Por Erick Rodrigues

Se fazer listas já um hábito é praticamente irresistível, quando chega o fim do ano esse ímpeto fica incontrolável. Além de fazer um balanço sobre todos os aspectos pessoais e profissionais do ano que vai chegando ao fim, esse período também pode ser usado para relembrar as maratonas de séries de 2018 e pensar em quais foram as atrações que mais prenderam o espectador, sejam elas exibidas na televisão ou em plataformas de streaming.

O ritmo frenético do lançamento de séries, mais intenso a cada dia, torna praticamente impossível ter visto todas as produções exibidas no ano. Mesmo deixando uma ou outra de fora, a intenção dessa lista não é ser definitiva, mas apenas uma forma de relembrar boas histórias que o gênero levou ao ar em 2018.

Vale lembrar, ainda, que toda lista aponta para o gosto pessoal de quem a faz, o que não quer dizer que opiniões diferentes estejam “erradas” ou não devam ser respeitadas. Dito tudo isso, vamos às melhores séries de 2018!

MELHORES SÉRIES DE 2018

Divulgação

– The Handmaid´s Tale (Hulu/Paramount Channel)

A distopia criada pela autora Margaret Atwood ganhou mais intensidade no segundo ano e conseguiu um diálogo interessante com o mundo de hoje, onde debates como extremismos, ameaças à liberdade e o machismo são cada vez mais necessários. A profundidade que os personagens ganharam em “The Handmaid´s Tale” foi o grande destaque da segunda temporada, que explorou contradições internas em tipos que pareciam já bem definidos na trama. Além de concentrar a ação em June (Elizabeth Moss) e na intenção da aia em burlar a autoridade imposta pelos comandantes de Gilead, o desenvolvimento da história de Serena (Yvonne Strahovski), a mulher que acredita no regime, mas que começa a perceber que ele não foi feito para favorecê-la.

Divulgação

– Westworld (HBO)

Muita gente está, até agora, tentando entender o que aconteceu na segunda temporada de “Westworld”. A linha temporal pouco definida e os planos mirabolantes que envolvem a criação do parque temático e das inteligências artificiais que se rebelam ali “explodiram a cabeça” do espectador e renderam bons momentos em 2018. A ficção científica da HBO conseguiu criar episódios instigantes não deixando claro em qual tempo os personagens estavam interagindo, algo que só vai ficando claro quando o desfecho se aproxima. “Westworld” é daquelas séries que deixa mais dúvidas do que respostas para quem assiste e esse é um dos diferenciais dela, além do ótimo elenco e da produção caprichada. É impossível não ter curiosidade para saber se, no terceiro ano, as inteligências artificiais vão continuar investindo no plano de demonstrarem a superioridade intelectual em relação aos homens.

Divulgação

– Big Mouth (Netflix)

Mesmo sendo um desenho, “Big Mouth” passa longe de ser uma série recomendada para crianças. Fazendo graça com a chegada da puberdade para um grupo de adolescentes, a animação é politicamente incorreta, explícita, desbocada e engraçadíssima. Os protagonistas Nick e Andrew vivem todos os conflitos causados pelas alterações hormonais dessa fase da vida e, enquanto isso, o espectador ri muito com a linguagem direta e o humor afiado dos roteiristas. Com o lançamento dos episódios da segunda temporada, “Big Mouth” deu mais espaço para personagens secundários e só aumentou o interesse do público pelas trapalhadas desses adolescentes.

Divulgação

– Killing Eve (BBC/Globoplay)

Confesso que, mesmo sendo fã de séries, não sou muito adepto das maratonas, prefiro mergulhar nas histórias aos poucos. Mas, se teve uma série, em 2018, que me fez querer maratonar os episódios foi “Killing Eve”. Em um equilíbrio perfeito entre drama e comédia, a série destaca a perseguição “gato e rato” entre a agente Eve Polastri (Sandra Oh) e a psicopata Villanelle (Jodie Comer). Enquanto uma faz tudo para chamar atenção atuando como matadora profissional, a outra se mostra cada vez mais fascinada pela personalidade da inimiga, nutrindo sentimentos contraditórios por ela. Além da trama de espionagem, a série usa o humor de uma forma muito precisa e interessante, bem típica das produções britânicas.

