As piores séries de 2018

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Por Erick Rodrigues

O mundo das séries continua vivendo um “boom” de produções, que ganhou ainda mais força com a consolidação dos serviços de streaming. Além dos canais de televisão, essas plataformas não se contentaram em exibir produções de terceiros, mas, também decidiram investir em conteúdo próprio, o que acabou prologando o período fértil de atrações do gênero.

Para poder suprir a grande demanda, é claro que o mercado precisa de planejamento e muitos projetos para continuar prosperando. Nem sempre, no entanto, essas ideias são boas ou bem executadas ao longo da produção e são exatamente esses erros que alimentam as listas das piores séries do ano, que costumam aparecer nessa época.

Para fazer uma retrospectiva de 2018, além das já elencadas melhores produções do período, escolhi cinco séries que considero as piores. Tenho consciência que duas das escolhidas, pelo menos, podem gerar alguma controvérsia, mas é para isso que servem essas listas. Faço questão de frisar que esse ranking não tem a intenção de ser considerado uma verdade absoluta e, portanto, fica restrito a opiniões que podem e devem ser contestadas. Vamos às produções:

PIORES SÉRIES DE 2018

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– La Casa de Papel

Tenho absoluta consciência das pedras que podem ser atiradas por conta da inclusão de uma das séries mais populares do ano nessa lista, mas vamos lá. “La Casa de Papel”, um fenômeno indiscutível exibido no Netflix, fez muito barulho e conquistou muitos fãs, que garantiram a continuidade da produção espanhola. A popularidade, no entanto, não pode excluir o fato de que o roteiro dos episódios abusa de soluções absurdas e deixa muito a desejar. Com ações concentradas quase que todo o tempo dentro da Casa da Moeda da Espanha, alvo do mirabolante roubo executado pelos protagonistas, a história cria essa restrição de espaço para os conflitos, mas a proposta se transforma em uma armadilha para os roteiristas, que ficam sem opções criativas para seguir com a trama. A construção dos personagens é caótica e testa a paciência do espectador, gerando contradições e afastando a empatia por alguns dos tipos retratados. Como se não bastasse tudo isso, em 2019, vem uma terceira temporada por aí.

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– House of Cards

A sexta e última temporada de “House of Cards” foi produzida a partir de muitas dúvidas. A demissão do ator Kevin Spacey, protagonista dos cinco primeiros anos, por conta de acusações de assédio e comportamento inapropriado, fez o público questionar o andamento da trama, que passou a ser protagonizada por Robin Wright. A incapacidade de superar esses problemas fica evidente ao longo dos episódios. O início atropelado da temporada faz o espectador cair de paraquedas na nova proposta, impedindo melhor contextualização dos acontecimentos e inserindo mal novos personagens, que deveriam ter a importância construída aos poucos para se tornarem relevantes. Wright faz o que pode para sustentar a série, mas Frank Underwood vira um fantasma para a história, deixando claro que precisaria estar presente para uma conclusão satisfatória. Se a produção não tivesse continuado após a quinta temporada, talvez o desfecho fosse mais digno.

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– O Mecanismo

A Operação Lava Jato, que revelou um dos maiores esquemas de corrupção do mundo, virou série, em 2018, sob o comando do diretor José Padilha, o mesmo da franquia “Tropa de Elite” e da série “Narcos”. O resultado, no entanto, foi sofrível! “O Mecanismo” ignora a complexidade da corrupção retratada, apela para soluções simples e conceitos rasos para conduzir o espectador pela trama. O didatismo do roteiro chega a cansar, se amparando em frases de efeito, que só servem para destacar situações já bastante nítidas. Ao invés de investir em uma abordagem mais profunda dos personagens, a série não evita o maniqueísmo e cria tipos que beiram a caricatura. “O Mecanismo” é falha como dramaturgia e como tentativa de reflexão sobre um episódio ainda muito presente na rotina dos brasileiros.

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– Altered Carbon

Era para ser uma ficção científica, mas o resultado final pareceu um folhetim barato, daqueles que nem mesmo consegue empolgar o espectador. Apesar do potencial interessante da história, a série “Altered Carbon” desperdiça a oportunidade de construir uma narrativa que discuta desigualdades sociais, religião e violência em um cenário futurista. Ao invés disso, opta-se pelo caminho mais fácil e a trama se concentra em conflitos familiares batidos, daqueles que o espectador até acompanha, mas sem prazer algum. Mesmo as boas sequências de ação e a ambientação do universo não conseguem disfarçar os problemas no roteiro, que também envolvem a perda do foco no enredo central. “Altered Carbon” estreou como uma grande aposta do Netflix, mas só conseguiu ser mais uma série que não funcionou como esperado.

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– Narcos: México

Depois de três temporadas focada no tráfico de drogas na Colômbia, “Narcos” rendeu uma produção derivada, que passa a retratar cartéis mexicanos. A proposta, no entanto, não traz nada de novo e ainda regride em elementos vistos na original. “Narcos: México”, já renovada para um segundo ano, não traz uma história capaz de conquistar o espectador e isso se deve, em parte, à construção de personagens genéricos e sem carisma algum. É preciso força de vontade para terminar os dez episódios, que se arrastam diante dos olhos. Nem mesmo a participação de Wagner Moura, revivendo o traficante colombiano Pablo Escobar, traz algum movimento ou entusiasmo para a trama, que até conta com um bom elenco, mas peca em elementos essenciais. Com certeza, uma decepção de 2018 no mundo das séries.