Brasileiros vendem muamba em Moscou para bancar viagem

Torcedores do Brasil no Nikol Skaya Plaza em Moscou, na Rússia, na véspera da abertura da Copa do Mundo de 2018, que acontece nesta quinta-feira, 14. Foto: Thiago Bernardes/FramePhoto/Folhapress

Luiza Oliveira, FOLHAPRESS

“Atenção, camisa do Neymar são 2 mil rublos. Tá acabando!” De longe, ouve-se um grito em português com o anúncio inusitado. Basta esticar a cabeça sobre o amontoado de clientes para ver que dois bancos improvisados nos arredores da Praça Vermelha, um dos principais pontos turísticos de Moscou, mais parecem uma barraquinha da rua 25 de Março, em São Paulo. Os assentos e os encostos estão tomados por camisas da seleção brasileira, chapéus, bandeiras e cachecóis em verde e amarelo.

Uma camisa em especial faz ainda mais sucesso. Não à toa é a mais cara. Estampa a frase “Deus perdoe essas pessoas ruins”, escrita à mão, no melhor estilo Adriano Imperador raiz. A iguaria custa R$ 3 mil rublos, uma bagatela de nada menos que R$ 176.

A que tem o nome de Neymar escrito no alfabeto cirílico também não fica atrás. Custa 2 mil rublos e já vendeu igual água. Só restam dez para acabar o estoque. Quer dizer, agora nove porque uma gaúcha acabou de ser convencida a levar uma baby look que fica linda justinha no corpo, segundo o vendedor.

O dono do negócio, Rodrigo Fonseca, mostra que, além de bom de lábia, é esperto. Ele tinha o sonho de viajar até a Rússia para ver a seleção brasileira em campo. Mas sabia que o desejo era para poucos. Usou sua criatividade e (por que não?) o tino empreendedor. Parcelou a passagem em dez vezes e se mandou para a Rússia com dois amigos, sem hotel. Já em Moscou, se virou e fechou um albergue com os amigos.

Os três, que são camelôs em Belo Horizonte, foram ao Shopping Oiapoque, famoso pelo comércio popular na capital mineira, e fizeram a feira. Compraram várias bugingangas e camisas da seleção por uma bagatela de R$ 10 -agora vendem por R$ 117 e estão fazendo o negócio bombar. Dizem não saber quanto já ganharam, mas a meta é atingir 50 mil rublos para ajudar a arcar com os custos da viagem.

‘Nós compramos 40 camisas, está vendendo bem demais. Agora faltam menos de dez. E já estamos trabalhando com exportação. Está chegando mais um lote de 50 camisas que um amigo vai trazer. Já estamos pensando até em esticar a viagem para Paris e ao Leste Europeu”, brinca Rodrigo.

Questionado se uma possível fiscalização russa preocupa, ele minimiza. “Fiscalização? Brasileiro aqui é rei! E é por causa do Brics”, afirma o outro camelô, entendido de economia, sobre o grupo de cooperação política, econômica e financeira entre Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul.

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