Trump oferece ajuda ao Brasil para impedir queimadas

Foto: Isac Nóbrega/PR

Talita Fernandes, Ricardo Della Coletta e Marina Dias, FOLHAPRESS

Pressionado por governos europeus por causa das queimadas na Amazônia, o governo do presidente Jair Bolsonaro (PSL) mantém conversas com os EUA e Israel sobre a possibilidade de os dois países aliados auxiliarem no combate aos incêndios na região Amazônia.

No início da noite desta sexta (23), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, telefonou a Bolsonaro, escreveu em suas redes sociais sobre o tema –sua primeira manifestação a esse respeito– e ofereceu ajuda para combater os focos de queimada.

“Acabei de falar com o presidente Jair Bolsonaro (…) Disse que se os EUA puderem ajudar com os incêndios na Floresta Amazônica, estamos prontos para dar assistência”, escreveu, afirmando ainda que os prospectos para a relação comercial entre os dois países são “muito animadores”.

O tuíte de Trump é um claro contraponto às críticas do presidente da França, Emmanuel Macron, que foi às redes sociais falar que as queimadas são uma “crise global” e convocar uma reunião de emergência a respeito da Amazônia na cúpula do G7 neste fim de semana, à qual Trump estará presente. A menção a comércio faz parte da resposta, já que Macron ameaça barrar o acordo comercial entre Mercosul e União Europeia.

De acordo com relatos feitos à reportagem, estudos estão sendo feitos para definir qual poderia ser a atuação desses países.

Neste momento, israelenses e americanos, por sua vez, estão dedicados a entender qual o tamanho do problema enfrentado pelo Brasil e se eles teriam condições de enviar tecnologia e pessoal para a região amazônica.

Um apoio dos dois países na contenção das queimadas ainda é visto como uma possibilidade, mas seria um gesto importante para tentar mostrar que o país não está isolado internacionalmente na questão.

Em tom semelhante ao adotado por Bolsonaro na véspera, o ministro-chefe da Secretaria de Governo, general Luiz Ramos, escreveu em redes sociais nesta sexta-feira (23) que o Brasil não precisa de discursos e defendeu ajuda prática, citando Israel como exemplo.

“A Amazônia brasileira é de responsabilidade do Brasil e do seu povo!! Não precisamos de discursos, de cunho intervencionista e sim de atitudes práticas de países que querem ajudar!! O recente exemplo de Israel em Brumadinho, diz muito mais do que palavras sem efeito prático!!”, escreveu.

O governo Bolsonaro tem afirmado que não precisa do dinheiro de países como Alemanha e Noruega, que recentemente suspenderam repasses de verbas para o Brasil pelo aumento do desmatamento.

Na semana passada, o presidente sugeriu que a Noruega envie para o reflorestamento da Alemanha o montante que não será mais enviado para o Fundo Amazônia.

O país nórdico anunciou suspensão do repasse de cerca de R$ 133 milhões. Segundo ele, o Brasil está quebrando o acordo para redução do desmatamento.

A Noruega seguiu a decisão da Alemanha que, no sábado (10), também informou que suspenderá parte do financiamento de proteção ambiental para o Brasil. No mesmo tom adotado contra a Noruega, Bolsonaro sugeriu que a Alemanha refloreste seu próprio país. Pelo aumento no desmatamento, a Alemanha anunciou ainda que vai suspender mais de R$ 150 milhões.

As discussões sobre possível ajuda de Israel e EUA ocorrem num momento em que os europeus, liderados pelo presidente francês, Emmanuel Macron, pretendem levar o debate sobre preservação da Amazônia à reunião do G7, fórum do qual o Brasil não faz parte.

O eventual engajamento americano e israelense no combate às queimadas e no monitoramento de áreas de risco fortaleceriam o discurso do Planalto de que os incêndios são mais um fenômeno natural recorrente nesta época do ano do que efeito colateral de uma suposta política ambiental negligente. Por isso, o ensaio de tratativas com os Estados Unidos e Israel.

Em publicação nas redes sociais na quinta-feira (22), Macron disse que os incêndios configuram uma crise internacional. O discurso dele foi endossado por líderes como a premiê alemã, Angela Merkel, e o o primeiro-ministro do Canadá, Justin Trudeau.