Daniel Carvalho e Marina Estarque, FOLHAPRESS

O Ministério Público de Goiás pediu a prisão preventiva do médium João Teixeira de Faria, 76, o João de Deus, após a série de acusações de abuso sexual feitas por mulheres nos últimos dias.

A informação foi antecipada pelo blog de Lauro Jardim, do jornal O Globo, e confirmada pela reportagem. Procurada, a defesa de João de Deus ainda não se manifestou sobre esse pedido de prisão.

Segundo uma pessoa envolvida na investigação relatou à reportagem, dois promotores foram ao Fórum de Abadiânia no fim da tarde desta quarta-feira (12) protocolar o pedido.

Uma força-tarefa liderada pela Promotoria de Goiás foi criada para recolher relatos de supostas vítimas do médium e, até terça (11), já havia feito mais de 200 atendimentos, a maioria deles por email.

João de Deus nega as acusações e, nesta quarta (12), apareceu pela primeira vez após as denúncias virem à tona na Casa Dom Inácio de Loyola, espécie de hospital espiritual criado por ele em Abadiânia, no interior de Goiás.

“Agradeço a Deus por estar aqui. Ainda sou irmão de Deus. Quero cumprir a lei brasileira. Estou nas mãos da lei. João de Deus ainda está vivo”, afirmou a fiéis.

Os relatos de 13 mulheres foram feitos inicialmente ao programa Conversa com Bial e ao jornal O Globo. Desde então, outras denúncias surgiram, levando à criação da força-tarefa em Goiás para receber relatos e depoimentos em parceria com outros estados.

“Estão vindo de todos os lados. Chegam pelas redes sociais pessoais [das promotoras] e oficiais do Ministério Público. Pelo WhatsApp, Telegram, Facebook, email pessoal e institucional e até por colegas, que conhecem vítimas, e nos avisam”, afirma a promotora Silvia Chakian.

Para a promotora Gabriela Manssur, a divulgação dos casos encoraja outras mulheres a fazerem denúncias. “É impressionante o efeito cascata. Desde sexta-feira, a cada hora vem um email, WhatsApp, ligação, um pedido de ajuda de todo o Brasil”, diz.

Manssur afirma que até maridos têm procurado o Ministério Público para denunciar situações que afetaram suas companheiras.

“Pelos relatos que estamos recebendo, não há nenhum elo entre essas pessoas. São perfis diferentes. Você percebe que é uma narrativa com sentimento, verdade e sede de Justiça”, conta.

Depoimentos de vítimas poderão ser provas suficientes para embasar uma investigação e depois tentar condenar acusados de crimes sexuais. A avaliação é do Ministério Público do Estado de Goiás e de outros integrantes da força-tarefa que recebe os relatos e investiga os casos de denúncias contra João de Deus.

O promotor Luciano Miranda Meireles afirmou que os depoimentos podem ser o único meio de comprovar as acusações, já que crimes como o de estupro não ocorrem à luz do dia nem têm testemunhas. “Não há por que duvidarmos dos relatos das vítimas. É claro que não vamos encontrar vestígios do crime nem lesões.”

O órgão envolveu seis delegados e duas psicólogas na força-tarefa e fez contato com Promotorias de outros estados, como São Paulo e Maranhão, para evitar que vítimas se desloquem até Abadiânia.

Atendimentos individuais

A Federação Espírita Brasileira divulgou uma nota no sábado (8) condenando atendimentos individuais por curadores, após virem à tona denúncias de abuso sexual de mulheres contra João de Deus.

Segundo a federação, “o espiritismo orienta que o serviço espiritual não deve ocorrer isoladamente, apenas com a presença do médium e da pessoa assistida”. A nota não cita o nome do médium diretamente.

As mulheres afirmam, no entanto, que eram chamadas por João de Deus para consultas individuais na Casa Dom Inácio de Loyola. Elas eram levadas a uma sala adjacente a um banheiro, onde aconteciam os supostos abusos. Outro ponto que se repete é o oferecimento de cristais como presentes.

Ainda de acordo com a nota, a doutrina espírita “não recomenda, portanto, a atividade de médiuns que atuem em trabalho individual, por conta própria. Estes não estão vinculados ao Movimento Espírita, nem seguindo sua orientação”.

O espiritismo atua “com o trabalho de caridade material e espiritual desinteressada, sem nenhum propósito a não ser o de auxiliar os necessitados”.

O médium João de Deus, que diz fazer cirurgias espirituais através de entidades incorporadas, ostenta longa carteira de pacientes estrelados -de políticos a celebridades, brasileiros e estrangeiros. Da apresentadora americana de TV Oprah Winfrey ao atual presidente da República, Michel Temer (MDB).

Sua fama mundial começou em 1991, quando a atriz americana Shirley MacLaine -vencedora do Oscar pelo filme “Laços de Ternura” (1983)- tratou um câncer na região abdominal com João Deus. A bilionária apresentadora só ficou sabendo do médium, no entanto, quando entrevistou o psicoterapeuta Wayne Dyer, que afirma ter sido curado de uma leucemia por ele.

O empresário Marcus Elias, dono da Laep Investments, ex-controladora da Parmalat e da Daslu, é uma das figuras mais próximas de João de Deus. Foi ele quem apresentou ao médium personalidades internacionais como a modelo Naomi Campbell e fez pontes para que os ex-presidentes Lula e Dilma e tantos outros políticos de diferentes matizes ideológicos recebessem tratamento espiritual pelas mãos do homem que fez de Abadiânia (GO) uma Meca de peregrinos.

Gente de todas as classes sociais e dos mais diversos cantos do planeta que batia às portas da Casa de Dom Inácio de Loyola (padre jesuíta cujo espírito João diz incorporar) em busca de milagres e alívio para todos os tipos de males e dores.

Em 2012, Oprah decidiu vir até a cidadezinha de 15 mil habitantes, dividida ao meio pela BR-060, rodovia que liga Goiânia a Brasília, para conhecer o trabalho de alento e cirurgias espirituais. Lá, ela teria meditado, orado e testemunhado as tais cirurgias, na chamada sala da entidade.

1 Comentário

  1. MP e polícia parem de marcar toucsa, prendam logo esse maníaco sexual NÃO DE DEUS antes que fuja para o Paraguai como o Roger Abdelmassih.

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