uma estrutura previsível e que chega a entediar. É preciso reconhecer, no entanto, que o filme tem a inteligência de criar alguns momentos, especialmente na grande luta entre os rebeldes e o exército de Palpatine, que pegam o espectador em cheio, apelando a elementos eficientes e comuns à saga, como a construção de personagens carismáticos e o uso da imponente trilha sonora de John Williams.

Beneficiando-se das principais bases de sustentação da franquia, "Star Wars: A Ascensão Skywalker" não pode ser considerado um entretenimento ruim, mas deixa muito a desejar como encerramento de um ciclo. Preguiçosa, a história renega totalmente "Os Últimos Jedi", deixando a coragem de lado em nome de uma tentativa de agradar mais. Essa investida para emplacar um desfecho confortável acabou, no entanto, criando um fim de saga desinteressante e facilmente esquecível.

 

STAR WARS: A ASCENSÃO SKYWALKER

COTAÇÃO: ★★ (regular)

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