Até o mês de junho de 2018, Sorocaba registrou 21 casos de dengue confirmados por exame laboratorial, sendo 18 autóctones e três importados, o que significa redução de 50% em comparação com o primeiro semestre do ano de 2017, que teve 42 casos confirmados. A redução é ainda maior se comparada com o ano de 2016, quando a cidade registrou 340 confirmações de dengue de janeiro a junho, ou seja, 16,19 vezes mais que no primeiro semestre deste ano.

Para que Sorocaba continue com um número baixo de casos, a Secretaria de Saúde (SES), por meio da Divisão de Zoonoses, vem trabalhando de forma empenhada, realizando inúmeras ações para a prevenção e controle do mosquito Aedes aegypti. Todos os trabalhos são diários e acontecem o ano todo.

Os trabalhados efetuados são: bloqueio de casos positivos ou suspeitos de arboviroses, nebulização, vistorias de casa em casa, arrastão, avaliação de densidade larvária, pontos estratégicos e imóveis especiais.

O “arrastão” conta com dois caminhões fazendo o trabalho de segunda a sexta-feira por toda cidade. Durante as atividades de visitação dos imóveis, a Divisão de Zoonoses realiza a coleta e remoção massiva de recipientes que acumulem água parada. Esse trabalho visa a diminuição da infestação do mosquito através do “sequestro de ovos” fixos às paredes dos recipientes e promove a retirada de criadouros com água ou larvas, além de evitar a presença de materiais passíveis de se tornarem criadouros de mosquito. Outro fator positivo é a boa aceitação da população que colabora com a retirada imediata dos criadouros, eliminando a área trabalhada dos ovos, larvas e potenciais criadouros do mosquito Aedes aegypti.

Outro trabalho de destaque é a visita de casa em casa, neste ano já foram registradas 708.764 visitas nas residências de Sorocaba. Através de seis equipes espalhadas por regiões estratégicas, os agentes, além de fiscalizar e agir na remoção e tratamento de criadouros, conscientizam e orientam a população com informações importantes para prevenir e combater a doença.

Quando é constatado caso positivo ou suspeita de dengue, chikungunya, zika ou febre amarela pelo Aedes aegypti, a equipe técnica apura o possível local onde o indivíduo foi contaminado na cidade e realiza uma visita com o objetivo de bloquear a transmissão da doença, por meio da redução da infestação do vetor, e remover ou tratar os criadouros. Também há uma orientação sobre os sintomas das doenças e formas de prevenção. Até o momento foram realizadas 89.255 visitas.

Complementando o bloqueio, a equipe de agentes traça um raio de execução da nebulização próximo do local de suspeita ou confirmação. A aplicação de veneno tem o objetivo de diminuir a infestação de mosquitos adultos que possivelmente já estão infectados e oferecem riscos para a área.

Graças à ADL (Avaliação de Densidade Larvária), a Zoonoses consegue verificar os locais com maior quantidade de larvas na cidade. Realizada quatro vezes ao ano, a avaliação já foi feita em mais de 89 mil visitas. São sorteadas quadras distribuídas na cidade e as equipes vistoriam os imóveis buscando larvas do mosquito e coletando amostras para análise do biólogo realizada no Laboratório Entomológico. “Desta forma, temos uma ideia da porcentagem de larvas do Aedes aegypti e a porcentagem de larvas de outros mosquitos e insetos, quais os principais criadouros do vetor, além de saber qual a área da cidade está mais infestada”, relata a bióloga Juliana Mome. Em 2018, foram realizadas três avaliações, uma em janeiro, outra em abril e uma terceira em julho.

Outra ação é feita em locais chamados de “pontos estratégicos”, que são locais com presença de recipientes com potencial para acúmulo de água e proliferação de mosquitos, principalmente desmanches, borracharias e locais com recolhimento de materiais recicláveis. Esses imóveis são frequentemente vistoriados e tratados com veneno (que matam larvas e mosquitos adultos) para diminuir a infestação do Aedes aegypti. No ano de 2018 até o momento, foram visitados 577 pontos estratégicos na cidade.

Outros imóveis que também devem ser vistoriados são os chamados “imóveis especiais”. Para a chefe da Divisão de Zoonoses, Thaís Buti, esses locais com grande circulação de pessoas devem ser visitados frequentemente. “Escolas, indústrias, hospitais, supermercados, recebem vistorias e realização de orientações, remoção de criadouros e tratamento químico, quando necessário. Este ano, visitamos 189 imóveis especiais da cidade”, explica Thaís Buti.

