O DEDA QUESTÃO

A Comissão Especial da Câmara de Vereadores de Sorocaba, que investiga as denúncias de crime ambiental no terreno da antiga fábrica de baterias Saturnia, na Zona Industrial, realizou uma reunião com representantes da Cetesb (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo), na sede da entidade, em Sorocaba, com o objetivo de trocar informações sobre a situação atual da área abandonada.

É o que resta no momento: trocar informações.

Essa notícia, que consta de material oficial, divulgado pela assessoria da Câmara Municipal, deixa evidente qual é a resposta para a pergunta que a sociedade sorocabana está fazendo: o que fazer com a área contaminada? Ninguém sabe. Ao menos por enquanto.

E não é de hoje que não sabe. No dia 31 de agosto, no encontro que marcou o aniversário de 23 anos de fundação do CBH-SMT (Comitê de Bacia Hidrográfica Sorocaba e Médio Tietê) a contaminação da área da Saturnia foi lembrada como sendo tema denunciado de contaminação em 2008, ou seja, há 10 anos. E nada foi feito.

Em março deste ano, a Comissão de Meio Ambiente e de Proteção e Defesa dos Animais da Câmara de Vereadores fez uma visita ao local e constatou várias irregularidades, como equipamentos abandonados, materiais tóxicos expostos e tanques de decantação abertos e muitos sinais de depredação. Tudo foi registrado e repassado para as autoridades competentes. Mas, novamente, nada foi feito.

A verdade é que a situação no local voltou ao noticiário quando pessoas foram flagradas garimpando chumbo no terreno, num flagrante da TV Tem Sorocaba exibido nacionalmente pelo programa Fantástico.

Lençol freático

Reconheço o esforço dos vereadores João Donizete (PSDB), que preside a comissão, a relatora Iara Bernardi (PT) e Hudson Pessini (MDB) envolvidos com a causa. Estão fazendo o que está ao alcance deles: “Nós abrimos um primeiro canal de diálogo com muitas perguntas de tantas outras que deverão ser feitas. No nosso entendimento, o crime ambiental não foi só durante a atividade da empresa, pois ainda continua. Então devemos ter outras reuniões para entender esse processo de contaminação e medidas mitigadoras para resolver ou atenuar essa situação”, explica o vereador João Donizeti.

A relatora da comissão, vereadora Iara Bernardi, aproveitou a oportunidade para informar aos representantes da Cetesb que, em visita recente, encontrou outras irregularidades no local. “Os poços de monitoramento do lençol freático, onde se capta água para saber se está contaminada ou não, estão abertos e isso é grave. Além disso, presenciamos vários sacos de materiais tóxicos espalhados pela área”, alerta.

Para o vereador Hudson Pessini, a situação é de saúde pública e o próximo passo é reunir mais informações para dar prosseguimento às investigações. “Sabemos da contaminação na área e num momento como esse o que mais acontece é a ausência de responsáveis. É um caso onde pode haver a intervenção do poder público. Protocolamos ofícios para buscar mais informações e então definir os próximos passos”, avisa o parlamentar.

Pressa para resolver

A antiga fábrica da Saturnia está desativada desde 2011 e moradores da região já haviam demonstrado preocupação com o estado de abandono das instalações. Mas, apesar da pressa da sociedade, ninguém sabe o que fazer.