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Nesta semana, DIVS traz uma entrevista para lá de especial, com Elaine Santos, consultora de relacionamentos, palestrante e proprietária da loja de produtos sensuais Gavetas Secretas.

Nesta entrevista, Elaine aborda diversas questões que fazem parte dos relacionamentos de hoje em dia, uma verdadeira aula!

Aproveitem!

Quem é Elaine Santos?

R: Sou consultora de Negócios das Gavetas Secretas, trabalho com produtos sensuais e dentro desse contexto, ministro palestras e realizo exposições em empresas de pequeno e grande porte.

Tenho 53 anos, sou casada há 27 anos com Milton, tenho um filho maravilhoso de 21 anos que é o Danilo e uma estrelinha no céu que é a Sofia.

Sou formada em Ciências Humanas, fiz curso de extensão universitária na PUC-COGEAE onde estudei as Teorias de Lev Vygotsky, como gosto muito de “gente”, participei de diversos cursos, entre eles Neolinguística, Grafologia, Análise Transacional, Libras (Língua Brasileira de Sinais) e atualmente faço Pós em Psicanálise na ANEP.

Atualmente as relações estão mais descartáveis. Parece que ao primeiro obstáculo tanto homem quanto mulher já não estão mais dispostos a investir no relacionamento, prova disso é o aumento crescente do número de divórcios. Em sua opinião, por que isso vem acontecendo?

R: Eu não acredito em relações descartáveis, embora muitos normalmente utilizem essa nomenclatura, porque as relações são intangíveis portanto não daria para descartar, jogar fora, porém acredito sim que estamos vivendo um novo momento, um momento de mudança, onde as pessoas estão em busca da sua FELICIDADE e de sua PAZ INTERIOR.

Nos relacionamentos duradouros será que os casais são realmente felizes? Ou apenas permanecem juntos por imposição da sociedade, família, religião, por não ter outra opção, por não ter condição financeira no momento ou até mesmo por não ter coragem de tomar a decisão de partir e recomeçar uma nova vida?

Em 1998 Martha Medeiros (jornalista, escritora, aforista e poetisa brasileira) escreveu “Promessas Matrimoniais”, que é um texto muito interessante, e acredito que nos vai valer a pena ler ou reler novamente, por continuar sendo tão atual.

O texto afirmava que achava bonito o ritual do casamento na igreja, com seus vestidos brancos e tapetes vermelhos, mas que a única coisa que lhe desagradava era o sermão do padre, como segue:

– “Promete ser fiel na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, amando-lhe e respeitando-lhe até que a morte os separe?” Acho simplista e um pouco fora da realidade.

Dou aqui novas sugestões de sermões:

– Promete não deixar a paixão fazer de você uma pessoa controladora, e sim respeitar a individualidade do seu amado, lembrando sempre que ele não pertence a você e que está ao seu lado por livre e espontânea vontade?

– Promete saber ser amiga e ser amante, sabendo exatamente quando devem entrar em cena uma e outra, sem que isso lhe transforme numa pessoa de dupla identidade ou numa pessoa menos romântica?

– Promete fazer da passagem dos anos uma via de amadurecimento e não uma via de cobranças por sonhos idealizados que não chegaram a se concretizar?

– Promete sentir prazer de estar com a pessoa que você escolheu e ser feliz ao lado dela pelo simples fato de ela ser a pessoa que melhor conhece você e, portanto, a mais bem preparada para lhe ajudar, assim como você a ela?

– Promete se deixar conhecer?

– Promete que seguirá sendo uma pessoa gentil, carinhosa e educada, que não usará a rotina como desculpa para sua falta de humor?

– Promete que fará sexo sem pudores, que fará filhos por amor e por vontade, e não porque é o que esperam de você, e que os educará para serem independentes e bem informados sobre a realidade que os aguarda?

– Promete que não falará mal da pessoa com quem casou só para arrancar risadas dos outros?

– Promete que a palavra liberdade seguirá tendo a mesma importância que sempre teve na sua vida, que você saberá responsabilizar-se por si mesmo sem ficar escravizado pelo outro e que saberá lidar com sua própria solidão, que casamento algum elimina?

– Promete que será tão você mesmo quanto era minutos antes de entrar na igreja?

“Sendo assim, declaro-os muito mais que marido e mulher: declara-os maduros.”

Então essa é a realidade, se o casal conseguir manter o RESPEITO e o COMPANHEIRISMO no casamento, o AMOR e a vontade de permanecerem juntos serão a consequência, ou seja, permanecerão vivos e intensos, mas quem está disposto (a) a isso???

De que forma as redes sociais influenciam para que os relacionamentos de hoje sejam mais descartáveis?

