Foto: Reprodução Facebook

Por Gabriel Bitencourt 

Em janeiro deste ano, durante a realização do Fórum Econômico Mundial,
foi divulgado um preocupante relatório dando conta de que, se a
utilização de plásticos se mantiver nos atuais patamares, em 2050 os
oceanos terão, em peso, mais plásticos do que peixes.

Quando estes dados saem da boca de ambientalistas ou de estudos
acadêmicos, claro, já é motivo de preocupação, mas quando sai de um
fórum econômico da envergadura daquele, no qual se reúnem os
principais chefes de Estado do mundo, aí, o peso da informação se
robustece. Normalmente, nestes encontros se conflitam os interesses
econômicos com os socioambientais. Eles de um lado (o econômico) e
ambientalistas do outro. É isto que nos dá a dimensão da gravidade da
situação: até eles preocupados com este problema!

E a situação é extremamente grave, mesmo!

Uma simples e rápida busca através do Google é capaz de nos mostrar o
tamanho deste problema.

Aqui vão alguns dados que ilustram a situação:

  • Cientistas de universidades dos Estados Unidos da América, França,
    Chile, Austrália e Nova Zelândia realizaram pesquisas que
    concluíram que há 5,25 trilhões de pedaços de plástico flutuando
    nos oceanos. Essa quantidade enorme de plástico pesa
    aproximadamente, 270 mil toneladas. A maior parte destes plásticos tem dimensão inferior a 5 mm o que faz com que acabem sendo digeridos por diversos animais marinhos e migrem através da cadeia alimentar para espécies maiores.
  • Na região oceânica denominada “Giro do Pacífico Norte”, para onde
    confluem quatro grandes correntes marítimas, existe uma
    verdadeira lixeira de material boiando. É uma situação
    estarrecedora! Estima-se, que seu tamanho já se aproxima de 680
    mil quilômetros quadrados, o equivalente aos territórios de Minas
    Gerais, Rio de Janeiro e Espírito Santo – e não para de crescer.
  • Estudos publicados na revista Science revelam que desde 1950 os seres humanos produziram mais de 8 bilhões de toneladas de plástico, sendo que mais da metade deles foi produzida nos últimos dez anos.
  • Apesar do grande potencial de reciclagem da matéria plástica, do montante de plástico produzido em 2015, 75%, ou seja, 6,3 bilhões de toneladas de plástico foram jogados fora. Apenas 9% foram reciclados e 12% incinerados.

É claro que o plástico veio resolver muitos problemas enfrentados pela
sociedade moderna. Por exemplo, no campo da medicina, os plásticos
descartáveis cumprem um papel fundamental. Em muitos outros usos,
porém, eles podem ser substituídos por produtos duráveis, como os
vasilhames de bebidas ou as sacolinhas de supermercados.

Valem as ações individuais, mas as atitudes de maior repercussão
ambiental têm que ser tomadas pelos governos.

Esperemos que o alerta de Davos produza efeitos om atitudes práticas
entre os países participantes, mas, façamos nós também, individualmente,
a nossa parte.

Para saber mais:

– Relatório divulgado pelo Fórum Econômico Mundial refere que, se o
nível de utilização dos plásticos a nível mundial se mantiver, em 2050 os
oceanos vão ter mais plástico do que peixe, em peso – http://observador.pt/2016/01/19/plastico-do- peixe-nos- oceanos-2050/

– Desde 1950, os humanos produziram 8,3 bilhões de toneladas de
matéria plástica – https://revistagalileu.globo.com/Ciencia/noticia/2017/07/humanos-produziram-83-bilhoes-de-toneladas-de-plastico-desde-1950.html

– Os graves problemas ambientais produzidos pelos plásticos – https://revistagalileu.globo.com/Ciencia/noticia/2018/02/para-alem-da-discussao-do-glitter-plastico-e-problema-no-ano-inteiro.html

– Os oceanos estão virando plástico – https://www.ecycle.com.br/component/content/article/35/1259-os-
oceanos-estao- virando-plastico.html