Divulgação

– Sob Pressão (TV Globo/Globoplay)

Poucas vezes o ainda escasso mercado de séries do Brasil foi tão certeiro com uma produção como é com “Sob Pressão”, drama médico produzido pela Globo e Conspiração Filmes. A rotina de um hospital público do Rio de Janeiro, onde falta estrutura e material básico para atender aos pacientes, é bem diferente da perfeição do sistema mostrado em outras produções do gênero, especialmente as norte-americanas. Essa proximidade com a realidade do nosso país é uma das principais qualidades da produção, que também abordou, na segunda temporada, como a corrupção afeta diretamente o atendimento básico de saúde no país. Apesar dos bons resultados, “Sob Pressão” segue para o terceiro ano e deve parar por aí, como já anunciou a emissora. Uma pena!

Divulgação

– The Good Fight (CBS All Access/Amazon Prime Video)

A série derivada de “The Good Wife” teve uma segunda temporada ainda mais intensa em 2018. A rotina dos advogados da produção ficou abalada por uma verdadeira “caçada” aos profissionais da área em Chicago, nos Estados Unidos, que fez Diane (Christine Baranski) e os companheiros de trabalho virarem alvos ambulantes. O radicalismo contra os advogados, é claro, serviu para discutir os rumos do mundo, cada vez mais bélico e intolerante. “The Good Fight” também esteve muito política no segundo ano e debateu abertamente a influência do governo de Donald Trump na vida dos norte-americanos. Mesmo não sendo tão popular, é uma das melhores séries em exibição.

Divulgação

– The Marvelous Mrs. Maisel (Amazon Prime Video)

Inteligente, engraçada, carismática e verborrágica. Essas quatro palavras definem bem as qualidades de “The Marvelous Mrs. Maisel”, comédia que chegou à segunda temporada mantendo o alto nível dos primeiros episódios. A história da mulher que, nos anos 50, desafia convenções para lutar por um espaço no stand-up, universo predominantemente masculino, conquista os espectador pela leveza e construção inspirada de personagens, todos carregando traços peculiares e divertidos. Com um ótimo elenco, a série consegue ser um entretenimento de qualidade, que usa um roteiro inteligente para mostrar uma trama sólida e, ao mesmo tempo, encontra um humor genuíno irresistível. Continua com o título de melhor comédia atualmente em exibição.

Divulgação

– Assédio (Globoplay)

A clássica história do médico que divide a personalidade com um monstro ganhou uma nova e desprezível versão, há alguns anos, na vida real, quando surgiram as primeiras denúncias de mulheres contra os abusos sexuais de Roger Abdelmassih, especialista em reprodução humana. Partindo da realidade, o Globoplay lançou, neste ano, a série “Assédio”, que traz o ator Antonio Calloni como o médico que se aproveita da profissão para estuprar as pacientes. A produção condensa relatos de vítimas do médico em algumas personagens fictícias, como Stela (Adriana Esteves), que procura o profissional muito fragilizada por não conseguir engravidar. Com texto e cenas fortes, “Assédio” provoca nojo e revolta, mas é uma história necessária de ser contada.

Divulgação

– The Kominsky Method (Netflix)

A comédia talvez seja o gênero mais difícil de ser produzido, especialmente quando se busca um texto inteligente e atuações que fujam de recursos cômicos batidos. Fui surpreendido, neste fim de 2018, com “The Kominsky Method”, o trabalho mais maduro e inspirado do produtor Chuck Lorre, o mesmo de “Two and a Half Men” e “The Big Bang Theory”. Protagonizada por Michael Douglas, a série mostra a amizade entre um ator e um produtor, vivido por Alan Arkin, que possuem personalidades diferentes e lidam com descobertas e dramas da velhice. Com um texto sutil e divertido, a série se transformou em outro bom divertimento do ano, especialmente pelas atuações da dupla de atores veteranos.

Divulgação

– Barry (HBO)

Que 2018 foi um ano tenso, isso quase todo mundo concorda. Por isso, nada melhor do que procurar refúgio nas comédias, mesmo naquelas que não são tão óbvias e tradicionais, como é o caso de “Barry”. A produção da HBO aposta em um humor sarcástico, que encontra o riso, muitas vezes, em situações trágicas e de ação. O resultado é um estranho equilíbrio entre drama e comédia, resultado alcançado, também, através do desempenho do ator Bill Hader. A história do matador profissional que vive uma espécie de crise de personalidade e procura refúgio em uma possível carreira de ator rende bons momentos e provoca risos nada forçados diante das situações e questões bizarras vividas pelo protagonista.