R: Esse é um assunto muito delicado, pois não temos como virarmos as costas para as redes sociais, hoje elas estão inseridas em nosso contexto de vida e por sinal muito nos auxilia, no âmbito dos estudos, profissional, pessoal, aos idosos (que hoje também buscam preencher seu tempo livre) acessando jornais, jogos e até mantendo contato com seus familiares, também nos dão uma certa tranquilidade quando nossos filhos se ausentam de casa, pois geralmente conseguimos nos comunicar com eles sempre que necessário. Mas também não podemos negar que facilitou a entrada de um número maior de fotos/vídeos sensuais e até mesmo pornográficos para dentro dos lares, pois antigamente os mesmos eram vistos apenas em revistas especializadas no assunto, onde um amigo comprava e repassava aos demais, ou seja, não ficava presente por muito tempo na vida dos casais, portanto raramente esse assunto era motivo para desentendimento entre marido e mulher.

E também atualmente qualquer pessoa que desejar, tem acesso fácil aos sites de relacionamentos, o que facilita muito os envolvimentos extraconjugais e ao ser descoberto pelo companheiro (a), acabam em separação e divórcio, pois o elo da corrente da confiança se rompe nesse momento. Ainda que não haja contato físico, a traição cometida pela internet pode ser tão devastadora quanto a real.

Os relacionamentos, são muito vulneráveis aos efeitos das redes sociais, sempre conhecemos alguém ou um amigo (a), que já discutiu ou chegou até separar-se de seu parceiro (a) por um comentário, uma foto ou uma conversa virtual, que foi pega em um momento de descuido do outro.

Porém volto a dizer, que se o relacionamento do casal tiver como alicerce o RESPEITO e o COMPANHEIRISMO, esse tipo de situação não terá chance de acontecer, pois por qual motivo você terá interesse em procurar outra pessoa, se a que está ao seu lado já lhe completa por inteiro (a) e lhe faz feliz.

As pessoas, principalmente as mulheres, reclamam muito que estão muito sozinhas, que não existem homens que queiram se comprometer e assumir uma relação verdadeira. Pelo o que você vê hoje em dia, é verdade que os homens tem muita oferta e por isso as mulheres tem dificuldade de encontrar alguém que valha a pena?

R: Na minha opinião, não podemos generalizar, devido ao trabalho que desenvolvo, ouço muitos relatos de ambas as partes, na verdade existem sim homens e mulheres que desejam ter uma relação mais séria e verdadeira, porém não atendem as expectativas que desejamos, ou seja não se enquadram “por completo” no perfil da pessoa que idealizamos em ter ao nosso lado todos os dias (seja no contexto físico, intelectual, sexual, religioso ou financeiro), é como se fizéssemos uma triagem para um candidato ocupar uma vaga em uma empresa (essa empresa seria a nossa vida e o nosso coração) e quanto mais o tempo passar, mais exigentes e seletos vamos ficando, e assim vai aumentando a dificuldade em encontrarmos nosso companheiro (a) ideal, porque procuramos a perfeição e isso não existe, pois nem nós somos perfeitas (os).

Atualmente vemos que as mulheres estão mais poderosas. Ou seja, tem plena consciência de seu poder, de sua beleza e de sua plenitude tanto pessoal quanto profissional. Não aceitam mais qualquer coisa e sabe o que quer. De alguma forma, toda essa determinação e consciência de si mesma, ainda assusta os homens? Ou seja, ainda vivemos em uma sociedade machista?

R: Na minha visão, a partir do momento que a mulher ou o homem se julgam “poderosos”, se sentem acima do “outro” (por ter um bom trabalho, um ótimo salário ou um carro do ano), poderão ocorrer problema nos relacionamentos, porque na vida compartilhada de um casal acredito que não cabe esse tipo de sentimento, na verdade, em nenhum tipo de relacionamento (social, profissional ou familiar) em que uma pessoa se sente “poderosa” e com uma autoestima muita elevada (chegando próximo da arrogância) ela terá sérios problemas de convivência.

Mas sem dúvida, nós estamos tomando consciência que somos pessoalmente e profissionalmente inteligentes e capazes tanto quanto os homens são, portanto estamos sim nos tornando mais seletivas em nossos relacionamentos (como relatado acima).

Podemos dizer que já houve um grande avanço, temos mulheres atuando praticamente em todas as profissões, que antigamente eram destinadas apenas a classe masculina, porém ainda sentimos algumas diferenças, principalmente no tocante ao valor salarial que na sua grande maioria permanece menor do que a dos homens, infelizmente não é fácil desconstruir algo que ainda se apresenta tão forte em nossa sociedade, mas penso que é uma questão de tempo e novos avanços virão.

Quais dicas você daria para a mulher ou para o homem que queira encontrar alguém bacana para um relacionamento saudável?

R: A sugestão que posso dar, é que trace um perfil da pessoa que você “NÃO GOSTARIA” de se relacionar, ou seja, o que você “não suporta” ou o que você “não aceita” em uma pessoa, pois você precisa ter consciência de qual tipo de pessoal que você “não deseja e não teria tolerância” para ter ao seu lado (isso tem que estar muito claro para você) e a partir daí esteja livre e aberta (o) para conhecer e se relacionar com novos amores e eles acontecerão assim, em um momento inusitado.

