Dez dicas de boas séries para os órfãos de “Game of Thrones”

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Erick Rodrigues

Gostando ou não do desfecho da história, há pouco mais de uma semana, muita gente está sentindo o vazio deixado pelo fim de “Game of Thrones”, que encerrou a trajetória na TV após oito temporadas. Há quem tenha dificuldade em se apegar a uma nova série, achando que nenhuma vai chegar aos pés da disputa pelo trono de Westeros, e há aqueles que mergulham na busca por uma nova produção para maratonar.

Independente dessa classificação, para os órfãos de “Game of Thrones”, pode não ser fácil escolher qual vai ser a próxima série para acompanhar. Pensando nisso, resolvi listar dez produções, do mais diversos gêneros, que são capazes que ganhar espaço na rotina de maratonas desses espectadores que buscam um novo entretenimento.

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– Westworld (HBO GO)

Não foi à toa que a HBO exibiu, no dia do capítulo final de “Game os Thrones”, o primeiro trailer da terceira temporada de “Westworld”. A ficção científica, que já vinha chamando atenção e conquistando público, se transforma no carro-chefe do canal automaticamente. Nos dois primeiros anos, a produção explorou todos os mistérios envolvendo o parque criado para receber hóspedes interessados em viverem experiências diferentes da vida real. Depois de uma primeira temporada para estabelecer a narrativa dos personagens, no segundo ano, a série “explodiu a cabeça” dos espectadores ao apostar em um trama sem linha temporal definida para se aprofundar nos segredos escondidos sobre a existência do parque e a criação das inteligências artificiais que habitam o local e passam a ganhar consciência, desejando fugir das narrativas pré-determinadas a eles. Um prato cheio para quem quer voltar a elaborar teorias sobre uma história.

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– The Handmaid´s Tale (Globoplay e Paramount Channel)

Com a terceira temporada prestes a estrear, “The Handmaid´s Tale” é um dos melhores dramas em exibição e mostra uma distopia onde mulheres férteis são capturadas por um regime autoritário de poder e obrigadas a gerar crianças de comandantes do governo. Todo esse processo é acompanhado pelas esposas desses homens, que abdicam de muitos direitos pelo projeto de sociedade. Extremismo, machismo e ameaças à liberdade são os principais temas discutidos pela série, que aprofundou mais os conflitos dos personagens na segunda temporada. Intensa, a série é daquelas que deixam o espectador sem respirar, especialmente por conta da jornada de June (Elizabeth Moss), que tenta uma forma de se livrar do controle do regime.

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– Russian Doll (Netflix)

Com uma segunda temporada já acertada, “Russian Doll” consegue prender a atenção do espectador no primeiro ano. A série mostra Nadia (Natasha Lyonne), uma mulher convidada para uma festa que parece interminável. Na celebração, ela acaba morrendo, mas, sem qualquer explicação, revive na mesma festa e passa a repetir os eventos daquela noite até que um novo acidente aconteça com ela, em um ciclo repetitivo e misterioso. Tudo fica mais estranho quando Nadia descobre que não está sozinha e encontra Alan (Charlie Barnett), que também passa pelo mesmo problema. Vale a pena superar os dois primeiros episódios arrastados da série e persistir na história, que ganha aspectos reflexivos conforme a narrativa evolui.

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– The Good Fight (Amazon Prime Video)

Derivada do sucesso “The Good Wife”, “The Good Fight” continua mostrando a rotina de advogados de Chicago, mas, agora, a partir dos casos conduzidos por outro escritório. Diane Lockhart (Christine Baranski) é o centro da história, que foi se tornando uma das mais políticas da atualidade. Depois de um primeiro ano de apresentação dos novos personagens e focado em uma trama sobre fraude financeira, a segunda temporada passou a criticar o mundo político, especialmente aspectos do governo do presidente Donald Trump. Com um humor muito inteligente, a série cria situações e personagens que servem para discutir o mundo em que vivemos, inclusive, os aspectos ridículos e assustadores.