Atendimento 156 e conscientização

No ano de 2018, até junho, foram registradas 1.588 reclamações referentes ao Aedes aegypti. 5.007 vistorias foram concluídas com as equipes de denúncias, com a emissão de 617 notificações para adequação de irregularidades aos responsáveis pelos imóveis, e 98 multas aplicadas.

Para denunciar algum imóvel com criadouros do mosquito vetor das arboviroses ou estabelecimento que se encontra em estado de alerta e seja potencial de criadouro, o cidadão pode dirigir-se até uma Casa do Cidadão, ligar ao telefone 156 ou acessar o link:http://www.sorocaba.sp.gov.br/atendimento.

Plano de Contingência e ações intersetoriais

Outra ação importante é a revisão do Plano Municipal de Contingência para Combate às Arboviroses para o ano de 2019, que está planejada para ocorrer neste segundo semestre de 2018. Este plano define ações e responsabilidades de cada setor da Prefeitura para atender situações de emergência, considerando-se o pior cenário epidêmico de arboviroses. Ele prevê ações por fases de transmissão, insumos necessários, estrutura de assistência ao paciente, necessidade de recursos humanos e o plano de ação por secretarias.

Buscando novas parcerias, a secretária de Saúde, Dra. Marina Elaine Pereira, apresentou para os demais secretários municipais uma proposta de ações intersetoriais para o fortalecimento do governo no combate ao Aedes aegypti, uma vez que o setor saúde, por si só, não tem como resolver a complexidade dos fatores que favorecem a proliferação do Aedes aegypti.

“O objetivo da parceria é fortalecer a articulação das diferentes áreas e serviços da Prefeitura de Sorocaba, visando à integralidade das ações para enfrentamento das arboviroses e reforçar ações de articulação intersetorial em todas as esferas de gestão. Afinal, o problema da dengue é responsabilidade da cidade e não só da saúde”, explica a titular.

Outro projeto para este segundo semestre é a criação de equipes para a realização de vistorias em todos os setores da Prefeitura. Essas equipes ficarão responsáveis em remover e tratar possíveis criadouros do mosquito Aedes aegypti em cada próprio municipal, visando reduzir a infestação do mosquito nestes locais.

Educação, comunicação e mobilização social

As atividades de educação, comunicação e mobilização social também são essenciais na prevenção às arboviroses. Foram realizadas neste ano de 2018 feiras educativas com material ilustrativo, expositores, amostras de larvas e mosquitos; palestras e capacitações em escolas, empresas e com funcionários municipais; reuniões técnicas com equipe de gestores, com uma estimativa de cerca de 3.300 pessoas atingidas.

A Secretaria da Saúde, em parceria com a Secretaria da Educação e a Secretaria da Segurança e Defesa Civil, está desenvolvendo um projeto para a realização de teatrinhos, exposições e palestras de prevenção e controle das Arboviroses nas escolas municipais, com previsão de início em agosto de 2018.

Além disto, a Divisão de Zoonoses e a Secom (Secretaria de Comunicação e Eventos) desenvolveram um novo modelo de folder educativo, com previsão de entrega e utilização do material neste segundo semestre de 2018, contemplando as quatro arboviroses, seus sinais e sintomas e as formas de prevenção do mosquito vetor, o Aedes aegypti. Além deste folder, a SES irá adquirir material gráfico educativo e lúdico para utilização nas atividades educativas e de mobilização social para uma maior divulgação das orientações e propagação das formas de prevenção dessas doenças.

Outra forma de divulgação dos dados epidemiológicos e ações realizadas pela Área de Vigilância em Saúde é por meio dos Boletins Epidemiológicos. Somente no ano de 2018 foram emitidos pela Área de Vigilância em Saúde seis Boletins Epidemiológicos, nos quais foram divulgados os números de casos notificados das arboviroses, número de casos confirmados, descartados e em análise, além de dados importantes e ações e serviços realizados.

A Secretaria da Saúde ainda criou o grupo técnico do Comitê Gestor Municipal de Combate à Dengue, Chikungunya, Zika vírus e outras Arboviroses, comitê criado para a discussão da situação epidemiológica das arboviroses com os diferentes setores da saúde e demais setores do governo municipal, visando o direcionamento de ações de prevenção dessas doenças e a resposta em momento oportuno por parte da gestão municipal frente um aumento de casos de arboviroses, além de buscar fortalecer as parcerias entre os diferentes setores da Prefeitura no combate ao vetor Aedes aegypti.