Você acredita que hoje em dia ainda há preconceitos? Por exemplo, mulher mais velha com homem bem mais novo, mulher divorciada e com filhos, etc?

R: Preconceitos ainda existem, e com inúmeros tipos, ou seja, com relação à altura, idade, peso, deficiências, raça, religião, cultural, econômico e tantos outros, nós dizemos que não temos preconceitos, porém somente enquanto não estiver acontecendo aquela situação conosco, em nossa casa ou com alguém da nossa família, pois quando acontece vemos o preconceito aflorar plenamente e rapidamente, que até nós mesmos nos surpreendemos com nossos pensamentos e atitudes.

Mas como diz a canção “Eduardo e Mônica” (composta por Renato Russo em 1986):

“Quem um dia irá dizer

Que existe razão

Nas coisas feitas pelo coração?

E quem irá dizer

Que não existe razão? ”

Ou seja, se ambos estão felizes, se sentem amados e se respeitam mutuamente e se as diferenças “não fazem diferença” ao casal, então qual o problema de estarem e continuarem juntos? Só posso dizer: – “SEJAM FELIZES! ”

Daquelas pessoas que já estão comprometidas, quais dicas você dá para apimentar a relação?

R: A relação de um casal é construída diariamente, ou seja, todos os dias sem cessar, exige dedicação e carinho de ambas as partes, não dá para ter “preguiça”, é o que sempre falo em minhas palestras, faço uma analogia da relação de um casal com um “vaso de flor”, se você não regar constantemente, não conversar, não colocar no sol e na sombra, ou seja cuidar com carinho, um dia você irá acordar e para sua surpresa encontrará aquela flor completamente seca, sem chance nenhuma de voltar à viver e daí não adiantará você fazer mais nada, MORREU!!!

E dentro desse contexto, entra o sexo, não deixe que a rotina tome conta da relação de vocês, o namoro, a sedução e o mistério devem continuar fazendo parte da relação conjugal, portanto tenham pelo menos um dia da semana para saírem juntos, somente o casal ou com outros casais, porém “sem os filhos”, tenham seu “Momento Namoro”, se preparem para esse dia, de se cuidem, coloquem peças íntimas bonitas e sensuais, assim como se estivessem ainda naquele momento da conquista, evitem conversar sobre assuntos domésticos nesse momento, sejam carinhosos, falem sobre assuntos mais picantes, leve na bolsa ou no carro algum produto sensual (hoje tem muitas opções interessantes no mercado), mostre para ele ou para ela e diga que a “noite” promete!

Muitos casais acabam se relacionando sexualmente apenas uma vez por semana, o qual eu chamo de “Sábado Feliz”, mas por qual motivo não trazer esse “Dia Feliz” para mais outros dias da semana também?

Lembrem-se que antes de vocês serem Mãe e Pai (Mãe e Mãe ou Pai e Pai), vocês são um casal, portanto se comportem como tal, não depositem nos filhos ou em qualquer outra pessoa, uma culpa que não lhes pertence.

Manter a chama acesa dá trabalho, mas ao mesmo tempo é muito gratificante. Aproveite cada momento com a pessoa que você ama.

E para finalizar, entre quatro paredes vale tudo?

R: Mas o que exatamente seria TUDO? “Tudo” é uma palavra muito abrangente, o que é interessante e prazeroso para uns nem sempre é interessante e prazeroso para outros, portanto no momento que o casal está em sua intimidade é importante que estejam de comum acordo, do que irão fazer, pois se o que estiverem fazendo não está satisfazendo o parceiro ou a parceira, ou está colocando um deles em um situação constrangedora, desconfortável ou até mesmo de dor, deve ser conversado entre o casal para que não ocorram frustrações, ninguém deve fazer algo que não queira fazer, aí entra o respeito pelo sentimento do outro.

Há casais que curtem um momento mais básico, sem grandes inovações, e o máximo de ousadia que se permitem é fazer uma ou outra variação de posições no momento do ato sexual.

Porém há os que gostam de apimentar mais aquele momento, fazendo uso de roupa mais sexy, utilizar produtos sensuais, fazer variações constantes das posições sexuais. Enfim fazem de cada relação um momento especial, transformando-o praticamente em um evento único. Um casal que esteja em plena sintonia, “faz amor até por telepatia”, já dizia Rita Lee.

Quem está certo? Todos estão certos, o casal define seu “Momento Mágico”, bem entendido “o casal”, não apenas uma das partes, se não for de comum acordo, alguém poderá sair frustrado desse momento e provavelmente irá transportar esse sentimento para o dia-a-dia da família, o que não seria conveniente e nem saudável.

Como iniciei citando um texto de Martha Medeiros, encerro também com uma frase dela:

“Sexo não é sacanagem. Sexo é uma coisa natural, simples, só é ruim quando feito sem vontade. ”

Até semana que vem!

Grande beijo,

DIVS

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