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– Killing Eve (Globoplay)

Uma das séries mais festejadas do ano passado, “Killing Eve” acaba de estrear a segunda temporada na plataforma de streaming Globoplay e continua imperdível. Mesclando comédia e drama em doses equilibradas, o grande atrativo da série é a relação de gato e rato estabelecida entre a agente Eve Polastri (Sandra Oh) e a psicopata Villanelle (Jodie Comer), que protagonizam uma perseguição internacional, marcada por fascínio e obsessão de ambas as partes. Usando um humor refinado e conflitos sutis de personalidade, a produção explora muito bem a relação contraditória entre as duas personagens, que estão em lados opostos, mas, de certa forma, nutrem admiração uma pela outra.

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– Fargo (Netflix)

A estreia de uma quarta temporada de “Fargo” parece improvável, mas vale a pena acompanhar os três anos da série antológica na Netflix. Com uma história diferente a cada temporada, a produção começa adaptando o filme de mesmo nome, lançado pelos irmãos Ethan e Joel Coen. Ampliando o espaço de histórias e personagens, preservando as características do original, a série consegue manter a qualidade da obra dos irmãos Coen. Quando se distancia dessa referência e caminha com as próprias pernas, a atração mostra que tem um universo igualmente curioso e caótico para apresentar, marcado por violência e excentricidade. “Fargo” não teve um terceiro ano tão marcante quanto os dois primeiros, mas a qualidade nunca deixou de ser uma características da série.

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– Sex Education (Netflix)

Se, depois da intensa disputa pelo trono de ferro de Westeros, a sua intenção é relaxar um pouco, uma ótima pedida é a comédia “Sex Education”. Com a segunda temporada já confirmada, a série aborda as dúvidas e descobertas da sexualidade na adolescência, sempre com humor e sem pudor. Na trama, Otis (Asa Butterfield) é um jovem que, apesar da influência da mãe, uma terapeuta sexual, vive frustrado por repressões nessa área. A experiência familiar, no entanto, revela uma incrível habilidade de ajudar os colegas de escola com problemas relacionados a sexo, fato esse explorado por Maeve (Emma Mackey), que deseja ganhar algum dinheiro com isso. O mais interessante da série é a forma que o roteiro humaniza os personagens e mostra que, mesmo com dúvidas diferentes, somos mais parecidos do que pensamos quando o assunto é insegurança e intimidade.

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– Barry (HBO GO)

Protagonizada por Bill Hader, “Barry” foi uma grata surpresa do ano passado e que continua rendendo bons momentos na segunda temporada, que estreou em 2019. A comédia sarcástica e, em alguns momentos, violenta, foca na tentativa de um assassino em deixar essa vida de crimes para trás para mergulhar de cabeça na carreira de ator. Com personagens que beiram o ridículo e situações trágicas, a série encontra um equilíbrio inusitado de gêneros, que rende bons momentos. O desempenho de Bill Hader, que tem um tempo de comédia ótimo, e do resto do elenco é perfeito para a narrativa proposta por “Barry”, que provoca risos espontâneos e faz o espectador ter empatia por aqueles personagens.

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– Wanderlust (Netflix)

A atriz Toni Collette protagoniza “Wanderlust”, que pode ser considerada uma das séries mais atrevidas dos últimos tempos. A produção mostra um casal afetado pela rotina do casamento, mesmo quando o amor ainda segue forte. Por conta disso, surge a ideia de tentar um relacionamento aberto, o que permite que ambos experimentem situações novas. O casal só não contava que essa nova configuração poderia ir além do imaginado e ter efeitos sobre outras pessoas. Bem escrita e com um elenco irretocável, “Wanderlust” fala de intimidade sem amarras e ainda gera reflexão sobre as ânsias e motivações das pessoas em busca da felicidade. Além disso, a série consegue imprimir uma agradável leveza ao usar o humor para retratar os problemas conjugais que muitos podem estar enfrentando, nem sempre com o mesmo olhar.

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– Mindhunter (Netflix)

Com segunda temporada marcada para este ano, “Mindhunter” é a maratona ideal para quem se interessa pela mente de um psicopata. A série mostra dois agentes do FBI, que, no início dos anos 70, expandiram os métodos de análise dos modos de pensar e agir de criminosos perigosos. Em viagens pelos Estados Unidos, Holden Ford (Jonathan Groff) e Bill Tench (Holt McCallany) entrevistam assassinos e mergulham nos pensamentos dessas pessoas, o que acaba afetando a vida pessoal e a relação profissional deles. Interessante e tensa, “Mindhunter” arrebata o espectador logo de cara e torna a maratona de episódios praticamente inevitável.