Foto: GCM/Divulgação

Por Gabriel Bitencourt

Na quarta-feira, dia 4 do corrente mês, uma operação policial apreendeu, entre objetos oriundos de contrabando, 14 gaiolas nas quais, em estado precário de higiene, se encontravam 17 aves silvestres.

Este fato aconteceu em Sorocaba, São Paulo.

Eram cinco Papagaios, quatro Sabiás, dois Canários-belgas, dois Canários-da-terra, um Chupim, um Pintassilgo, um Galo-da-campina e um Azulão.

Em poucos instantes a notícia ganhou grande espaço nas redes sociais, não propriamente pela apreensão em si, mas por conta do zoológico de Sorocaba se recusar a recebê-las, sic.
As aves, posteriormente, foram encaminhadas ao Centro de Triagem de Animais Silvestres, em Lorena, no Vale do Paraíba, a 260 Km de distância de Sorocaba.

Nas redes sociais, algumas pessoas, em favor da atitude do zoológico, argumentavam que este não era o papel daquela instituição e que o zoo estava certo em não receber os animais.

E não é mesmo!

Bem, mas vamos ao cerne deste artigo.

Comecemos pela pergunta: se esta não é a função do zoológico, porque os órgãos policiais envolvidos, em especial a Patrulha Ambiental, levaram aqueles animais para lá?

Outra pergunta a ela se soma e complementa: por que as pessoas que de alguma forma se deparam com animais silvestres resgatados ou feridos os encaminham para lá?

Respondo.

A confusão se dá por responsabilidade das próprias pessoas envolvidas ideologicamente na defesa do atual modelo daquela instituição.

Sabendo do desgaste crescente na opinião pública sobre os zoológicos que centram sua função no entretenimento público a partir de animais enjaulados, elas buscam uma forma simpática e palatável de defendê-los, afirmando que o zoológico é importante em pesquisas, na conservação de espécies de animais e no recebimento de animais apreendidos.

Exemplo disso ocorreu na coluna do jornalista Djalma Luiz Benetti, chamada “O Deda Questão”, quando participamos em momentos diferentes, este colunista e o ex-diretor do zoológico de Sorocaba, Roni Puglia, debatendo nossos diferentes entendimentos sobre o papel dos zoológicos.

Já nos primeiros minutos de sua entrevista ele defendeu a importância do zoológico, especialmente, por ele poder receber (sic) os animais apreendidos pela polícia.

Toda esta situação justifica a proposta que irei, ao final, fazer e, para melhor alicerça-la, cito dois outros fatos relevantes:

1. Nos idos de 2016, realizamos quatro reuniões com secretários municipais de meio ambiente da Região Metropolitana de Sorocaba com a finalidade de identificar os principais problemas comuns enfrentados. O consenso foi sobre a ausência de um Centro de Triagem de Animais Silvestres, o CETAS, na região.

2. Um representante da Polícia Ambiental, com a finalidade de contribuir com a tese, deu seu testemunho sobre o quão é inadequado levar animais silvestres em veículos não adaptados, muitas vezes sem ar condicionado, a uma distância de quase 300Km.

Por tudo isso é que concluo: sob os paradigmas dos novos tempos, é passada a hora do município de Sorocaba repensar o papel do seu zoológico.

É igualmente fundamental e urgente que a Região Metropolitana de Sorocaba, de forma consorciada com o governo do Estado – como foi proposto nas referidas reuniões -, invista na construção e manutenção de um Centro de Triagem de Animais Silvestres.