Conselho Tutelar: “dormimos com bebê em escritório por falta de apoio e vagas”

As conselheiras Gabielly, Vanessa, Clarissa e Fabiana Oliveira / Foto: Gustavo Ferrari

Quatro conselheiras tutelares concederam entrevista durante o Jornal da Ipanema, da Rádio Ipanema edição desta quarta-feira (3), para denunciar a falta de vagas de acolhimento e de estrutura para as crianças e adolescentes que precisam de atendimento.

De acordo com Fabiana Oliveira, conselheira da região oeste, pela segunda vez menores de idade, duas adolescentes, de 16 e 14 anos e um bebê de 11 meses, tiveram de passar a noite em sede do Conselho Tutelar por não haver vagas em locais de acolhimento. “O conselho vem pontuando. A Secretaria de Assistência [e Igualdade] Social encaminha semanalmente para todo o sistema de garantias (Ministério Público, Judiciário, CMDCA). A Secretária [Cíntia de Almeida] disse que desconhece que não há vagas. Mas é a secretaria dela”, diz.

Outra questão é a falta de estrutura, como a de viaturas para atender aos casos, por exemplo. Para seis sedes do CT, há apenas três veículos. “Merecemos esse respeito, pois representamos nossa sociedade. O conselho é o órgão que garante direito das crianças e adolescentes. O que mais nos preocupa é que a lei diz primazia no atendimento à criança e adolescente”, defende Fabiana.

Nesta semana ocorreu um caso atípico, citaram as conselheiras. Clarissa Pereira Ramos, conselheira região Oeste, disse que teve de dormir na sede do Conselho junto às adolescentes e ao bebê, por falta de vagas de acolhimento. “Nos foi negada a vaga. Entramos, durante a madrugada, em contato com a Coordenadora da Infância e Juventude. Tivemos retorno às 6h30. As crianças foram para uma casa de acolhimento ontem [terça-feira] às 15h30”, revelou. “O acolhimento é o último caso. Eu tenho que fazer toda a tentativa, ver se pode ficar com uma tia etc”.

“Inadmissível uma criança vítima de violência dormir em um escritório”, afirmaram as conselheiras.